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Depressão no período da perimenopausa foi tema de palestra e roda de conversa promovidas pelo ICB

Evento aconteceu no ICB I e foi bastante esclarecedor sobre esse período da vida das mulheres.


A Diretoria, juntamente com a Comissão de Inclusão e Pertencimento do ICB, promoveu na última quarta-feira uma importante palestra para todas as mulheres. O evento, intitulado “Vamos conversar sobre a depressão na perimenopausa? ”, foi coordenado pelo Professor Joel Rennó Júnior, docente do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, onde é diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher.

 

Com plateia formada por professoras, funcionárias e discentes, o encontro aconteceu no Edifício Biomédicas I, e por duas horas possibilitou que as presentes pudessem tirar suas dúvidas e compartilhar suas próprias experiências em relação à perimenopausa, o período da vida da mulher que antecede à menopausa e costuma ocorrer por volta dos 45 anos de idade.

 

A funcionária Amanda Cespede Proetti, recém-contratada, que coordena o Escritório de Segurança do ICB, achou a palestra muito interessante e esclarecedora para as mulheres que, como ela, estão próximas de entrar nesse período da vida ou que já estejam passando por ele. “A palestra foi totalmente baseada em estudos e evidências científicas, sendo que o Professor Joel também abriu espaço às mulheres presentes para perguntas, relatos e trocas de experiências, o que gerou um aprendizado coletivo entre as participantes desse importante bate-papo”, conta.

 

Proetti também relatou que talvez, em breve, sejam disponibilizadas cartilhas e materiais didáticos sobre essa questão, uma vez que o Professor Joel abriu essa possibilidade após sugestão feita pelas presentes. “O palestrante nos trouxe informações palpáveis sobre o tema, ajudando a todas a entender, e talvez até a desmistificar questões como a reposição hormonal, por exemplo, e dando ênfase também aos benefícios que a adoção de novos estilos de vida pode desencadear e também ajudar na passagem por esse período de vida da mulher”.

 

Por fim, entendemos ser muito necessário agradecer ao Professor Joel por ter propiciado esse momento tão profícuo de esclarecimento e aprendizado às mulheres do ICB. 

 

 

NUCOM – ICB

19/09/24
Alunos do ICB-USP participam de atividades de extensão em escolas públicas paulistas

Ações incluíram oficinas e uma peça de teatro sobre o vírus da dengue.


Estudantes de pós-graduação e docentes do projeto.

Alunos de pós-graduação do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) realizaram, no último mês de agosto, duas atividades extensionistas (AEX). A primeira delas, intitulada “Projeto #Adote: Adote Uma Bactéria, Vírus ou Fungos nas Mídias Sociais” contou com a participação de dez estudantes de pós-graduação do Departamento de Microbiologia, que conduziram, no dia 20 de agosto, três oficinas práticas nas dependências do ICB, voltadas a alunos de licenciatura em Ciências do Instituto Federal de São Paulo, Campos Tietê. As atividades que exploraram o cultivo, crescimento e metabolismo bacteriano, além das características gerais de vírus e fungos e implicações para a saúde humana, animal e ambiental.

 

No dia 23 de agosto, outra atividade de extensão foi realizada com 403 alunos de educação básica na Escola Estadual Professora Flora Stella, em Carapicuíba/SP. Sete estudantes de graduação do curso de Ciências Biomédicas do ICB/USP abordaram um importante problema de saúde pública por meio de uma abordagem lúdica, na forma de uma peça teatral sobre a temática “Vírus da Dengue e a importância da vacinação”. Tanto o roteiro, como a montagem da peça foram elaboradas pelos estudantes da USP que também atuaram como atores na peça.  

 

Estudantes de graduação, responsáveis pela montagem da peça de teatro e os docentes responsáveis pela AEX , Profs Rita Café Ferreira e Jansen Araujo.

As AEX permitiram aos estudantes atuarem como multiplicadores do conhecimento adquirido na USP ao disseminar informações, respaldadas pela ciência, para benefício da sociedade. As atividades também reforçam o valor formativo das AEX para estudantes de graduação e pós-graduação ao engajá-los em práticas de responsabilidade social, essenciais para sua formação profissional e humanística. Além disso, as AEX valorizam o trabalho de instituições dedicadas ao ensino no estado de São Paulo e despertam o interesse dos alunos da rede pública para uma formação na mais renomada universidade do país. 

 

***

 

Estudantes participantes de pós-graduação: Ana Paula Barbosa, Camila Caldas Martins Correia, Camila Gasque Bomfim , Desyrée Yumiko Sadoyama Rangel Ozaki ,  Lara Naji Baroni, Giovanna Tarantini , Nicole Gonçalves Picinin e Nicole Reis.

 

Estudantes de graduação: Bruna Rodrigues Corrêa, Carolina Diorio Nastaro, Gabriel Rezende Coelho, Matheus Gallardo Souza Inoue, Liviah Andressa La Pastina, Raissa Brunis Fiori Salvador, Rafaela Augusto Maia, Raphaela Machado Campos Lopes.

 

Marina R. Martins (diretora) e Ingrid de Oliveira Melo Almeida (coordenadora pedagógica) | E.E Professora Flora Stella, em Carapicuíba/SP

 

Professores responsáveis pela AEX/ICB/USP: Rita C Café Ferreira, Jansen Araujo, Mario Henrique, Kelly Ichida, José Gregório e Robson de Souza.

 

As atividades realizadas receberam apoio da Pró- Reitoria de Cultura e Extensão da USP, Comissão de Cultura e Extensão – ICB e do Centro de PID B3/FAPESP  


 

 

(Clique para ampliar) Oficinas práticas realizadas nos Laboratórios de Bacteriologia (Profa. Rita C. Café Ferreira), Virologia (Prof. Jansen Araujo) e Micologia (Prof. Mario Henrique de Barros) com estudantes de licenciatura do Instituto Federal de SP.


 

 

(Clique para ampliar) AEX conduzida na Escola Estadual Professora Flora Stella com estudantes de graduação do Instituto de Ciências Biomédicas do ICB/USP.

 


Por Rita de Cássia Café Ferreira, Bruna Rodrigues Corrêa, Carolina Diorio Nastaro

Editado por Nucom/ICB

16/09/24
Quinta edição do Congresso do ICB celebra 55 anos do Instituto e discute futuro da ciência e da educação no Brasil

Evento foi sediado no Centro de Difusão Internacional da USP e contou com mais de 700 inscritos.


Para celebrar seus 55 anos de existência em grande estilo, o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) promoveu, nos dias 3, 4 e 5 de setembro, a 5ª edição do Congresso do ICB. Neste ano, pela primeira vez, o evento foi realizado fora das dependências do Instituto: a sede foi o Centro de Difusão Internacional da USP (CDI), que recebeu a programação recheada de palestras, oficinas, mentorias e trabalhos de discentes. Além da parte científica, o congresso também deu lugar a homenagens, apresentações musicais e exposição de talentos da comunidade. A participação foi gratuita a todos, com financiamento da Fapesp e patrocínio de empresas da área científica que montaram estandes de apresentação de produtos.

 

“Optamos por fazer um evento fora do Instituto pois entendemos que, às vezes, sair do ambiente de trabalho é importante, especialmente no caso do ICB, que é dividido em cinco prédios, o que dificulta a confraternização dos colegas”, explica o Prof. Carlos Taborda, vice-diretor do ICB. Segundo ele, outra estratégia para estimular essa interação entre alunos, docentes e funcionários foi trazer temas não estritamente científicos, de forma que o evento pudesse ser aproveitado por todos os públicos. “A parte científica é importante, afinal, somos um instituto de pesquisa. Mas também nos preocupamos em trazer pessoas que pudessem abordar questões não acadêmicas”.

