Entre em Contato
Nanoestruturas lipídicas desenvolvidas no ICB-USP podem ampliar a eficácia de medicamentos e reduzir efeitos colaterais

As novas partículas de entrega permitem que o fármaco aja por mais tempo no organismo. Testes foram realizados in vitro e em modelos animais infectados pelo Plasmodium falciparum e Plasmodium berghei, causadores da malária.


06/01/2020

 

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) desenvolveram um método de entrega que pode aumentar o potencial terapêutico de fármacos e vacinas: nanoestruturas lipídicas que se atraem por pontes de hidrogênio. A técnica foi criada pelo pós-doutorando Wesley Luzetti Fotoran, que atua no laboratório do professor Gerhard Wunderlich, do Departamento de Parasitologia. Fotoran modificou partículas desenvolvidas pelo grupo de pesquisa do professor Darrell Irvine, do MIT (Massachusetts Institute of Technology, EUA).

 

Originalmente, as partículas americanas possuem múltiplas camadas e ligações covalentes. Ao trocar as ligações por pontes de hidrogênio, Fotoran criou partículas cinco vezes menores, com menos camadas, e que se atraem mutuamente. “Isso faz com que o fármaco ou o antígeno se estabilize no interior das partículas. Além de permitir que o medicamento aja por mais tempo no organismo, as nanoestruturas também ajudam a diminuir os seus efeitos colaterais, uma vez que diminuem a dose necessária para tratamento em 50%”, explica.

 

Esses resultados foram obtidos através de testes em camundongos infectados com malária murina. Para tratá-los, o grupo utilizou as novas partículas para “entregar” um medicamento clássico contra a doença, a cloroquina, através de injeção. Com isso, o seu efeito foi ampliado por cinco dias. A cloroquina já não é mais usada para tratar a malária, devido à resistência, mas é um tratamento adjuvante para alguns tumores, como o melanoma. “O método é vantajoso porque pode ter o mesmo mecanismo de ação para outras doenças, não apenas para malária”, destaca. Em outros testes, o grupo utilizou a artemisinina, atualmente utilizada contra malária, e observou resultados similares.

 

Métodos de entrega – Após o longo processo de identificar substâncias potencialmente terapêuticas e desenvolver um fármaco ou vacina, é necessário encontrar o método de entrega ideal para aquele agente terapêutico (via oral, respiratória, intradérmica etc). Nesta etapa, segundo o pesquisador, os cientistas podem enfrentar uma série de obstáculos, tais como: baixa estabilidade em organismos vivos, necessidade de altas doses para que seja efetivo e efeitos colaterais que impedem a sua administração em seres humanos.

 

De acordo com Fotoran, as partículas originais do MIT também têm efeito e são funcionais porque vão se desfazendo em partículas menores. “No meu caso, eu entrego direto um conjunto de estruturas menores, que chegam rapidamente ao alvo e permanecem nele por mais tempo. A grande vantagem dessas nanoestruturas é a pluralidade de aplicações – é possível utilizá-la para qualquer tipo de agente terapêutico”, ressalta o pesquisador. O próximo passo é testar as partículas em outros modelos e verificar se a técnica apresenta limitações. Segundo o grupo, ainda não é possível prever quando o método chegará ao mercado, pois é necessário realizar mais testes in vivo.

 

Por: Aline Tavares
Acadêmica Agência de Comunicação

06/01/20
ICB assina convênio com o Instituto de Biofísica da UFRJ

A parceria busca o estímulo de atividades de ensino, pesquisa e extensão entre as duas maiores universidades do Brasil


20/12/2019

 

Nesta sexta-feira (20/12), foi firmado um Acordo de Cooperação Acadêmica entre o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e o Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IBCCF-UFRJ). O acordo busca aproximar ainda mais as instituições, fomentando o intercâmbio do ensino e da pesquisa entre as universidades. 

O documento estabelece o intercâmbio de docentes, pesquisadores, membros da equipe técnica-administrativa e estudantes, elaboração conjunta de projetos de pesquisa e de eventos científicos e culturais, além de disciplinas e cursos compartilhados. 

O diretor do ICB, professor Luís Carlos de Souza Ferreira, é ex-aluno e ex-professor do Instituto de Biofísica Carlos Chagas, e apontou que a assinatura do documento de convênio é só o primeiro passo da nova parceria, que já inicia seus trabalhos ano que vem. “O que eu vejo como maior expectativa e com otimismo é a implantação de uma série de programas de parceria na parte de pesquisa, ensino, cultura e inovação”.

Esse é o primeiro acordo firmado na área biomédica entre as duas universidades. Em sua fala, o diretor do IBCCF, professor Bruno Lourenço Diaz, ressaltou a importância de se firmar convênios entre universidades brasileiras para alavancar o ensino e a pesquisa dentro do país. “Nós temos um estímulo muito grande de internacionalização, mas não podemos ficar limitados a isso. Precisamos ter essa comunicação dentro do Brasil também”. 

O evento, realizado na Reitoria da Universidade de São Paulo, também contou a presença do Reitor da USP, Vahan Agopyan, e da Reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Denise Pires de Carvalho.

20/12/19
Docentes com livros publicados recebem homenagem

Durante a comemoração de 50 anos do ICB-USP, a Comissão de Graduação reconheceu a contribuição de docentes ativos, aposentados e falecidos no ensino da graduação.


20/12/2019

 

Na última quinta-feira (19/12), como parte da comemoração de 50 anos do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), a Comissão de Graduação (CG) homenageou docentes e pesquisadores do instituto que contribuíram para o ensino com a publicação de livros didáticos. A premiação ocorreu na Biblioteca, no ICB I, e reconheceu autores e editores de livros de Farmacologia, Microbiologia, Genética, Parasitologia, entre outros temas.

 

Foram homenageados docente ativos, aposentados e falecidos. O vice-diretor, professor Gustavo Amarante-Mendes, parabenizou a CG pela iniciativa, que “demonstra o legado inestimável que todos os professores deixaram no ICB, contribuindo para o Instituto e para a Universidade como um todo”.

