Lançada durante a pandemia, o produto já havia se mostrado eficaz contra o coronavírus e suas variantes. Novos testes constataram que o seu princípio ativo também inativa a Influenza – infecção do sistema respiratório que tem alta mortalidade entre grupos vulneráveis.
Diante do aumento significativo do número de casos de Covid-19 (59,6%) no País, vários governos municipais voltaram a recomendar o uso de máscara em ambientes fechados. Uma orientação que poderá ajudar também a conter o avanço da Influenza, cuja prevalência, embora seja pequena, resulta em um índice elevado de óbitos entre os mais vulneráveis. A boa notícia é que existe uma máscara capaz de inativar ambos os vírus.
Já comercializado com o nome de Phitta Mask, o produto foi desenvolvido no Instituto de Química da USP em parceria com a empresa Golden Technology. Seu tecido é impregnado por um composto químico, o Phtalox, que é capaz de eliminar as partículas virais no momento em que elas entram em contato com a máscara. Em questão de segundos, a camada mais externa do vírus é destruída, impedindo sua replicação.
Em 2020 e 2021, o Instituto de Ciências Biomédicas da USP realizou os testes que comprovaram sua eficácia (99%) contra o SARS-CoV-2 e suas variantes Ômicron, Delta, P1 e P2. Não foi diferente com a Influenza. “Os resultados dos testes em laboratório nos deixam muito confortáveis. A máscara eliminou 100% dos vírus, tanto de Influenza A como de Influenza B. Isso é muito importante porque trata-se de uma doença com alta mortalidade, principalmente entre gestantes, idosos e crianças”, afirma o virologista Edison Luiz Durigon, do Laboratório de Virologia Clínica e Molecular do Departamento de Microbiologia do ICB-USP, que coordenou o trabalho.
Os testes foram feitos em microplacas contendo as culturas de células, onde foram cultivados os vírus. Pedaços do tecido da máscara foram então colocados em contato com os vírus, quando se constatou a inativação completa deles por meio de microscópio, ao contrário dos testes de controle (placas só com os vírus). “Assim como no caso do coronavírus, o Phtalox também se mantém ativo por até 12 horas, conferindo proteção contra a Influenza durante todo esse período”, afirma.
Durigon acredita que, no futuro, haverá surtos sazonais e intercalados de Covid-19 e de Influenza. “Por isso, é importante que a sociedade continue usando máscara, principalmente em ambientes de maior risco, como hospitais, transporte público, aeroportos e viagens aéreas.”
Para o CEO da empresa, Sérgio Bertucci, a máscara também tem um papel importante do ponto de vista ambiental. “Enquanto uma máscara cirúrgica convencional precisa ser trocada a cada três horas, a nossa garante proteção por até 12 horas, o que diminui significativamente a quantidade de unidades descartadas no meio ambiente”, afirma.
Por Gabriel Martino | Agência Acadêmica de Comunicação
Diferentes plataformas tecnológicas são importantes para suprir a demanda de vacinas e possibilitar uma utilização sinérgica entre os imunizantes.

O Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) vem realizando pesquisas com abordagens inovadoras para imunizantes contra a dengue e o Zika vírus – três delas já com estudos publicados. Uma, chamada de vacina de subunidade, seria aplicada pela via intradérmica, com fragmentos de uma proteína do vírus que seriam direcionados às células dendríticas. Outra seria uma vacina transcutânea, ou vacinação pela pele, que utiliza adesivos contendo antígenos para estimular o sistema imunológico. E a terceira, uma tecnologia genética que se baseia em uma vacina de DNA, com o objetivo de otimizar a proteção do imunizante.
A vacina de subunidade contra a dengue utiliza a NS1, uma proteína já usada em outros imunizantes estudados e em testes de diagnóstico. No entanto, na abordagem desenvolvida, em colaboração com o grupo da professora Sílvia Boscardin (ICB-USP), a NS1 do vírus da dengue foi guiada especificamente para células do sistema imunológico, as células dendríticas, conhecidas como potentes ativadoras do sistema imunológico. “A estratégia de direcionar as proteínas para as células dendríticas fez com que a resposta de anticorpos anti-NS1 fosse potencializada nos camundongos imunizados e mantida por mais tempo nas amostras de sangue”, conta Lennon Ramos Pereira, doutor em Ciências (Microbiologia) pelo ICB-USP e autor do estudo.