 

A cerimônia de abertura contou com a presença do reitor da universidade, o Prof. Carlos Gilberto Carlotti Júnior, que reconheceu a importância do evento como facilitador de parcerias e o ICB como uma das unidades estruturantes da USP. “Parabéns ao ICB, por ter sido e continuar sendo responsável pela formação de seus alunos e alunos de unidades irmãs”, disse. Também esteve presente a vice-reitora, Profa. Maria Arminda do Nascimento Arruda, que ressaltou a importância de celebrar o legado do ensino e pesquisa na USP. “Esse casamento entre as comemorações dos 55 anos do ICB e os 90 anos da universidade é muito feliz, pois comemorar também é revelar o patrimônio acumulado das instituições e pensar o futuro.”

 

O Prof. Paulo Abrahamsohn durante o lançamento do livro.

Na sequência, a novidade mais aguardada do evento: o lançamento de um e-book em comemoração ao aniversário da unidade, organizado pelo docente de longa data da casa, o Prof. Paulo Abrahamsohn, que fez um panorama da história do Instituto e relembrou o contexto de sua fundação. “A ideia de fazer o livro surgiu da necessidade que sentíamos de reunir, em um único lugar, a história do ICB, que sempre foi  muito fragmentada. É uma oportunidade de alunos, funcionários e docentes mais novos tomarem contato com um pouco dessa história”, explica Taborda. O livro está disponível para download no Portal de Livros Abertos da USP.

 

A manhã do primeiro dia de evento ainda contou com uma palestra do Prof. Luiz Roberto Giorgetti de Britto, do Departamento de Fisiologia e Biofísica, que abordou a importância do uso de modelos animais no estudo de doenças neurodegenerativas, e uma apresentação do ex-reitor Prof. Jacques Marcovitch, sobre a extensão universitária na USP. Durante o intervalo, o Congresso recebeu uma apresentação especial do Coral USP.

 

Na parte da tarde, uma apresentação do Dr. Wilson Savino, do Instituto Oswaldo Cruz, abordou as interconexões entre arte, cultura, ciência e cidadania, e uma palestra da Profa. Ana Lucia Gazzola, da UFMG, discutiu alguns dos desafios da universidade brasileira no século XXI. O dia encerrou com a apresentação de trabalhos selecionados de iniciação científica e pós-doutorado. “Achamos importante dar voz a todos os alunos do ICB, da graduação ao pós-doutorado, de forma a prestigiar toda a nossa produção científica”, diz Taborda.

 

No segundo dia, tivemos pela manhã apresentações de trabalhos de mestrado e doutorado e uma palestra da Profa. Sônia Vasconcellos, da UFRJ, sobre os novos tempos para a comunicação e avaliação da pesquisa. Na parte da tarde, o Prof. Rodrigo Soares, da Fiocruz, ministrou uma oficina de técnicas de teatro aplicadas à apresentação de seminários, aulas e concursos acadêmicos.

 

O terceiro dia recebeu, na parte da manhã, o diretor científico da Fapesp, Prof. Márcio de Castro Silva Filho, que abordou perspectivas e desafios para a agência de fomento paulista nos próximos anos. “Era um momento que nós estamos esperando há muito tempo. Não foi uma palestra técnica, do ponto de vista científico, mas foi uma palestra importante para entender os rumos da Fapesp”, ressalta Taborda.

 

À tarde, os destaques ficam para o lançamento, pela Profa. Andrea Balan, do novo programa de mestrado profissional do ICB: “Inovação, diagnóstico e desenvolvimento de fármacos e medicamentos”; e para a palestra de encerramento, “O espectro autista a partir da perspectiva molecular, celular e neurológica”, do Prof. Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD).

 

Também houve a realização, por parte da Comissão de Inclusão e Pertencimento, de uma homenagem aos funcionários, que relembrou os servidores técnicos e administrativos que ajudaram a construir a trajetória de excelência em ensino e pesquisa do Instituto.  “Foi emocionante. Uma oportunidade de agradecermos os colegas que trabalham conosco, bem como aqueles que passaram pelo ICB e fizeram parte do nosso da nossa história”, diz Taborda. O congresso foi finalizado com a premiação de trabalhos e uma apresentação da banda “The Professors”, formada por docentes da USP e da Unicamp, que tocou diversos clássicos do rock das décadas de 1960, 1970 e 1980. 

 

Além dos destaques aqui citados, a programação completa pode ser conferida neste link. As gravações dos três dias de evento estão disponíveis nesta playlist no YouTube. Se você participou do congresso e gostaria de avaliá-lo ou dar sugestões, sinta-se à vontade para preencher este formulário.

 

Você pode acessar a cobertura fotográfica na íntegra, feita por Marilene Guimarães e Marcio Martins, neste link. Veja algumas imagens abaixo (clique para ampliar)

 

 

Por Felipe Parlato | Nucom-ICB

13/09/24
Livro co-organizado por docente do ICB-USP é finalista do prêmio Jabuti Acadêmico

Publicação, que concorreu na categoria “Ciência de Alimentos e Nutrição”, é um dos primeiros materiais didáticos do Brasil focados na imunologia do exercício.


O livro “Suplementação Nutricional: Exercício e Sistema Imunológico”, co-organizado pelo docente do Instituto de de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) José Cesar Rosa-Neto, foi finalista da 1ª edição do prêmio Jabuti Acadêmico, cuja cerimônia ocorreu no último dia 6 de agosto. A publicação disputou na categoria Ciência de Alimentos e Nutrição ao lado de quatro outros livros, incluindo o vencedor da noite “Brasil em 50 alimentos”, de Jorge Duarte. A premiação visa reconhecer livros com contribuições significativas nas áreas científicas, técnicas e profissionais.

 

Publicado em 2023 pela Editora dos Editores, o livro é composto de 20 capítulos — escritos por professores convidados e alunos de pós-graduação — que visam reunir conhecimentos sobre o estado-da-arte da imunologia do exercício, área de estudo que relaciona a prática de atividade física e o funcionamento do sistema imunológico. Além de Rosa-Neto, assinam a organização Antonio Herbert Lancha Júnior, Bárbara de Moura Mello Antunes, Fábio Santos Lira e Ronaldo Vagner Thomatieli dos Santos.

 

 

O docente do ICB explica que a ideia do livro surgiu de uma carência de material didático específico sobre o tema. “A imunologia do exercício é uma disciplina que poucas universidades oferecem. Eu e os professores Fábio Lira, da Unesp, e Ronaldo Thomatieli, da Unifesp, temos uma linha de pesquisa voltada para isso, e achamos importante que seja um assunto mais difundido a nível de graduação”.

 

O sedentarismo, cada vez mais comum e crescente no Brasil, traz ainda mais relevância ao tema. Dados de 2023 do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, mostraram que 59,6% da população adulta não pratica a quantidade de atividade física recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

Malefícios desse sedentarismo incluem uma resposta imune menos eficaz a infecções virais e tumores, além de menor efetividade de vacinas. “É um tema que esteve em evidência com a pandemia de Covid, mas que vai além de doenças respiratórias. A resposta antitumoral de atletas de alta performance, por exemplo, aumenta em 50%”, lembra Rosa-Neto.

 

Outro assunto abordado no livro são os benefícios do exercício físico para a população idosa. O envelhecimento do sistema imunológico, chamado de imunossenescência, pode ser mitigado pela prática regular de exercícios. “Temos estudado muito a resposta imunológica de indivíduos com mais de 60 anos que praticaram exercício ao longo da vida, e vimos de que se aproxima muito a de alguém de 25 anos não treinado”, conta o docente.

 

Rosa-Neto lembra ainda que, apesar dos benefícios, quando praticado sem o devido preparo, o exercício físico em excesso pode causar prejuízos ao funcionamento do sistema imune. “Existiram casos de indivíduos que, ao finalizar maratonas, tinham uma imunidade similar a um indivíduo soropositivo com alta carga viral”. Isso vale principalmente para sessões de exercícios de mais de 60 minutos sem a devida suplementação.