 

Confira todas as fotos da homenagem em nossa página do Facebook e veja abaixo a lista dos homenageados:

 

Ativos

  1. Alice Cristina Rodrigues
  2. Anselmo Sigari Moriscot
  3. Antonio Carlos Oliveira
  4. Antonio Condino Neto
  5. Ariel Mariano Silber
  6. Arthur Gruber
  7. Clarice Gorenstein
  8. Edson Aparecido Liberti
  9. Emer S. Ferro
  10. Fábio Siviero
  11. Gerhard Wunderlich
  12. Jackson Bittencourt
  13. José Cipolla Neto
  14. Luís Marcelo Aranha
  15. Luís Ronaldo Picosse
  16. Magda Maria Salles Carneiro
  17. Marcelo Urbano Ferreira
  18. Marcia Pinto Alves Mayer
  19. Marcus Vinícius Baldo
  20. Maria Inês Nogueira
  21. Marilis do Valle Marques
  22. Marinilce Fagundes dos Santos
  23. Ricardo Martins de Oliveira Filho
  24. Silvia Reni Bortolin Uliana
  25. Sônia Jancar
  26. Vera Lúcia Garcia Calich
  27. Victor Arana Chaves
  28. Roberto De Lucia

 

Aposentados

  1. Alcira Tania Bijovsky de Katzin
  2. Annette Silva Foronda
  3. Antonio Carlos Martins de Camargo
  4. Antonio Carlos Zanini
  5. Dolores Ursula Mehnert
  6. Douglas Antonio Zago
  7. Esem Cerqueira
  8. Flavio Alterthum
  9. Flávio Fava de Moraes
  10. Francisco Lacaz de Moraes Vieira
  11. Gerhard Malnic
  12. Glaucia Maria Machado Santelli
  13. Heloiza Ramos Barbosa
  14. Henrique Krieger
  15. Ii-Sei Watanabe
  16. Jeffrey Jon Shaw
  17. Joaquim Procópio de Araújo Filho
  18. José Luiz de Lorenzo
  19. Luiz Biella de Souza Valle
  20. Luiz Ludovico George
  21. Luiz Silveira Menna Barreto
  22. Maria Ligia Coutinho Carvalhal
  23. Moacyr Luiz Aizenstein
  24. Paulo Abrahamsohn
  25. Romeu Rodrigues de Souza
  26. Rui Curi
  27. Szulim Ber Zyngier
  28. Telma Maria Zorn
  29. Teresinha Tizu Sato Schumaker
  30. Wilmar Dias da Silva

 

Falecidos

  1. Alvaro Glerean
  2. Aulus Conrado Basile
  3. Bruno Konig Junior
  4. Cláudio Santos Ferreira
  5. Irma Nelly Gutierrez Rivera
  6. José Alberto Neves Candeias
  7. José Carneiro da Silva Filho
  8. Luiz Carlos Uchôa Junqueira
  9. Luiz Rachid Trabulsi
  10. Margarida de Mello Aires
  11. Milton Picosse
  12. Rebeca Carlota de Angelis
  13. Renato Paulo Chopard
  14. Luiz Hildebrando Pereira da Silva
20/12/19
Conheça os vencedores do prêmio “Ciência em 3 Minutos”

Iniciativa da Comissão de Pós-Graduação e da Comissão de Cultura e Extensão, o concurso contou com o patrocínio da Sociedade Brasileira de Biologia Celular e da Sociedade Brasileira de Imunologia


18/12/2019

 

Nesta quarta-feira (18), aconteceu a premiação do concurso “Ciência em 3 minutos”, uma iniciativa da Comissão de Pós-Graduação e da Comissão de Cultura e Extensão do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP). A competição premiou alunos de pós-graduação do ICB que inscreveram seus vídeos de até três minutos nas seguintes categorias: Pesquisa, Ensino e Metodologia de Pesquisa. Os ganhadores foram premiados com certificados e tablets fornecidos pela Sociedade Brasileira de Biologia Celular e pela Sociedade Brasileira de Imunologia. 

 

Na primeira categoria, Pesquisa, o vencedor foi o vídeo “Cancer Stem Cells: Life and Chaos” da aluna Maria Isabel Melo Escobar. Excepcionalmente, foi escolhido um segundo colocado para essa categoria, “Quais tipos de proteínas NOX estão presentes nas células beta?”, do aluno Davidson Correa de Almeida. Já na categoria Ensino, a aluna Bárbara Rodrigues Cintra Armellini recebeu uma menção honrosa com seu vídeo “Adote uma Bactéria: uma abordagem com uso de metodologias ativas no Ensino Superior”. Por fim, o vídeo “O mistério do CRISPR”, das alunas Camila Felix e Maria Isabel Melo Escobar, foi premiado na categoria Metodologia de Pesquisa.  

 

A banca escolhida para julgar os trabalhos foi composta por jornalistas que trabalham diretamente com divulgação científica: Daniela Klebis, coordenadora de comunicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Claudia Jurberg, jornalista na Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Juliane Duarte Camara, diretora de comunicação da Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência (RedeComCiência) e Aline Tavares, assessora de comunicação da Acadêmica Agência de Comunicação, que atua no ICB-USP.

 

A professora Maria Luiza Morais Barreto de Chaves, presidente da Comissão de Pós-Graduação, destacou a intenção de dar continuidade ao concurso nos próximos anos e a importância do exercício da divulgação científica para os pós-graduandos e pesquisadores. A jornalista Claudia Jurberg apontou que o evento foi um passo importante para aliar ciência e comunicação no instituto. Para ela, é imprescindível que essas duas vertentes trabalhem juntas na sociedade de hoje.  

 

Os vídeos vencedores serão veiculados nas redes sociais da RedeComCiência e da SBPC, assim como nas mídias do ICB (confira aqui).

 

Por Rhaisa Trombini | ICB-USP

18/12/19
De terapias para câncer à proteção contra infarto: veja 20 tecnologias inovadoras do ICB-USP que estão em busca de parcerias

O Showcase de Biotechs do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, realizado com o apoio da Emerge, apresentou vinte pesquisas com potencial de mercado.