“Os resultados apontaram uma melhora da resposta imune sem que houvesse efeitos colaterais. Além disso, as formulações desenvolvidas, principalmente quando administradas pela via intradérmica, evitaram a produção de anticorpos com potencial de causar danos teciduais, aumentando a segurança do imunizante”, complementa.
Além desse imunizante, Pereira publicou outro estudo sobre uma vacina genética para o vírus Zika, que pode ser adaptada para a dengue. “De forma inédita, desenvolvemos uma vacina de DNA baseada na sequência da proteína NS1 do vírus do Zika fusionada geneticamente à outra proteína viral (glicoproteína D do vírus herpes simples tipo 1), com capacidade de ativar o sistema imunológico. Essa estratégia foi capaz de aumentar a resposta imunológica e dobrar a proteção contra a infecção pelo vírus Zika em animais imunizados. Além disso, a tecnologia é plenamente adaptável para outras doenças.”
Já a publicação sobre a vacina transcutânea, que utilizou o vírus da dengue como antígeno, conseguiu uma eficácia de proteção entre 80% e 100% nos testes com camundongos. “A pele é um órgão imunologicamente ativo, ou seja, é capaz de responder a uma infecção tão bem quanto o tecido intramuscular, local onde as vacinas geralmente são injetadas”, conta o autor do estudo Robert Andreata-Santos, doutor em Ciências e pesquisador colaborador (Microbiologia) pelo ICB-USP. Segundo ele, trata-se de uma técnica promissora para diminuir o déficit vacinal entre pessoas que se recusam a receber vacinas por meio de injeções com agulhas, e que também poderia diminuir os custos com a aquisição dos insumos necessários à sua aplicação intradérmica (ampolas, seringas, agulhas etc.).
Plataformas tecnológicas – Para o professor Luís Carlos de Souza Ferreira, coordenador do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do ICB-USP, onde foram realizados esses estudos, é muito importante ter diferentes plataformas tecnológicas para se alcançar o mesmo objetivo de vacinação. “Isso ajuda a suprir a demanda e possibilita a utilização sinérgica das vacinas”, afirma ele, explicando que essas tecnologias podem ser aplicadas de maneira conjunta, intercalando entre as doses necessárias, a exemplo do que ocorre nas imunizações contra a Covid-19.
Segundo Ferreira, há várias iniciativas no mundo e no Brasil que buscam uma vacina contra a dengue. “A Dengvaxia, da fabricante Sanofi-Pasteur, é a única aprovada em território nacional, mas, por ter baixa eficácia em indivíduos que não tenham sido expostos ao vírus da dengue previamente, vem sendo aplicada apenas em instituições privadas”, conta. Outros imunizantes mais eficazes estão em estágio avançado de desenvolvimento. “As vacinas da fabricante Takeda, a TAK-003, e do Instituto Butantan, em parceria com o NIAID [Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos], já se mostraram bem-sucedidas em testes clínicos e foram submetidas à aprovação da Anvisa.”
Por que é difícil ter uma vacina? – A busca por um imunizante contra a dengue esbarra na variedade de sorotipos. “O vírus causador da doença possui quatro sorotipos – tipo 1, 2, 3 e 4. Isso faz com que o desenvolvimento de um imunizante com alta eficácia seja mais difícil de ser alcançado, pois a vacina necessita conferir ampla proteção contra todos os sorotipos visto que a imunidade parcial contra somente um deles não fornece proteção a longo prazo com relação às outras”, afirma Pereira. “Se hoje vivemos um surto do sorotipo 1, a população que foi infectada com esse sorotipo terá resposta imune contra este para o resto da vida. Entretanto, se o próximo surto for causado por outro sorotipo, não há garantia de proteção”, acrescenta.
Seja lá qual vacina vier primeiro, ela é urgente. A dengue é uma doença infecciosa transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, comum em regiões tropicais. Os principais sintomas notados em pacientes são febre alta, erupções cutâneas e dores musculares e articulares. Nos casos graves, há ocorrência de hemorragias intensas e até choque hemorrágico, que pode levar à morte.
De acordo com o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde divulgado no dia 16 de maio, a doença apresentou um salto de 40% nas três semanas anteriores à data, passando de cerca de 542 mil para mais de 757 mil infectados. Em comparação, o ano de 2021 inteiro registrou um total de 544 mil casos. O levantamento aponta que houve um crescimento de mais de 150% em comparação ao mesmo período das primeiras 18 semanas do ano passado. Até o momento, foram registrados 265 óbitos por conta do vírus em todo o País.