 

Com esses temas em pauta, os organizadores buscaram trazer a imunologia do exercício para a prática do dia-a-dia, mostrando como a atividade física pode modular o sistema imune tanto positiva, quanto negativamente. O livro é essencialmente voltado para alunos de graduação ou que estão começando uma pós-graduação — nutricionistas, educadores físicos e médicos —, ainda que um atleta não formado, por exemplo, possa aproveitar parte do conteúdo. “Pelo fato de nós, organizadores, termos essa proximidade, conseguimos organizar os capítulos de forma que ficassem fluidos e se relacionassem entre si, e esperamos que o livro sirva de material de estudo para muitos profissionais daqui para frente”, conclui o docente.

 

Suplementação Nutricional: Exercício e Sistema Imunológico

Org.: Antonio Herbert Lancha Junior; Barbara de Moura Mello Antunes;

Fábio Santos Lira; José Cesar Rosa-Neto; e Ronaldo Vagner Thomatieli dos Santos.

Editora dos Editores, 2023. 352 páginas.

 

Felipe Parlato | Nucom/ICB

26/08/24
Grupo de pesquisa internacional co-liderado por docente do ICB-USP ganha prêmio por trabalho colaborativo

Pesquisa foi voltada para leishmaniose e a Doença de Chagas e contou com pesquisadores dos quatro cantos do mundo.


Um grupo de pesquisa internacional, que contou com a participação de membros do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), ganhou um prêmio do Medical Research Council (MRC), uma das mais prestigiadas instituições de fomento das ciências médicas do Reino Unido. Os pesquisadores foram contemplados na edição de 2023 do Impact Prize (“prêmio de impacto”), na categoria Outstanding Team Impact Prize (“prêmio de impacto de equipe excepcional”), que reconhece impactos notáveis na ciência médica realizados por redes colaborativas.

 

 

A rede em questão é a Rede Global para Doenças Tropicais Negligenciadas (NTD Network, na sigla em inglês), fundada em 2018 na Universidade de Durham, no Reino Unido. Criada no âmbito dos projetos Global Challenges Research Funds, financiados por uma das maiores agências de fomento britânicas, a U.K Research and Innovation, a NTD Network teve como objetivo de pesquisa buscar soluções terapêuticas, diagnósticas e preventivas para a leishmaniose e para a Doença de Chagas. 

 

Ambas as enfermidades integram o grupo das chamadas Doenças Tropicais Negligenciadas, definidas pela Organização Mundial da Saúde como “um grupo diversificado de condições causadas por uma variedade de patógenos (incluindo vírus, bactérias, parasitas, fungos e toxinas) e associadas a consequências devastadoras para a saúde, sociais e econômicas”. A carência de políticas públicas de combate e prevenção também caracterizam essas doenças.

 

Além das publicações, entre 2018 e 2023, o grupo também atuou na formação de recursos humanos, mentoria de jovens pesquisadores, transferência de tecnologia a empresas e intervenções em comunidades afetadas. O braço da Global Network for NTDs na América Latina foi liderado pelo Prof. Ariel Silber, do Departamento de Parasitologia do ICB-USP, que atendeu à cerimônia de premiação no mês de junho. 

 

Silber conta que o trabalho iniciou com uma reunião em Dunham, na qual foi convidado para compor a rede e coordenar a organização de um núcleo contendo pelo menos dois países latino-americanos. “Sou argentino, então conheço bem a ciência argentina, mas também já trabalho a 24 anos no Brasil. Esses dois países foram escolhas naturais. Além disso, acrescentei também o Uruguai, onde há uma unidade do Institut Pasteur.” Além deste e do núcleo britânico, foi formado também um núcleo asiático, que consiste de unidades da Índia e do Paquistão, totalizando seis países.

 

Outros pesquisadores brasileiros membros da rede incluem: o Prof. Adriano Coelho, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); a professora Silvia Uliana, também do ICB e hoje aposentada; a Profa Angela K. Cruz, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto; a Profa. Santuza Teixeira, da Universidade Federal de Minas Gerais; e as Profas. Bartira Bergmann e Ana Paula Lima da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

Mais informações, bem como o corpo de publicações, podem ser conferidas no site da Rede.

 

 

Por Felipe Parlato | Nucom/ICB

15/08/24
Após estágio preparatório no ICB-USP, aluno do ensino médio conquista duas medalhas de prata em olimpíadas de ciências

Estudante reforçou preparação para competições de Biologia e Física em estágio laboratorial de três meses no Instituto.


Alexandre Andrade de Almeida tem 17 anos e é aluno do terceiro ano do ensino médio do Colégio Objetivo. Até aí seria a descrição de um jovem comum, não fosse pelo fato de ele ser um supercampeão que, ainda tão jovem, já conta com mais de 90 medalhas e premiações em olimpíadas do conhecimento e disputas acadêmicas.

 

As suas duas últimas conquistas aconteceram em julho passado, quando conseguiu medalhas de prata tanto na Olimpíada Internacional de Biologia, que foi realizada do dia 6 ao dia 14, no Cazaquistão, quanto na Olimpíada Europeia de Física, ocorrida na Geórgia, do dia 15 ao dia 20.

 

Apesar da última levar o nome de “europeia”, Alexandre explica que nela são aceitos alunos de todos os continentes. Exemplifica que na disputa de biologia houve a participação de 320 alunos, de 80 países. “Além das cerimônias de abertura e encerramento, tivemos oportunidade de confraternizar por dois dias, sendo que dois outros dias foram reservados para as provas práticas e teóricas”, conta.

 

Quanto à preparação específica para essas duas competições, ele relata que foi um dos seus professores no colégio, Guilherme Francisco, que possibilitou o estágio laboratorial no ICB. Ex-aluno do Prof. Carlos Menck, docente do Departamento de Microbiologia, Guilherme viabilizou um estágio de cerca de três meses, essencial para que Alexandre tomasse contato com as atividades práticas exigidas na Olimpíada Internacional de Biologia.

 

 

Alexandre ao lado do Prof. Carlos Menck (à direita) e da pós-doutoranda Dra. Fernanda Sodré (à esquerda).

Nesse período de estágio, o atleta pôde ter contato com diversos experimentos, principalmente ligados à linha de pesquisa de reparo de DNA, especialidade de Menck. Também teve a oportunidade de acompanhar os trabalhos de duas alunas de pós-doutorado orientadas pelo docente, além de assistir às aulas de graduação e pós-graduação, também ministradas por ele.

 

Alexandre conta que essa oportunidade foi crucial para o seu ótimo desempenho nas olimpíadas, pois em relação à de biologia, por exemplo, são cobradas quatro provas práticas em apenas um único dia: de biologia molecular, de bioquímica, de bioinformática, e de anatomia e fisiologia animal. Destas disciplinas, Alexandre pôde treinar para as três primeiras com o Prof. Menck.  

 

As olimpíadas dessas modalidades são voltadas a alunos com nível de formação análogo ao ensino médio aqui no Brasil. “A idade dos competidores costuma estar na faixa entre 15 e 18 anos, e para participar é preciso se classificar nos torneios nacionais equivalentes”, diz. 

 

Como exemplo de eventos classificatórios, cita a Olimpíada Brasileira de Biologia, que é realizada pelo Instituto Butantan; e a Olimpíada Brasileira de Física, que é organizada pela Sociedade Brasileira de Física. Esses eventos nacionais são compostos de três provas com questões teóricas e práticas, seguidas da capacitação, no caso da biologia; e do torneio brasileiro de física, no caso da física.

 

Após todas essas conquistas, bem como as etapas e períodos preparatórios, Alexandre finaliza agradecendo a o acolhimento e colaboração do ICB: “Gostei muito do estágio no laboratório do Prof. Menck. Penso em, depois da faculdade, seguir na área de pesquisa médica”.