17/12/2019

 

Na última quinta-feira (12/12), vinte pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) se reuniram no auditório do Inovabra, em São Paulo, para apresentar suas tecnologias a membros da indústria e da academia. O Showcase de Biotechs do ICB-USP foi feito em parceria com a Emerge, que visitou diversos laboratórios do instituto e avaliou a maturidade tecnológica das pesquisas, selecionando aquelas com maior potencial de mercado. Para isso, utilizaram a metodologia TRL (Technology Readiness Level), desenvolvida pela NASA.

 

Dentre as tecnologias de maior nível de prontidão, foi introduzida uma terapia tópica para a psoríase, doença de pele inflamatória crônica que afeta até 4% da população mundial. Seu tratamento convencional, com corticoides, apresenta severos efeitos colaterais, como maior suscetibilidade a infecções e supressão da função das glândulas suprarrenais. O grupo das pesquisadoras Soraia Costa e Luciana Lopes desenvolveu nanofármacos contendo moléculas doadoras de sulfeto de hidrogênio (H2S), que inibem a produção de citocinas pró-inflamatórias. A estratégia já foi patenteada pela equipe.

 

Das 20 pesquisas apresentadas, seis representam novos caminhos para o diagnóstico e/ou tratamento do câncer. Integrante do grupo de pesquisa da professora Vanessa Morais Freitas, o doutorando Ramon Handerson apresentou o Breast Health Check, um método de diagnóstico rápido e preciso para câncer de mama, que pode substituir a mamografia – e inclusive superar a sua especificidade. Trata-se de um biossensor que pode rastrear o tumor em seus estágios iniciais e caracterizar o subtipo da doença por meio de uma análise de amostra biológica (como um exame de sangue, por exemplo). Os anticorpos acoplados ao biossensor permitem a identificação de biomarcadores específicos de cada subtipo.

 

Já no laboratório do professor e diretor Luís Carlos de Souza Ferreira, foi desenvolvida a Tera-E7, uma terapia contra câncer de colo de útero e lesões induzidas pelo vírus HPV. A doutoranda Mariângela de Oliveira Silva apresentou a tecnologia e explicou que a atual vacina contra HPV não combate o câncer ou as lesões pré-estabelecidas, e que os tratamentos convencionais têm pouca chance de cura, além de provocarem efeitos adversos graves. Baseada em imunoterapia, a tecnologia reprograma o sistema imunológico da paciente para que as células tumorais sejam reconhecidas e eliminadas. Além disso, promove a memória imunológica, que impede recidivas da doença.

 

Outra tecnologia com grande potencial de mercado é o PEPtarget, peptídeo cardioprotetor do infarto do miocárdio, desenvolvido pelo professor Julio Cesar Batista Ferreira e pelo pós-doutorando Luiz Roberto Grassmann Bechara. Em testes in vitro e in vivo, a administração do peptídeo no momento da reperfusão do miocárdio diminuiu a área de infarto, atenuando a lesão cardíaca e podendo aumentar as chances de sobrevivência após o infarto.

 

As descrições das demais pesquisas, bem como o processo de avaliação da maturidade tecnológica, podem ser conferidos neste site.

 

Por: Aline Tavares
Acadêmica Agência de Comunicação

17/12/19
Conheça 20 tecnologias inovadoras do Instituto de Ciências Biomédicas da USP

Showcase de Biotechs do ICB-USP apresentará para empresas uma série de tecnologias promissoras desenvolvidas pelo instituto.


10/12/2019

 

Uma parceria entre o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e a Emerge, organização que apoia cientistas empreendedores no Brasil, resultou em um mapeamento das 20 tecnologias mais promissoras desenvolvidas por pesquisadores do instituto. Os trabalhos selecionados serão apresentados durante o Showcase de Biotechs dos Laboratórios do ICB-USP, no dia 12 de dezembro, às 17 horas, no Inovabra (Av. Angélica, 2529, Bela Vista – São Paulo). As inscrições são obrigatórias e gratuitas e podem ser realizadas neste site.

 

Voltado para empresas, o evento busca promover a cooperação entre academia e indústria, importante para o desenvolvimento científico, econômico e social. Diante disso, a Emerge selecionou as pesquisas com base na maturidade tecnológica e no potencial de mercado. Grande parte dos estudos envolve novas perspectivas de diagnóstico e tratamento de doenças.

 

Entre as tecnologias que serão apresentadas, estão um sensor para rastreio e diagnóstico de câncer de mama; um novo teste de diagnóstico da dengue; uma nova terapia alvo direcionada para melanoma, mama e sarcoma; um potencial biofármaco para tratamento de doenças autoimunes e uma estratégia para “ensinar” o sistema imune a reconhecer e combater células tumorais.

 

Sobre a Emerge – Criada em 2017, a Emerge é uma organização cujo objetivo é fomentar a inovação de base científica no Brasil, impulsionando projetos da bancada até o mercado. Para isso, proporciona o acesso de grandes corporações à tecnologia desenvolvida em universidades e centros de pesquisa, oferecendo um mapeamento estratégico das pesquisas mais promissoras e apresentando-as em eventos para empresas.

 

Sobre o ICB-USP – Considerado uma das melhores instituições de nível superior do Brasil em sua área, o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) é referência internacional em pesquisa básica e translacional. Nos seus mais de 150 laboratórios são desenvolvidos projetos de pesquisa de alta qualidade e impacto social em saúde humana e animal. Seus docentes têm alta produtividade científica com cerca de 600 publicações anuais em periódicos com alto fator de impacto. O ICB representa a 6ª unidade da USP em número de pedidos de patente depositados no INPI e está entre as três primeiras unidades de pesquisa no Estado de São Paulo com mais recursos captados junto à FAPESP.