 

O sucesso desse estudante é um belo exemplo de como a educação e a universidade pública podem e devem desempenhar o papel de auxiliar e inspirar alunos para toda a vida. Só nos resta parabenizar o jovem Alexandre, bem como os professores Guilherme, do Colégio Objetivo; e Menck, do ICB-USP; por todo apoio prestado a ele.

 

Para finalizar, visto que a trajetória do Alexandre já é repleta de histórias e feitos surpreendentes, seguem os links de algumas reportagens recentes feitas sobre o estudante:

 

  1. Matéria do Portal G1 – Estudante de 16 anos que acumula 73 medalhas em olimpíadas conquista nota máxima de matemática no Enem
  2. Matéria da Folha de São Paulo – Jovem autista de SP conquista 76 medalhas em olimpíadas científicas
  3. Matéria da Revista Veja – “A ciência é inclusiva”, diz estudante autista campeão em Olimpíadas do Conhecimento
  4. Matéria da Revista Galileu – Brasileiro com autismo ganha duas medalhas em olimpíadas internacionais de ciências
  5. Matéria do Colégio Objetivo – No Cazaquistão, Alexandre Andrade conquista prata na Olimpíada Internacional de Biologia (IBO)
  6. Matéria do Colégio Objetivo – Parabéns, Alexandre Andrade! Medalha de prata na Olimpíada Europeia de Física – EuPhO
  7. Matéria do Colégio Objetivo – Aluno do Objetivo, Alexandre Almeida conquista OURO em Biologia na Espanha
  8. Matéria do Colégio Objetivo – OURO para Alexandre Andrade! Mais uma conquista para o Brasil na Ibero-Americana de Física

 

 

Por Altamir Souza | Editado por Nucom/ICB

15/08/24
Pesquisadores do ICB-USP testam molécula inédita capaz de inibir a progressão de leucemia

Novo composto foi capaz de eliminar as células cancerosas e impedir sua multiplicação em mais de 20 modelos celulares de cânceres do sangue.


Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) testaram uma nova molécula capaz de inibir a progressão do ciclo celular da leucemia — câncer sanguíneo causado pela reprodução descontrolada dos glóbulos brancos na medula óssea. O estudo, publicado na revista Toxicology in Vitro, mostrou que o novo composto foi eficaz em combater as células leucêmicas sem apresentar toxicidade nas saudáveis. O trabalho possui apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

 

Inédita, a molécula C2E1 foi sintetizada pelo grupo de pesquisa liderado pelo cientista Fernando Coelho, Professor Titular do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (IQ-Unicamp), e funciona como inibidora da tubulina, uma proteína que constitui os microtúbulos. Componentes do citoesqueleto celular, essas estruturas têm um papel fundamental no processo de mitose — divisão em que são formadas duas células a partir de uma —, pois atuam na distribuição do material genético entre a célula “original” e a que está sendo formada. Dessa forma, ao inibir a tubulina, o composto interrompe a multiplicação das células cancerosas, impedindo o avanço da leucemia.

 

“O meu trabalho já envolvia o estudo dos esqueletos dos microtúbulos como alvo farmacológico para leucemia. Quando recebemos esse composto do professor Coelho, que sugeriu uma possível interação com a tubulina, resolvemos elucidar esse mecanismo e entender seus efeitos celulares e moleculares”, conta o doutorando Hugo Passos Vicari, primeiro autor do estudo. Os testes, realizados in vitro — em laboratório, com células cultivadas fora de organismos vivos —, mostraram que a molécula foi eficaz em eliminar as células cancerosas e impedir sua proliferação em 21 dos 25 modelos celulares testados. Além disso, o estudo confirmou a não-toxicidade em células saudáveis do sangue, o que sugere um potencial para menos efeitos colaterais em um possível fármaco no futuro. 

 

Segundo Vicari, o estudo envolveu diferentes testes, expondo células de leucemia aos compostos. “A princípio, verificamos se o composto apresentava o efeito tóxico capaz de matar as células, chamado de citotoxicidade. Depois, observamos se ocorreu de fato a apoptose [morte celular]. Por último, constatamos se houve interrupção no ciclo de divisão celular, processo que chamamos de catástrofe mitótica.”

 

Foram testados diversos modelos celulares com características distintas. Nesse sentido, pôde-se observar a efetividade do composto em diversas variações da doença, da leucemia linfoblástica aguda, mais comum em crianças e jovens adultos, à leucemia mieloide aguda, mais comum em adultos a partir dos 60 anos. Medicamentos são ainda mais importantes para essa última faixa etária, que é inelegível para transplante de medula óssea, a única cura para a leucemia.

 

Terapias combinadas — Compostos que têm como alvo a tubulina já são usados no tratamento de diversas formas de câncer desde os anos 1940. Apesar do histórico de sucesso, a busca por alternativas é constante, uma vez que a adequação a cada medicamento pode variar de acordo com o paciente. “Ainda que a tubulina seja um bom alvo, com efetividade comprovada, os fármacos disponíveis nem sempre garantem uma terapia completa: é comum que pacientes desenvolvam resistência aos medicamentos meses ou até anos depois, como em casos em que um tumor retorna”, explica João Agostinho Machado-Neto, professor do Departamento de Farmacologia do ICB e coordenador do estudo. “Por isso, terapias combinando mais de uma opção são interessantes: quando o paciente adquire resistência a um composto, inicia-se o tratamento com outro”, acrescenta.

 

Nesse contexto, a nova molécula testada se mostrou uma opção eficaz, já que os pesquisadores verificaram sua efetividade em modelos celulares que já eram resistentes aos inibidores conhecidos. “O local de ligação do C2E1 na tubulina é diferente de outros, como o dos medicamentos Vincristina e do Paclitaxel, por exemplo. Por se ligar a um sítio diferente, o novo composto não apresenta a mesma resistência que os anteriores”, explica Vicari.

 

Teixo-do-pacífico, nativo da costa oeste da América do Norte.

O Instituto Nacional do Câncer (INCA), responsável pelas estatísticas sobre câncer no Brasil, estima cerca de 11 mil novos casos de leucemia neste ano — pacientes que  poderiam se beneficiar de novos tratamentos, sobretudo em casos de recaída. “Existem muitos tratamentos que são ótimos, mas tratam de tipos específicos de leucemia. Nosso tratamento poderia ser aplicado em contextos em que outros não cabem”, aponta Machado-Neto.

 

Fácil de produzir — Outra vantagem do novo inibidor é o fato de ele ser de fácil síntese em laboratório. O mesmo

não vale para os já citados componentes da Vincristina, extraídos das vincas, e do Paclitaxel, extraídos do Teixo do Pacífico, árvore conhecida por seu crescimento lento. Quando foram descobertos, esses compostos só podiam ser obtidos por meio de suas plantas de origem, processo lento e trabalhoso. “Para se obter a quantidade necessária de Paclitaxel, como parte do primeiro ensaio clínico com o composto na época, foram derrubadas milhares de árvores centenárias”, conta Machado-Neto. Hoje ambas as substâncias já podem ser semi-sintetizadas por cientistas, processo que, apesar de mais rápido, ainda depende parcialmente das plantas de origem — ao contrário da C2E1, 100% sintetizável em laboratório.

 

Segundo a dupla, o próximo passo do trabalho seria o teste em modelos animais para verificar se os resultados se mantêm em sistemas mais complexos ou apresentam toxicidade em órgãos não previstos. Essa etapa levará de dois a cinco anos. Só então a molécula será avaliada em ensaios clínicos, que levam em média mais dois ou três anos. “Além da leucemia, temos interesse em investigar outros tipos de câncer tratados com inibidores de microtúbulos, como os cânceres de mama e de cólon. Também estamos otimistas com a possibilidade de modificar o composto, aumentando sua potência e diminuindo as doses necessárias para os efeitos terapêuticos, bem como potenciais efeitos adversos”, diz Machado-Neto.