 

Serviço

Showcase de Biotechs dos Laboratórios do ICB-USP

Data: 12 de dezembro de 2019

Horário: 17h às 21h

Local: Inovabra – Auditório, 10º andar – Av. Angélica, 2529, Bela Vista – São Paulo, SP

 

Inscreva-se aqui

 

10/12/19
CPG promove discussão sobre o futuro dos programas de pós-graduação nas áreas biológicas

O evento contou com a presença dos coordenadores da área de biológicas da CAPES para debater sobre os programas de pós-graduação na USP


04/12/2019

 

A Comissão de Pós-Graduação (CPG) do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) promoveu na última segunda-feira (02) o Seminário “Discutindo a Pós-graduação dentro das Áreas Biológicas da CAPES” como parte das comemorações dos 50 anos do ICB. O evento contou com a presença dos Coordenadores das três áreas Biológicas da CAPES: Prof. Carlos Frederico Menck — Coordenador das Ciências Biológicas 1, Profa. Adelina Marta dos Reis — Coordenadora das Biológicas 2 e Prof. José Roberto Mineo — Coordenador das Biológicas 3.

Representantes dos seis Programas de Pós-Graduação do ICB compartilharam experiências e discutiram com os demais coordenadores os desafios para a manutenção da qualidade dos Programas e as estratégias para contribuir mais e melhor com as expectativas da sociedade, buscando a formação de alunos cada vez mais preparados para enfrentar tanto o mercado de trabalho quanto a academia.

Na parte da tarde, a discussão foi aberta aos demais Programas da USP que se enquadram dentro das 3 áreas Biológicas: Bioquímica (IQ), Fisiologia (FMRP), Biologia Celular (FMRP), Fisiologia (IB), Bioinformática (Interunidades), Biotecnologia (Interunidades), além do Programa de Aconselhamento Genético (Mestrado Profissional, IB), entre outros.

Para os professores Maria Luiza Barreto-Chaves e Carlos Taborda, atuais presidente e  vice-presidente da CPG do ICB-USP, o evento foi organizado com o intuito de integrar cada  vez mais os Programas de Pós-Graduação, objetivo principal da atual coordenadoria, tanto dentro do instituto, quanto com os demais programas das áreas dentro da universidade. Segundo eles, foi a primeira vez que as três áreas da CAPES se reuniram para discutir os programas.

 

04/12/19
Vencedores do prêmio “Ciência para Todos” visitam os laboratórios do ICB-USP

O concurso propunha que os alunos encontrassem soluções para problemas do bairro de forma criativa e inovadora.


04/12/2019

 

O Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) recebeu, na última sexta-feira (29), cinco estudantes da Escola Estadual Dr. Coriolano Burgos, localizada em Amparo, no interior de São Paulo, para uma visita monitorada às instalações e laboratórios da instituição. Os alunos foram os vencedores do Concurso “Ciência para Todos”, uma iniciativa da Fapesp, do canal Futura e da Fundação Roberto Marinho. O objetivo era premiar os projetos em vídeo dos alunos da Rede Pública do Estado de São Paulo que identificassem um problema da escola ou do bairro e as possíveis alternativas para solucioná-lo.

 

Os alunos premiados nesta edição elaboraram uma horta orgânica suspensa usando garrafas PET e terra retirada de outros locais, pois além da preocupação com a quantidade de agrotóxicos presentes nas merendas, a escola foi construída em um terreno que antes era um cemitério. Isso impossibilitava o cultivo por conta da contaminação do solo pelo necrochorume, substância liberada durante a decomposição dos corpos que contém inúmeros patógenos e, em alguns casos, formaldeído e metanol, metais pesados e resíduos hospitalares.

 

Com coordenação da Comissão de Cultura e Extensão do ICB, os alunos conheceram o Laboratório de Bioprodutos, do professor Gabriel Padilla Maldonado, que estuda a biossíntese de compostos anticancerígenos de origem microbiana. Em seguida, visitaram o Laboratório de Genética e Fisiologia Bacteriana de Rita de Cássia Café Ferreira, onde conversaram com alguns pesquisadores e conheceram o projeto Adote uma Bactéria, que propõe aulas interativas utilizando ferramentas digitais e oferece cursos de difusão para alunos do ensino médio.

 

Os ganhadores do concurso também fizeram um tour pelo Laboratório de Nível de Biossegurança 3 (NB-3) do Departamento de Parasitologia, coordenado pelo professor Carsten Wrenger. Os alunos passaram por todas as salas, conhecendo os sistemas de segurança e a avançada tecnologia que compõem o laboratório. Para completar o passeio, eles ainda visitaram o laboratório do pesquisador Mauro Javier Cortez Veliz, que estuda a imunobiologia celular de Leishmania.

 

O concurso surgiu com o objetivo de incentivar uma postura investigativa dos alunos diante de problemas e desafios que eles enfrentam no dia a dia. Foi idealizado após o lançamento do programa de TV “Ciência para Todos”, uma iniciativa da Fapesp ao lado da TV Futura. No total, são 52 episódios que retratam os impactos sociais e econômicos das pesquisas científicas financiadas pela fundação.

 

Rhaisa Trombini | ICB-USP

04/12/19
Novos horizontes para o tratamento de doenças neurológicas

 Várias pesquisas sobre o tema foram apresentadas durante o Workshop Molecular, Cellular and Behavioral Aspects of Neurological Disorders, iniciativa do ICB-USP.


03/12/2019

 

O Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) promoveu em São Paulo, nos dias 25 e 26 de novembro, o Workshop Molecular, Cellular and Behavioral Aspects of Neurological Disorders. Organizado pela professora Marilene Hohmuth Lopes, professora do Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento do ICB-USP, em parceria com Flávio Henrique Beraldo de Paiva, professor da Universidade Western Ontario (UWO), no Canadá, o evento faz parte do acordo de mobilidade internacional firmado entre as duas instituições, por meio do programa SPRINT (São Paulo Researchers in International Collaboration) da Fapesp.

“O workshop foi uma oportunidade para pesquisadores, tanto da UWO quanto do ICB, apresentarem suas linhas de pesquisa sobre doenças neurológicas. A ideia é que a colaboração se estreite para fomentar novos projetos conjuntos de pesquisa”, explicou a professora Marilene Lopes, que realiza parte de suas pesquisas sobre células-tronco no Canadá.

No total, participaram 13 palestrantes, sendo três do Canadá. Foram discutidas diferentes abordagens para desvendar os mecanismos de ação específicos que controlam doenças neurológicas — Alzheimer, Parkinson, Transtorno do Espectro Autista, Esclerose Lateral Amiotrófica —, como metabolismo, modelos IPSCs (células-tronco pluripotentes induzidas), proteostase, idade, modelo animal, comportamento e optogenética.

Uma das palestrantes, a professora Elisa Mitiko Kawamoto, do Departamento de Farmacologia do ICB-USP, apresentou um estudo apontando a relação de dietas que envolvem jejum, conhecidas como intermittent fasting (IF), e doenças neurodegenerativas – as quais apresentam fatores de riscos como idade, genética e estilo de vida, entre outros. Na pesquisa, Kawamoto aponta que uma dieta composta de períodos de jejum pode ajudar a reduzir o risco de desenvolver essas doenças.

O corpo responde ao jejum desencadeando uma série de respostas adaptativas conhecida como hormese, que pode reduzir o estresse oxidativo, a inflamação e o dano no DNA. Um dos efeitos do jejum é a liberação de corpos cetônicos durante a queima de gordura, componente usado na produção de energia no corpo.

Durante os testes, a pesquisadora submeteu dois grupos de ratos a duas dietas: uma com intervalos de jejum e outra sem. Depois de 30 dias, injetou LPS (lipopolissacarídeo), uma molécula presente na membrana celular de bactérias que causa inflamação e, consequentemente, prejuízos na memória. Em seguida, ao avaliar os resultados, ela verificou que os animais que foram submetidos ao jejum intermitente foram pouco afetados pela inflamação em termos de memória.

Em outro teste, Kawamoto buscou mimetizar o efeito do jejum intermitente usando fitoquímicos, substâncias que imitam os efeitos da restrição calórica no corpo. Para isso, um grupo de animais foi submetido à dieta com cúrcuma (açafrão da terra), que contém curcumina, antes de receber a molécula LPS. A curcumina apresentou bons resultados ao atenuar os prejuízos de memória causados pela molécula.

A professora Patrícia Beltrão-Braga, do Departamento de Microbiologia do ICB-USP, abordou suas pesquisas a respeito do Transtorno do Espectro Autista e da Síndrome Congênita causada pelo Zika Vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.

Em casos de autismo, os estudos apontaram que o astrócito, célula que faz a ligação do neurônio com o sangue, libera muita interleucina 2 (IL-2), uma citocina secretada pelo sistema imunológico que pode ser tóxica se liberada em grande quantidade. Ao aplicar IL-2 de um paciente neurotípico nos neurônios de um paciente com o espectro, o grupo notou que as sinapses e ligações do neurônio melhoraram.

Essas pesquisas tiveram o apoio do Projeto Fada do Dente, uma iniciativa que usa dentes de leite doados, tanto de crianças com autismo quanto sem, que passam pelo processo de IPSCs (células-tronco pluripotentes induzidas). A técnica transforma células-tronco da polpa do dente em células pluripotentes que podem ser transformadas em qualquer outra.

A parceria entre o ICB-USP e a UWO seguirá no evento XX Congress of the Brazilian Society of Cell Biology, em julho de 2020, que também contará com a participação de docentes da universidade canadense.

 

Rhaisa Trombini | ICB-USP

03/12/19
Comunicação com a sociedade é chave para desenvolvimento da ciência

Em evento no ICB-USP, o senador Cristovam Buarque e o professor Isaac Roitman debateram sobre o papel da universidade e da ciência e a necessidade de estabelecer um diálogo com a sociedade.


03/12/2019

 

O Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) recebeu, na última quinta-feira (28/11), o senador e professor Cristovam Buarque e o professor Isaac Roitman para um debate sobre o cenário da educação e da ciência no Brasil. Mais do que abordar os aspectos da crise que o país enfrenta, os convidados apresentaram soluções e demonstraram que o diálogo com a sociedade é a peça fundamental para a valorização e desenvolvimento desses pilares.

Isaac Roitman foi diretor de avaliação da Capes e assessor da presidência do CNPq, e atualmente coordena o Núcleo de Estudos do Futuro da Universidade de Brasília (UnB). Para o professor, a falta de infraestrutura e a desvalorização dos professores são as principais causas da crise na educação. “Nós temos 20 mil escolas públicas que não têm nem água”, afirma. Segundo a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem de 2018, entre 48 países avaliados, o Brasil está em último lugar em relação aos salários dos professores.

Para mudar esse cenário, o senador Cristovam Buarque, vice-presidente do Conselho da Universidade das Nações Unidas, afirma que o principal caminho é que as pessoas vejam a educação como “um vetor para o progresso” – como mais do que um direito, uma necessidade.

Além da educação básica, eles apontaram mudanças necessárias no ensino superior e nas ações da comunidade acadêmica. “O trabalho publicado não pode ser o único indicador de qualidade do professor. A pesquisa é o campo mais valorizado, em seguida o ensino e por último a extensão. Precisamos acabar com essa assimetria; os três têm o mesmo grau de importância”, destaca Roitman. Os palestrantes também defenderam o fortalecimento do intercâmbio nacional e internacional, dos institutos nacionais de ciência e tecnologia e o incentivo à formação científica desde a escola.

Informação é progresso – Como afirmou o diretor do ICB-USP, professor Luís Carlos de Souza Ferreira, os compromissos dos acadêmicos e cientistas são com a sociedade, portanto ultrapassam os muros da universidade. No entanto, o que acontece dentro dela ainda é desconhecido por muitos. Segundo pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT), realizada com 2,2 mil jovens brasileiros, 93% não souberam citar o nome de um cientista brasileiro e 87% não conseguiram lembrar de alguma instituição brasileira que se dedica à pesquisa científica.