 

 

A figura ilustra células leucêmicas tratadas com veículo (controle, painel à esquerda) e com o composto C2E1 (painel à direita). Observe a presença de cromossomos condensados (estruturas que contém o DNA, fundamentais para divisão correta do material genético) e mitoses aberrantes nas células de leucemia tratadas com o novo composto. A molécula é notável por ser a primeira de sua classe, ciclopenta[b]indol, a ser utilizada no combate à leucemia.

 

Crédito da imagem: Vicari et al., Toxicol In Vitro 29:99-105856, 2024.

 

 

Por Felipe Parlato | Nucom-ICB

05/07/24
Pró-Reitor de Pós-Graduação da USP visita o ICB para apresentar o novo modelo de pós-graduação na universidade

Evento, realizado na Sala da Congregação do ICB, foi promovido pela Comissão de Pós-Graduação.


Pró-reitor ao lado da diretora do ICB, Profa. Patrícia Gama, e da Profa. Carolina Munhoz, presidente da Comissão de Pós-Graduação.

O Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) recebeu, na tarde do dia 27 de junho, a visita do pró-reitor de Pós-Graduação, Prof. Dr. Rodrigo do Tocantins Calado De Saloma Rodrigues. Na ocasião, Calado apresentou o novo modelo de pós-graduação na universidade.

 

A nova proposta tem como objetivo encurtar a formação na pós-graduação, diminuindo os prazos para a conclusão tanto do mestrado quanto do doutorado. Além disso, o novo modelo acabaria com a hierarquia entre mestrado e doutorado.

 

 

 

 

 


 

         

 

Por Nucom-ICB, com informações do Jornal da USP

28/06/24
Estudo aponta evidência de rearranjo genético do vírus Influenza A (H2) em aves brasileiras

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da USP conduziram estudo que levanta preocupações sobre o possível potencial pandêmico de novas cepas do vírus Influenza A (H2).


Revoada de maçaricos no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, Rio Grande do Sul. Foto: Luciano Thomazelli

Os vírus da influenza A do subtipo H2 podem representar uma ameaça significativa à saúde animal e humana devido à falta de imunidade prévia das populações. Agora, um estudo recente conduzido por uma equipe de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), lança luz sobre o potencial rearranjo desses vírus em aves limícolas brasileiras, levantando preocupações sobre o surgimento de novas cepas com potencial pandêmico.

 

O estudo, intitulado “Evidência de rearranjo de vírus da gripe aviária (H2) em aves limícolas brasileiras”, investiga as sequências genômicas de dois vírus da gripe isolados de maçaricos-de-sobre-branco (Calidris fuscicollis) capturados na natureza. Essas descobertas, publicadas em uma edição recente da revista científica PlosOne, revelam insights intrigantes sobre a diversidade genética e a distribuição geográfica dos subtipos H2 na região.

 

Um dos vírus, identificado como A(H2N1), foi descoberto em uma ave saudável capturada no Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba (PNRJ), localizado no estado do Rio de Janeiro. O segundo vírus, identificado como A(H2N2), foi isolado de uma ave também saudável capturada no Parque Nacional da Lagoa do Peixe (PNLP), situado no Rio Grande do Sul.

 

O Dr. Luciano Thomazelli, virologista do Laboratório de Virologia Clínica e Molecular do ICB-USP e primeiro autor do estudo, explica: “Essas descobertas destacam a importância dos esforços de vigilância na compreensão da dinâmica dos vírus da gripe aviária na América do Sul, particularmente em regiões como o Brasil, onde as informações são escassas. Vigilância essa que já fazemos há mais de 20 anos aqui no Laboratório de Virologia, chefiado pelo Prof. Edison Luiz Durigon”, acrescentou.

 

O sequenciamento genômico e a análise filogenética dos vírus isolados revelaram subtipos distintos, com o vírus A(H2N1) apresentando uma relação mais próxima com cepas norte-americanas, enquanto o vírus A(H2N2) exibiu uma origem mais diversa, com sequências genéticas semelhantes a cepas provenientes da América do Norte, América do Sul e da Islândia.

 

Notavelmente, o estudo identificou evidências de rearranjo local dentro de um dos vírus, indicando o potencial de mistura genética entre linhagens de vírus da gripe aviária das Américas do Norte e do Sul. Este fenômeno, observado no extremo Sul do Brasil, poderia contribuir significativamente para a diversidade geral dos vírus influenza que circulam na região.

 

“Compreender os mecanismos que impulsionam o rearranjo viral é crucial para a detecção precoce e mitigação de ameaças emergentes à saúde animal e pública”, enfatiza o Prof. Dr. Jansen de Araujo, autor correspondente e pesquisador principal do projeto (FAPESP 23/03041-1), também do ICB-USP.

 

À medida que a comunidade global enfrenta o desafio contínuo da preparação contra a gripe, estudos como este fornecem informações importantes sobre a dinâmica complexa dos vírus da gripe aviária, e sublinham a importância da vigilância proativa e dos esforços de investigação na salvaguarda contra futuras pandemias. “Sabe-se que cepas da Influenza aviária de baixa patogenicidade são precursoras de vírus altamente patogênicos, por meio de seus rearranjos”, conclui Araujo.

 

Apesar do subtipo H2N2 isolado não ter relação direta com o vírus humano causador de uma das maiores pandemias da história — a Gripe Asiática, há mais de meio século (1957-1968) —, subtipos do tipo H2 continuam circulando em aves silvestres ao redor do globo, possibilitando o risco de transbordamento interespécies. Sobretudo numa época em que o avanço das cidades e da agricultura exercem cada vez mais pressão sobre as áreas verdes.

 

 

Por Dr. Luciano Matsumiya Thomazelli | Editado por Nucom/ICB

28/06/24
Cerimônia de concessão do título de Doutora “Honoris Causa” da USP a Marisa Monte contou com a presença de duas representantes do ICB

Em evento realizado na última segunda-feira, 24 de junho, na Sala do Conselho Universitário da USP, foi feita a outorga do título à artista.


Dois momentos da cerimônia de outorga do título à cantora; e as professoras Patrícia e Marinilce solenemente trajadas para prestigiar o evento pelo ICB.

Após ter realizado um show gratuito na Praça do Relógio da USP, no sábado (22), em comemoração aos 90 anos da universidade, Marisa Monte recebeu nesta segunda-feira, 24 de junho, o título de Doutora Honoris Causa por sua contribuição às artes, à democracia e à educação​. Dentre os 123 laureados ao longo da história, a cantora é a terceira mulher e a primeira artista a receber a honraria pela USP, como lembrou a cantora em seu discurso.

 

Durante o show comemorativo dos 90 anos da USP, Marisa Monte havia aproveitado para defender as políticas de cotas nas universidades públicas. A artista destacou a importância das cotas para promover a diversidade e inclusão, permitindo que mais estudantes de baixa renda, negros, pardos e indígenas tenham acesso à educação superior. O evento também teve um caráter solidário: arrecadou alimentos não perecíveis e agasalhos para a Central Única das Favelas (Cufa) e para o programa USP Diversa, voltado à permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade econômica e do qual Marisa é embaixadora​.

 

Na cerimônia de outorga do título — na qual representavam o ICB a Profa. Patrícia Gama, diretora, e a Profa. Marinilce Fagundes dos Santos, representante da Congregação do ICB no Conselho Universitário —, o reitor Carlos Gilberto Carlotti Júnior destacou que “Marisa Monte atua em todas as fases de desenvolvimento de suas brilhantes obras. É reconhecida e admirada pelas atividades de pesquisa e de estudo em relação à arte e à cultura brasileiras. Ela utiliza a mesma metodologia que empregamos em nossos trabalhos acadêmicos”. (Clique aqui para ler a íntegra do discurso do reitor.)