Roitman enfatiza que para conquistar o apoio da sociedade, é necessário mudar a percepção da ciência no Brasil – e a divulgação científica de qualidade é essencial nesse processo. “É preciso que a população tenha conhecimento do que se faz dentro de uma universidade, para entender a importância da pesquisa em promover uma melhor qualidade de vida a todos”.

 

Aline Tavares | Acadêmica Agência de Comunicação

 

03/12/19
Molécula de bactéria do solo pode auxiliar no tratamento de câncer colorretal

Embora tenha um efeito antitumoral já conhecido, a seletividade da pradimicina-IRD pelas células desse tipo de câncer torna a molécula um possível agente terapêutico.


27/11/2019

 

Na busca por alternativas mais baratas e eficazes para o tratamento de câncer, o Laboratório de Farmacologia de Produtos Naturais Marinhos do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) foca suas pesquisas em produtos naturais, moléculas encontradas na natureza que podem ter efeito terapêutico contra células tumorais. Uma das descobertas mais recentes foi de Larissa Costa de Almeida, doutoranda sob orientação da professora Letícia Veras Costa Lotufo, que apontou, pela primeira vez, a ação da molécula pradimicina-IRD contra células de carcinoma colorretal.

 

A molécula foi extraída de uma bactéria do gênero Amycolatopsis sp., encontrada no solo, e os estudos iniciais realizados in vitro utilizaram células de três linhagens de câncer diferentes: mama, melanoma e colorretal, sendo escolhida a linhagem de câncer colorretal para os estudos seguintes, por apresentar-se mais sensível a pradimicina-IRD. Na análise, Almeida indica que a molécula tem maior seletividade para células com alta taxa de proliferação, como as do tumor, e é 10 vezes mais seletiva às células do carcinoma colorretal do que às células não tumorais. Os marcadores usados durante a pesquisa apontaram que a molécula ataca o DNA da célula do câncer colorretal, que já possui alta instabilidade genética, causando interrupção do ciclo celular e apoptose (morte celular programada).

 

O próximo passo da pesquisa é descobrir quais genes de reparo de DNA são ativados pela molécula em estudo. Com isso, a pesquisadora pretende sugerir um novo alvo farmacológico para efeitos sinérgicos (efeitos aditivos) entre a pradimicina-IRD e um outro possível fármaco. “Uma vez que se entende qual é a via de reparo de DNA ativada pela pradimicina-IRD, inibir essa via potencializa o efeito, evitando problemas como resistência”, explica Almeida. O mecanismo antitumoral da pradimicina-IRD já é conhecido em outros agentes que estão disponíveis no mercado; sua vantagem na atual pesquisa é a alta seletividade para as células do câncer colorretal.

 

Apesar dos resultados promissores, realizar testes translacionais in vivo ainda não é uma realidade. O principal empecilho da pesquisadora é a quantidade de pradimicina-IRD produzida pela bactéria. Em testes in vitro, a quantidade é calculada em micrograma, já os testes in vivo precisam de miligramas, o que demanda mais tempo e suporte para produção da molécula.

 

Rhaisa Trombini | ICB-USP

 

27/11/19
Estudo procura entender o desenvolvimento de danos nas artérias de indivíduos normotensos

A pesquisadora Silvia Lacchini, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, direcionou sua pesquisa para entender a participação do peptídeo angiotensina II na formação de dano vascular nos casos em que não há aumento da pressão arterial.


19/11/2019

 

A hipertensão é uma doença silenciosa que afeta 35% da população brasileira. O Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) computou aproximadamente 388 mortes por dia decorrentes de hipertensão em 2017; contudo, mesmo com os alertas e recomendações, 50% dos portadores da doença não sabem que a tem. A condição tem alguns fatores de risco, como hereditariedade, estilo de vida e idade, e envolve a alteração no funcionamento de mecanismos fisiológicos de controle. Estes mecanismos sofrem alterações mesmo em indivíduos com pressão arterial dentro de níveis considerados normais, os chamados normotensos.

Segundo Silvia Lacchini, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), ainda não está claro até que ponto estas modificações permanecem dentro do nível de “normalidade” e em que momento desencadeiam um processo de doença. A pesquisadora busca entender quais mecanismos de controle podem sofrer alterações perigosas para o sistema cardiovascular mesmo em indivíduos normotensos e se elas podem levar ao desenvolvimento de doenças como a aterosclerose e a hipertensão.

 

Um dos focos de sua pesquisa analisa o Sistema Renina Angiotensina (SRA), um dos mecanismos de controle da pressão arterial, e que utiliza moléculas como o peptídeo angiotensina II para controlar a concentração de água e sal no organismo. O objetivo de Lacchini é entender se pequenos aumentos nesse peptídeo podem causar alteração vascular, mesmo que os indivíduos se mantenham normotensos. Um estudo recente do grupo realizou testes em camundongos que receberam uma baixa quantidade de angiotensina II, sem causar mudança na pressão arterial – assim, os efeitos observados seriam decorrentes da molécula e não de uma possível hipertensão.

 

A aplicação do peptídeo desencadeou uma série de respostas inflamatórias sobre a aorta (maior artéria do corpo), tanto de forma precoce (após 30 minutos), como de forma tardia (após 48 horas). Esses resultados sugerem que a angiotensina II induz picos de inflamação vascular, mesmo na ausência de hipertensão. A análise é realizada com a ajuda de marcadores inflamatórios, proteínas liberadas pelo sistema imune, como IL1, IL6 e TGFβ.

 

Pensando que a perda de função das artérias pode levar a diversas complicações, como a aterosclerose (acúmulo de placas de gordura nas artérias), e mesmo à hipertensão, é importante identificar os mecanismos que se encontram na transição entre o estado saudável e o estado doente. Segundo a pesquisadora, a identificação das respostas inflamatórias causadas pela angiotensina II em indivíduos normotensos pode ser um passo importante para entender o quanto essas oscilações de marcadores inflamatórios podem conduzir a um quadro de dano vascular ou de hipertensão. Isso abriria uma nova perspectiva para buscar formas de prevenção ou tratamento precoce da hipertensão.

 

Rhaisa Trombini | ICB-USP

 

19/11/19
Assim como a febre, hipotermia é defesa natural do organismo durante infecção

Pesquisas do Instituto de Ciências Biomédicas da USP demonstraram que a hipotermia durante a sepse é uma resposta de tolerância ao patógeno e que, em certos casos, pode ser benéfica ao paciente.

 

Um grupo de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) propôs uma nova forma de pensar na sepse, inflamação sistêmica potencialmente fatal que pode ocorrer em decorrência de infecções. O artigo, publicado recentemente na revista Trends Endocrinol Metab, aborda a existência de duas estratégias de defesa contra infecções que são opostas, porém, complementares. Em uma dessas estratégias, a febre nos ajuda a eliminar patógenos (resistência); na outra, uma redução na temperatura corpórea, denominada hipotermia, nos ajuda a tolerar os danos causados pelos microrganismos (tolerância). É como se houvesse um yin-yang na defesa contra patógenos. Em estudos realizados com pacientes sépticos no Hospital Universitário da USP, foi observado que ambas são resposta naturais, transitórias e autolimitantes do corpo – ou seja, assim como a febre, a hipotermia também é regulada e coordenada pelo sistema nervoso central.

Alexandre Steiner, docente responsável pela pesquisa, estuda o tema há quase 20 anos e afirma que toda resposta imune de ataque tem um dano colateral. “Se o custo desse dano colateral é muito alto, o organismo acaba optando por tolerar temporariamente o patógeno com o auxílio da hipotermia, enquanto cria condições para voltar a combatê-lo com o auxílio da febre”. Por esse motivo, os pacientes analisados apresentaram variações de temperatura, mas geralmente de forma regulada. Em humanos, a febre costuma ser limitada a 39 ou 39,5ºC, e a hipotermia se estabiliza entre 34 e 35ºC. O paciente volta à temperatura ‘normal’ sozinho.

O conceito de valores “normais” também foi debatido durante os estudos. Segundo Steiner, no caso de pacientes com infecção, estamos lidando com “novos normais” – novos valores de referência de temperatura que o indivíduo infectado precisa para lidar com mudanças no funcionamento do seu organismo. Em outras palavras, manter a temperatura a 36,5ºC não é normal para um indivíduo infectado; o “novo normal” é ter febre inicialmente e, se a condição se agravar, hipotermia.

Uma série de testes realizada pelo grupo em ratos e camundongos demonstrou que, quando a infecção era gravíssima e havia desenvolvimento de hipotermia, o aquecimento forçado aumentava a mortalidade. Por outro lado, se a infecção é menos grave e há febre, existem evidências de que o resfriamento pode aumentar a mortalidade. “É um equívoco achar que a eliminação da febre ou da hipotermia melhora o quadro infeccioso, mesmo que dê a falsa impressão de um retorno à normalidade”, explica o pesquisador.

O caráter regulador da febre se apresenta no próprio comportamento do indivíduo – quando estamos com febre, sentimos frio e procuramos um ambiente mais quente. Em outros testes, quando os ratos vão desenvolver hipotermia durante a infecção, eles buscam um ambiente frio para ajudar a diminuir a temperatura. “Como a febre, a hipotermia nesses casos parece ser um processo ativo do sistema nervoso central, que faz com que a temperatura caia naturalmente”.

Para Steiner, o trabalho representa um importante ganho conceitual, que aborda o sistema imune como uma parte inseparável dos sistemas fisiológicos e não como um sistema independente. Além disso, muda a forma de entender as doenças infecciosas graves, propondo uma visão individualizada para cada paciente. “Pacientes em situações diferentes poderão se beneficiar mais da febre (resistência) ou da hipotermia (tolerância), ou ainda de uma alternância entre um estado e outro. Se continuarmos a procurar terapias que funcionem para todos em um grupo heterogêneo de pacientes, nossas opções ficam muito limitadas”.

 

Aline Tavares | Acadêmica Agência de Comunicação

11/11/19
ICB-USP promove o prêmio “Ciência em 3 minutos”

Voltada para alunos de pós-graduação, a premiação faz parte da comemoração dos 50 anos da instituição e será concedida pela SBI e SBBC


11/11/2019

 

O Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo irá promover uma série de atividades entre os dias 16 e 20 de dezembro para celebrar o aniversário de 50 anos da instituição. Como parte das comemorações, a Comissão de Pós-Graduação (CPG) lançou o concurso “Ciência em 3 minutos”, com o objetivo de estimular a comunicação e a disseminação do conhecimento científico.

Para tal, alunos(as) regularmente matriculados nos Programas de Mestrado e Doutorado do ICB podem enviar um vídeo de aproximadamente três minutos divulgando suas linhas e projetos de pesquisa, assim como métodos e técnicas comumente usados na área biológica ou vídeos e podcasts visando o ensino de disciplinas na graduação. Após avaliação da comissão julgadora indicada pela CPG, os prêmios serão concedidos pela Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) e pela Sociedade Brasileira de Biologia Celular (SBBC).

O prazo para submissão dos formulários é dia 25/11. A divulgação dos vídeos selecionados será realizada entre 9 e 13 de dezembro – esses vídeos serão exibidos durante a cerimônia de premiação no dia 18/12, às 14h. No final, os vencedores de cada categoria serão anunciados.

 

Especificações:

Os critérios de avaliação abrangem originalidade, formato do vídeo, clareza e relevância para o desenvolvimento, formação e ensino científico. A inscrição deve ser realizada por meio deste formulário, junto ao upload do vídeo ou produto, com no máximo 5 minutos, que deverá conter o nome do(s) aluno(s) e o título do trabalho em algum momento.

Os inscritos deverão anexar também uma declaração própria e do orientador transmitindo os direitos autorais do vídeo para o ICB-USP, permitindo divulgação nas mídias sociais.

Acesse o edital completo aqui.