 

“Esse título é de todos aqueles que me acompanharam ao longo da minha carreira, que acreditaram em mim e que se emocionaram com a minha arte. A música tem o poder de nos unir, de nos tocar, de nos lembrar de nossa humanidade compartilhada. Que possamos continuar a valorizar a arte, a educação, a cultura, construindo um mundo mais sensível, mais inclusivo e mais solidário. Que a música continue a tocar nossos corações e a inspirar nossas vidas. Obrigada Universidade de São Paulo”, agradeceu a cantora.

 

“Hoje é um dia de festa para todos nós que fazemos parte deste Conselho Universitário e para toda a comunidade universitária. Hoje é um dia que estamos escrevendo um capítulo importante na história da USP. Marisa, ainda bem que a USP encontrou você. Vem fazer história que hoje é dia de glória neste lugar”, concluiu o reitor no encerramento da solenidade.

 

Assista aqui a íntegra da cerimônia de concessão do título Doutora para a cantora Marisa Monte.

 

 

Por NUCOM-ICB, com informações de Jornal da USP e Mídia Ninja.

25/06/24
Educação inovadora: transformando conteúdos sobre sífilis e tuberculose em jogos educativos

Alunos de graduação do ICB participaram da 6ª edição do SciBiz, conferência de invenção e inovação da USP, para apresentar os jogos desenvolvidos por eles durante o curso.


Os alunos de graduação do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) foram convidados a participar da 6ª edição do SciBiz 2024, que ocorreu nos espaços  INOVA USP e Centro de Difusão Internacional (CDI), ambos da Universidade de São Paulo, entre os dias 17 a 21 de junho. O evento é uma iniciativa da FEAUSP e da AUSPIN, a Agência USP de Inovação, que tem como objetivo integrar pesquisadores, empreendedores e investidores, acelerando a transformação da invenção em inovação.

 

O convite foi para apresentação e exposição de suas invenções — que têm potencial de serem transformadas em produtos para o mercado — no showroom de tecnologia, além de compartilhar conhecimentos e gerar desafios para negócios. Os alunos criaram dois jogos educacionais para o ensino de Microbiologia, visando promover integração e ludicidade.

 

O primeiro jogo de tabuleiro intitulado “RESPINGO LETAL”, trata da bactéria Mycobacterium tuberculosis, causadora da tuberculose. O segundo jogo, chamado “TREPOWAR”, relaciona-se às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), especificamente à sífilis, causada pela bactéria Treponema pallidum pallidum.

 

Esses temas são de extrema importância para a sociedade. Os jogos são resultados do trabalho dos alunos de graduação do ICB envolvidos no Projeto “Adote uma Bactéria”, coordenado pela Profa. Rita C. Café Ferreira.

 

Apoio do CEPID B3/FAPESP e CCEx/ICB.

 

 

 

 

 

RESPINGO LETAL

  • Bruna R. Corrêa
  • Carolina D. Nastaro
  • Christian Scavone
  • Izabela A. M. Andrade
  • Matheus Gallardo S. Inoue
  • Pedro Gabriel V. S.  Oliveira
  • Pedro Lucas Oliveira
  • Rafaela A. Maia
  • Raphaela Machado C. Lopes

 

Mediadora 

  • Samantha Brito

 

 

TREPOWAR

  • Ana L. G. Filippo
  • Beatriz R. Seiler
  • Deborah S. Rocha
  • Helena C. Corrêa
  • Júlia Toneli Oliveira
  • Ketlin Scomparin
  • Maria Eduarda P. Viana
  • Rafael M. de Paula
  • Thamires L. Ferreira

 

Mediadores

  • Bruna Rodrigues Corrêa
  • Carolina D. Nastaro
  • Gabriel R. Coelho
  • Matheus Gallardo S. Inoue

 

Texto enviado pela Profa. Rita C. C. Ferreira | Editado por Nucom/ICB

25/06/24
“Pé na estrada”: alunos do ICB-USP levam ciência ao Ensino Médio com visitas a escolas públicas de Agudos e Sorocaba

Para além dos muros da USP, alunos do ICB são multiplicadores da ciência desenvolvida no Instituto.


Equipe do #Adote no Instituto Federal de Sorocaba.

Nos dias 14 e 18 de junho, alunos de graduação e de pós-graduação do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) levaram a Microbiologia aos alunos do Ensino Médio da Escola Estadual João Batista de Aquino, em Agudos (SP), e do Instituto Federal de Sorocaba. A ação integra o projeto #Adote, coordenado pela professora Rita Café Ferreira, do Departamento de Microbiologia do ICB.

 

Durante a estadia, os alunos realizaram diversas atividades, iniciando com a apresentação dos vídeos institucionais da USP e do ICB. Em seguida, as alunas de pós-graduação Lara Baroni, Nicole Gonçalves e Giovana Tarantini ministraram a aula prática “Bactéria do Bem”, nos laboratórios das escolas, cujo conteúdo versou sobre o uso das bactérias como probióticos, seu cultivo, sua coloração e o que são os esporos de resistência. 

 

Outra atividade que fez parte do programa foi a oficina conduzida pelos graduandos Bruna Rodrigues, Matheus Gallardo, Carolina Nastaro, Raphaela Machado e Rafaela Augusto, na qual os estudantes disputaram o jogo de tabuleiro “Respingo Letal”, desenvolvido no ICB, que explora conteúdos sobre a bactéria causadora da tuberculose (Mycobacterium tuberculosis). Além das atividades práticas, foi aplicado um questionário avaliativo sobre a importância da visita e dos conteúdos abordados. 

 

Para encerrar, houve um momento de descontração e interação, em que os estudantes do Ensino Médio puderam esclarecer dúvidas sobre a USP, seus cursos e as formas de ingresso. A iniciativa faz parte do Centro de Pesquisa CEPID B3/FAPESP e conta com o apoio da Comissão de Cultura e Extensão (CCEx) do ICB-USP.

 

Agradecemos às professoras Hicléia Pauletti, Luzia e Márcia San Juan, da E.E João Batista de Aquino, de Agudos; ao professor Ophelis Françoso Jr., da Pedagógica Editorial; ao estagiário João Pedro Pagani Martins, do curso de Publicidade e Propaganda das Faculdades Integradas de Bauru; e por fim à coordenadora Ana Paula Batocchio e ao professor Alexandre La Luna, do Instituto Federal Campus Sorocaba.

 

 

Texto produzido pela equipe do “Adote Uma Bactéria” e editado pelo NUCOM/ICB

21/06/24
Dia Mundial do Meio Ambiente no ICB-USP abordará saúde da população ribeirinha, impacto do Rio Tietê na sustentabilidade e a produção de alimentos na crise climática

Comemoração receberá palestrantes de três unidades da Universidade de São Paulo e contará com uma roda de conversa com os presentes.


A Comissão de Cultura e Extensão do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (CCEx/ICB-USP) promoverá, no dia 5 de junho, um evento em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente. O tema deste ano, escolhido pela ONU — que também criou a data — tem foco em “acelerar a restauração da terra, a resiliência à seca e o progresso da desertificação”.

 

“A intensificação das mudanças climáticas e da poluição, resíduos em excesso e da perda de biodiversidade são preocupantes e colocam os ecossistemas do mundo sob ameaça. Nesse sentido, o conhecimento gerado nas universidades como a USP é essencial na busca para mitigar esses problemas”, explicam as professoras Raif Musa Aziz e Rita Café Ferreira, organizadoras do evento.

 

Entre as 9h30 e 11h30, o Instituto receberá três professores da USP para palestras sobre o assunto. Após uma apresentação de pôsteres, e uma exposição de fotografias dos alunos do programa USP 60+,  as palestras se iniciarão com “Como crescer alimentos durante a crise climática?”, do Prof. Carlos Takeshi Hotta, do Instituto de Química. Hotta apresentará algumas formas que cientistas estudiosos de plantas estão buscando para possibilitar a produção de alimentos durante uma crise climática, garantindo segurança alimentar à população. 

 

Na segunda apresentação, denominada “Integrando saúde humana, animal e ambiental em um contexto de desenvolvimento sustentável”, o Prof. Welington Luiz de Araujo, do Departamento de Microbiologia do ICB, abordará as características do rio Tietê, focando no seu papel no desenvolvimento social e econômico e seu impacto na comunidade microbiana presente na água e sedimentos do rio. Por último, a palestra “Saúde ribeirinha da Amazônia: solução?” discutirá o perfil de saúde relacionado a fatores ambientais decorrentes da inadequação do destino do lixo, mercúrio e esgoto e potabilidade de água. A apresentação será do Prof. Luís Marcelo Aranha Camargo, do ICB V, em Rondônia.

 

O evento se encerrará com uma roda de conversa, incluindo os três palestrantes e o público ouvinte, com mediação do Prof José Gregório Cabrera Gomes, também do Departamento de Microbiologia. A programação, com os horários de cada atividade, está disponível neste link.

 

“A atividade também espera receber alguns estudantes do ensino fundamental e médio, além de professores de escolas da Região Leste da capital paulista, parte de uma parceria nossa com a Diretoria Regional de Educação (D.R.E) da Região Leste de São Paulo”, explica o Prof. Wothan Tavares de Lima, vice-presidente da CCEx. A parceria tem o intuito de oferecer aos estudantes atividades extensionistas desenvolvidas pelos alunos de graduação do ICB.

 

Serviço

 

Dia Mundial do Meio Ambiente no ICB-USP

Data: 5 de junho, quarta-feira, das 9h30 às 11h30 

Local: Instituto de Ciências Biomédicas II, Sala Samuel Pessoa — Av. Prof. Lineu Prestes, no 1374, Butantã, SP

Transmissão: canal no YouTube do ICB

Aos interessados, a CCEx pode emitir certificado de participação.

 

Editado por Nucom/ICB-USP

17/05/24
Alunos do ICB-USP desenvolvem jogo de tabuleiro sobre bactéria causadora da sífilis

Material é inspirado no War, jogo de conquista de territórios, e visa estimular o aprendizado da microbiologia.


Como estimular o aprendizado da microbiologia de forma lúdica e ainda assim trazer conhecimentos aprofundados e úteis no dia a dia? Para os alunos de graduação do Curso de Ciências Biomédicas do Instituto de Ciências Biomédicas da  USP, foi por meio de um jogo de tabuleiro, desenvolvido por eles no ano passado como parte da disciplina de Bacteriologia.

 

Denominado “Trepowar”, o jogo — que traz em seu nome e mecânicas inspirações no jogo War, lançado pela Grow em 1972 — tem como “protagonista” a bactéria Treponema pallidum pallidum, causadora da sífilis. Ao redor de um tabuleiro que representa o corpo humano, os jogadores são divididos em duas equipes: um time joga como o sistema imunológico do hospedeiro, o outro como a bactéria

 

Ao longo da partida, as equipes recebem cartas de ação que devem ser usadas, junto aos dados, para atacar os “territórios” — as diferentes partes do corpo. As cartas contém conteúdo didático sobre a bactéria e a doença, que são relacionados a alguma ação dentro da mecânica do jogo. As equipes se alternam entre ataque e defesa, e vence quem conquistar primeiro todos os territórios.

 

As cartas especiais trazem conteúdo de bacteriologia relacionado às ações do jogo.

Cada “território” representa uma parte do corpo.

 

“Foi uma maneira de tornar o aprendizado mais leve e divertido, tanto para os jogadores quanto para nós, desenvolvedores”, conta Júlia Toneli, uma das alunas responsáveis. “Quando estávamos desenvolvendo o jogo, precisávamos estar com o conteúdo alinhado, então retomamos vários temas e discutimos e tiramos dúvidas entre nós.”

 

A estudante ainda acrescenta que, apesar de ter sido pensado para alunos de graduação de faculdades da área de biológicas, o material pode ser interessante para qualquer público. “Seria incrível ver ele sendo recomendado em estudos para provas de bacteriologia ou em ligas que abordam doenças sexualmente transmissíveis. Mesmo assim, acho que é um jogo válido para todos os estudantes que têm interesse na área.”

 

“Adote” uma bactéria — A iniciativa é parte do projeto Adote Uma Bactéria, criado e coordenado pela Profa. Rita  Café Ferreira, que tem por objetivo promover a divulgação científica de assuntos relacionados ao estudo das bactérias. Os alunos “adotam” uma espécie de bactéria, sobre a qual publicam materiais didáticos nas redes sociais. Ao fim do semestre, desenvolvem um projeto maior — pode ser um jogo de tabuleiro, uma história em quadrinhos, uma música ou qualquer outro formato que julguem interessante.

 

 

Jogo “Trepowar” — Mediadores: Bruna Rodrigues Corrêa, Carolina Diorio Nastaro, Gabriel Rezende Coelho e Matheus Gallardo Souza Inoue.

 

Coordenação: Profa. Rita de Cássia Café Ferreira e Msa. Bárbara Rodrigues Cintra Armellini.

 

Autores: Ana Luiza Nunes Goussain Filippo, Beatriz Rodrigues Seiler, Deborah Silva Rocha, Helena Cristina de Albuquerque Corrêa, Júlia Toneli Oliveira, Ketlin Scomparin da Silva, Maria Eduarda Portella Viana, Rafael Moura de Paula e Thamires Lopes Ferreira.

 

Por Felipe Parlato | NUCOM ICB-USP

17/04/24
Exercícios físicos podem ajudar no controle da hipertensão mesmo em idade avançada, aponta estudo da USP

Testes em ratos apontaram diversos benefícios dos exercícios aeróbicos no controle da pressão arterial.


Imagem: Freepik

Exercícios físicos podem ajudar no controle da pressão arterial, contribuindo para o tratamento de hipertensão e melhorando a saúde cognitiva, mesmo em indivíduos de idade avançada. É o que aponta um estudo de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) publicado no Journal Applied Physiology. Em modelos animais de idade avançada, os pesquisadores observaram melhora nos reflexos cardiovasculares responsáveis pelo controle da pressão sanguínea, reforçando a importância dos exercícios físicos aeróbicos na prevenção e tratamento da hipertensão.

 

“Além dos benefícios cardiovasculares, têm se demonstrado que o exercício físico também é um aliado poderoso na preservação da função cerebral durante o envelhecimento”, explica o Prof. Vagner Antunes, docente do Departamento de Fisiologia e Biofísica do ICB e coordenador da pesquisa. O pesquisador cita a neuroplasticidade — capacidade do cérebro de se adaptar e reorganizar — e como ela é influenciada positivamente pela prática regular de exercício. “Demonstramos que o exercício físico influencia positivamente a neuroplasticidade em núcleos do sistema nervoso central que são responsáveis pelo controle neural da circulação, e acreditamos que isso contribua diretamente para os benefícios cardiovasculares em animais com idade avançada”. 

 

Os núcleos observados fazem parte de uma circuitaria que compõe o sistema nervoso autônomo (SNA), que é

dividido entre simpático e vagal: o primeiro associado a momentos de alerta e gasto energético, e o segundo a momentos de relaxamento. O estudo utilizou como modelo experimental ratos albinos espontaneamente hipertensos — ou seja, que desenvolveram a hipertensão naturalmente — e na idade de 2 anos, o que equivale a aproximadamente 70 anos para humanos. Além da hipertensão, os animais apresentavam uma disfunção do SNA, caracterizada por uma atuação mais intensa do sistema simpático e menos do componente vagal para o sistema cardiovascular, em relação ao que se é esperado em indivíduos saudáveis.