 

 

11/11/19
Exercício físico pode amenizar os efeitos colaterais do tratamento de câncer

08/11/2019

 

O tratamento do câncer, apesar de eficaz, traz consigo uma série de efeitos colaterais, como queda de cabelo, anemia, infecções, perda de apetite, fadiga e diminuição da massa muscular. Uma pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), publicada no Journal of Cellular Physiology, indica que o exercício aeróbio pode ser uma alternativa para melhorar a qualidade de vida de pacientes durante o tratamento quimioterápico. O doutorando Edson A. de Lima, orientado pelo professor José Cesar Rosa Neto, realizou testes em animais demonstrando que o exercício aeróbio é capaz de melhorar a condição de fadiga, funções metabólicas e desempenho físico.

Um dos fármacos usados para tratamento de câncer é a doxorrubicina (DOX), com um amplo espectro de atuação. Apesar de ter um bom efeito antitumoral, esse fármaco acaba sendo citotóxico também para outras partes do corpo. As principais queixas de efeitos colaterais dos pacientes que usam DOX são: fadiga, perda de desempenho e diminuição da massa muscular, sendo essa última uma consequência já esperada de pacientes com câncer antes do tratamento.

Buscando mimetizar o que acontece com pacientes em tratamento, o experimento foi realizado em camundongos sem tumores – o objetivo era analisar apenas o efeito do fármaco – que receberam 2,5 mg/kg de DOX duas vezes por semana durante seis semanas. Segundo a análise do pesquisador, o fármaco afetou diretamente alguns sistemas do corpo que levaram a efeitos colaterais como:

Aumento de corticosterona, um hormônio que tem função sistêmica no organismo dos animais – seu correspondente no ser humano é o cortisol. Vários tecidos têm suas funções coordenadas por ele, mas a concentração em excesso passa a ser uma das causas que leva à atrofia muscular e perda da musculatura;
Inibição da ativação da AMPk, uma proteína importante para o metabolismo celular.

A corticosterona, conhecido como hormônio do estresse, já tem sua quantidade no organismo aumentada por conta do próprio tratamento, uma situação estressante para o paciente.

Em seguida, os animais foram divididos em três grupos: o controle, que recebeu solução salina; animais que fizeram exercício aeróbio na esteira com 60% da velocidade máxima e animais que receberam metformina, um medicamento usado para tratamento de diabetes tipo 2. Essas duas abordagens, exercício e metformina, aumentam a ativação da proteína AMPk. A intenção do pesquisador era analisar métodos farmacológicos e não farmacológicos para minimizar os efeitos colaterais da quimioterapia.

O resultado apontou uma melhora no condicionamento físico e na resistência à fadiga dos animais exercitados, porém não houve alteração na perda de massa muscular. A diminuição de corticosterona em ambos os tratamentos indicaria uma “atenuação da condição de estresse sistêmico”. “No caso, o exercício físico é uma estratégia não farmacológica, de baixo custo e que no final acaba melhorando a qualidade de vida das pessoas tratadas”, explicou Lima. Na continuação do doutorado, ele pretende testar novamente as terapias na presença do tumor.

 

Rhaisa Trombini | ICB-USP

08/11/19
Novas abordagens para o tratamento de câncer

No SIBBAS 2019, a imunoterapia se apresentou como a grande promessa de tratamento, mas há pacientes que não têm boa resposta.


08/11/2019

 

Na última quinta-feira (24/10), aconteceu o SIBBAS 2019, Semana de Inovações Biológicas e Biotecnológicas Aplicadas à Saúde, no Instituto de Ciência Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP). Organizado pelos alunos do curso de Ciências Fundamentais para a Saúde, com apoio da Comissão Coordenadora, o tema central do evento foi “Imunoterapia no combate ao câncer”.

 

Quatro pesquisadores convidados falaram sobre suas abordagens de pesquisa. O primeiro foi José Alexandre Barbuto, pesquisador do Departamento de Imunologia do ICB-USP. Para ele, a imunoterapia representa uma quebra de paradigma na resposta imune do paciente com câncer. “Câncer de pulmão, que não respondia a nada, agora tem 30% a 40% de chance de ter resposta”, exemplificou.

 

Barbuto explica que o sistema imunológico não consegue responder ao câncer, pois o tumor em fase inicial não tem um padrão molecular que induza os linfócitos T (células de defesa) a produzir essa resposta – então, o tumor “escapa”. “O que o sistema imune faz é ‘regular’ o ambiente, mas não impedir o desenvolvimento do tumor”, disse. A imunoterapia muda este cenário pois usa células dendríticas, responsáveis pela regulação do sistema imune, como checkpoint inhibitors. Ou seja, o tratamento desliga essa função reguladora negativa, induzindo o sistema imune a ter uma resposta contra o câncer e atacar as células tumorais. Uma vacina terapêutica desenvolvida no laboratório de Barbuto têm obtido sucesso em testes em pacientes com glioblastoma, um tumor cerebral agressivo.

 

Alguns pacientes, no entanto, não respondem bem à imunoterapia. No A.C Camargo Cancer Center, um centro de estudos que alia pesquisa clínica com tratamento, pesquisadores vêm usando biomarcadores para descobrir quais pacientes irão responder ou não à imunoterapia e quais deles poderão desenvolver eventos adversos. A informação foi apresentada por Kenneth John Gollob, líder do grupo de Imuno-oncologia Translacional e pesquisador de Imunorregulação do Câncer na instituição.

 

Segundo ele, no A.C Camargo Cancer Center, pessoas com câncer recebem tratamento de imunoterapia e, em contrapartida, doam sangue e material para biópsia, fornecendo informação clínica para pesquisas. Lá também são realizados estudos com checkpoints inhibitors.

 

O evento contou ainda com palestras de Martin Hernan Bonamino, pesquisador do Instituto Nacional do Câncer (INCA), e Milena Perez Mak, do Hospital São Luiz (Rede D’OR). Também foram apresentados nove trabalhos de graduação e pós-graduação do ICB-USP.

 

Rhaisa Trombini | ICB-USP

08/11/19