 

Os animais praticaram exercício físico aeróbico regularmente, de maneira moderada, durante oito semanas. Após esse período, os pesquisadores observaram, além de uma redução nos níveis de pressão arterial, uma melhora da sensibilidade do barorreflexo. Trata-se de um reflexo cardiovascular de grande relevância no controle da pressão e do fluxo sanguíneo em curto prazo, pois, por meio do funcionamento equilibrado do sistema nervoso autônomo, aciona mecanismos primordiais para ajustar a frequência e força das contrações cardíacas e o grau de dilatação dos vasos sanguíneos. O desequilíbrio no SNA, característico da hipertensão e agravado pelo envelhecimento, também apresentou significativa melhora após o treinamento físico, consequentemente promovendo benefícios cardiovasculares.

 

Prof. Vagner Antunes e Dra. Paula Magalhães.

“Além disso, observamos que o exercício foi capaz de influenciar a neuroplasticidade em núcleos envolvidos no controle cardiovascular em duas regiões do sistema nervoso central, o hipotálamo e o tronco cerebral”, acrescenta a Dra. Paula Magalhães Gomes, pós-doutoranda e uma das pesquisadoras por trás do estudo. Foi evidenciado ainda que a atividade física alterou a expressão de neuromediadores — substâncias que modulam a ação dos neurônios que influenciam diretamente na atividade simpática e vagal para coração e vasos e, por extensão, no controle da pressão arterial. Os pesquisadores identificaram no hipotálamo dos animais treinados, por exemplo, uma maior marcação da ocitocina, neurotransmissor relacionado com a modulação da atividade neural e controle cardiovascular.

 

Envelhecimento saudável e ativo — O estudo corrobora com outros trabalhos que já indicavam que a prática de atividade física estimula o crescimento de novas conexões neurais e promove a liberação de substâncias químicas benéficas ao cérebro, reduzindo o declínio cognitivo associado ao envelhecimento. Segundo o Dr. Antunes, os benefícios conhecidos incluem melhoria da capacidade cardiorrespiratória, fortalecimento do sistema circulatório e redução do risco de doenças cardiovasculares.

 

De acordo com o pesquisador, “o papel do exercício físico é crucial em todas as fases da vida, mas torna-se ainda mais relevante à medida que envelhecemos. Por isso, a prática de atividades, como caminhada, corrida, natação e outros exercícios aeróbicos é essencial, sempre com acompanhamento profissional para maior segurança e aproveitamento”.

 

 

Por Felipe Parlato | Editado por Nucom-ICB

09/02/24
A Professora Regina Pekelmann Markus, docente do Instituto de Biociências da USP, com passagem pelo Departamento de Farmacologia do ICB-USP, será laureada na 5ª Edição do Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher”, da SBPC

No dia 06 de fevereiro, próxima terça-feira, a SBPC realiza um dia inteiro de atividades em homenagem ao Centenário de Carolina Bori, dentre as quais está incluída a premiação à Professora Regina Markus


O interesse pelas ciências direcionou a formação de Regina Pekelmann Markus. Após visitar o Professor Leal Prado, em 1966, ela decidiu que prestaria vestibular para o Curso de Ciências Biomédicas da Escola Paulista de Medicina, na qual graduou-se em 1970. 

 

Também na EPM, em 1974, obteve o grau de doutor. Lá mesmo iniciou a sua carreira como docente, transferindo-se para a USP, em 1987, quando passou a atuar em um novo campo de pesquisa: a cronofarmacologia. 

 

Sua linha de pesquisa caracterizou a existência de um Eixo Imune-Pineal, central nos processos de vigilância e que abole a percepção da alternância dia/noite durante a montagem de uma resposta inflamatória. 

 

A Professora Regina Pekelmann Markus, premiada pela SBPC.

Atuação no ICB-USP – A Professora Regina Markus trabalhou no Departamento de Farmacologia do ICB-USP, como professora associada, de 1987 a 1997. Nesse período, também foi membro da Congregação do Instituto, de 1991 a 1997; coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Farmacologia, de 1993 a 1996; e presidente da Comissão de Informática do ICB, de 1991 a 1992. 

 

Em 2015, a Sociedade Brasileira de Farmacologia e Terapêutica Experimental – SBFTE, a indicou oficialmente ao Prêmio L’Oréal-UNESCO para Mulheres na Ciência de 2016, quando descreveram dessa forma o trabalho da cientista: “Dra. Markus é uma das maiores especialistas em pesquisa da glândula pineal e melatonina em todo o mundo. Seu trabalho científico estabeleceu as bases moleculares e celulares para uma comunicação entre o sistema circadiano e a resposta imune inata. Essa pesquisa também foi direcionada para o nível orgânico, levando à teoria do Eixo Imune-Pineal. Considerando sua brilhante carreira e todas as contribuições que ela deu à pesquisa brasileira em Farmacologia, não hesitamos em recomendar fortemente sua nomeação para o Prêmio L’Oréal-UNESCO para Mulheres na Ciência de 2016.”

 

 

Contribuições – Desde 1997, é professora titular do Instituto de Biociências da USP. Dentre as várias instituições nas quais atuou e ainda atua, além da USP, destacam-se o CNPq; a SBPC; a SBFTE; o Weizmann Institute Of Science, WIS, de Israel; e a University of Toronto, UTORONTO, do Canadá. 

Ocupou diversos cargos administrativos, inclusive o de titular da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, em 2003.

 

Como foram feitas as indicações – A SBPC anunciou as vencedoras do Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher”, que nesta edição homenageia mulheres cientistas, sendo a biomédica Regina Pekelmann Markus, pela área de Biológicas e Saúde; juntamente com a antropóloga Maria Manuela Ligeti Carneiro da Cunha, pela área de Humanidades; e a química Yvonne Mascarenhas, na área de Engenharias, Exatas e Ciências da Terra.

 

Ilustração alusiva ao Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher”

A cerimônia de premiação – De acordo com as informações constantes do site da SBPC, segue o histórico do prêmio:  “Criado em 2019, o Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher” é uma homenagem da SBPC às cientistas brasileiras destacadas e às futuras cientistas brasileiras de notório talento, que leva o nome de sua primeira presidente mulher, Carolina Martuscelli Bori. 

 

A SBPC – que já teve três mulheres presidentes e que hoje conta com uma maioria feminina na diretoria – criou essa premiação por acreditar que homenagear as cientistas brasileiras e incentivar as meninas a se interessarem por este universo é uma ação marcante de sua trajetória histórica, na qual tantas mulheres foram protagonistas do trabalho e de anos de lutas e sucesso na maior sociedade científica do País e da América do Sul.

 

A cerimônia de premiação ocorre anualmente, alternando duas categorias – “Mulheres Cientistas” e “Meninas na Ciência” -, durante o Simpósio Mulheres e Meninas na Ciência.

 

Neste ano, a cerimônia de entrega do prêmio será realizada no dia 06 de fevereiro, às 10h, no Salão Nobre do Centro Universitário Maria Antonia da USP (Rua Maria Antônia, 294 – 3º andar), em São Paulo. 

 

Nesta edição, o evento será ainda mais especial, pois, além de celebrar o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, a premiação irá comemorar o centenário de nascimento de Carolina Bori. A SBPC preparou um dia inteiro de atividades para homenagear a pioneira da psicologia comportamental no Brasil e primeira mulher a presidir esta entidade e festejar as grandes contribuições das mulheres cientistas brasileiras, representadas pelas três vencedoras desta 5ª edição do Prêmio.

 

A cerimônia de premiação terá transmissão pelo canal da SBPC no YouTube.


Fontes: Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência-SBPC; Instituto de Estudos Avançados-IEA-USP; Academia Brasileira de Ciências-ABC; Departamento de Farmacologia do ICB-USP; e Instituto de Biociências-IB-USP. 

 

Editado pelo NUCOM-ICB 

01/02/24