Por Gabriel Martino | Agência Acadêmica de Comunicação
Com um estudo sobre regulação da glicemia, a pesquisadora Karoline Martins dos Santos recebeu o prêmio de melhor apresentação de trabalho científico em um evento do departamento onde ela atua na universidade.
Durante a pós-graduação, é importante ter em mente que oportunidades de estágio e formação no exterior podem surgir a qualquer momento. Captá-las é um diferencial e tanto para ampliar os horizontes da pesquisa científica. É o que aponta a experiência de Karoline Martins dos Santos, pós-graduanda de doutorado direto com bolsa FAPESP do Programa de Pós-Graduação em Fisiologia Humana do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).
Graduada em Nutrição, Karoline está na pós-graduação desde 2017, estudando as ações da insulina no sistema nervoso central e os mecanismos que influenciam a regulação da glicemia. O conhecimento produzido sobre o tema, ao longo desses anos, lhe rendeu a oportunidade de atuar como pesquisadora convidada no Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, localizado na cidade de San Antonio, nos Estados Unidos. E em apenas quatro meses de intercâmbio, ela já ganhou um prêmio internacional, concedido pelo Departamento de Fisiologia Integrativa e Celular, onde ela atua.
Trata-se de um congresso científico que reúne todos os docentes e discentes do departamento. Nele, são apresentados trabalhos dentro de 54 linhas de pesquisa e seus avanços. Ao final, as melhores apresentações e trabalhos são premiados, sendo dois prêmios para cada categoria (graduação, pós-graduação, treinamento técnico e pós-doutorado). As avaliações são feitas com base na relevância do estudo e na capacidade de apresentar os resultados e comunicar o conhecimento. Karoline foi premiada na categoria de melhor apresentação de trabalho.
“Além de muito gratificante, ser premiada foi ótimo para minha carreira, pois sou recém-chegada e agora me tornei mais conhecida no departamento, o que pode abrir muitas portas para mim e para o laboratório do qual faço parte no ICB. Foi também uma ótima experiência de comunicação porque, como os projetos eram de áreas muito distintas, havia pessoas que não tinham noção do que se tratava minha pesquisa e é sempre um desafio explicar para quem não está inserido na discussão”, afirma a pesquisadora.
Foi justamente essa capacidade de falar para um público que não está habituado com o seu trabalho que lhe abriu as portas para estudar no exterior. “Incentivo todos a participarem de congressos e premiações, Brasil afora.”
Em abril, ela participou de um congresso no exterior, apresentando parte dos resultados da sua tese, o que chamou a atenção da professora Carie Boychuk, uma especialista na área de conhecimento do trabalho de Karoline. “Após o congresso, retomamos o contato e manifestamos interesse em estabelecer colaboração para responder algumas questões relacionadas ao projeto da Karoline, pois lá eles utilizam técnicas de vanguarda que não dispomos aqui”, conta o professor Vagner Roberto Antunes, do Laboratório de Controle Neural da Circulação do Departamento de Fisiologia e Biofísica do ICB-USP, orientador de Karoline.
Regulação da glicemia pelo Sistema Nervoso Central — Mesmo a distância, os estudos da pós-graduanda seguem sendo coordenados por Antunes. Nesse trabalho, eles utilizam modelos animais experimentais com hipertensão arterial que apresentam disfunções no sistema nervoso autônomo (SNA) e que afetam as funções hepáticas e, consequentemente, o controle da glicemia. “Queremos entender como o sistema nervoso central controla a produção hepática de glicose, que está prejudicada em animais hipertensos”, destaca a pesquisadora.
Esses prejuízos podem estar relacionados às disfunções do SNA, que regula as funções viscerais do organismo. O sistema é composto de dois ramos, um simpático, que gera respostas à situações de estresse, promovendo aumento da frequência cardíaca, dilatação das pupilas, dentre outras, e outro parassimpático (vagal), que está diretamente envolvido no controle da homeostase orgânica por meio do controle das funções do coração, trato gastrointestinal, pulmões, fígado, entre outras.
“Classicamente o sistema nervoso simpático é conhecido como o sistema de resposta de ‘luta ou fuga’ por preparar o organismo para enfrentar situações de emergência. Já o parassimpático, atua inversamente ao simpático, gerando resposta de ‘descansar e digerir’. E, no caso do território hepático, esse sistema atua no ‘controle fino’ da produção de glicose por ação central da insulina”, explica Antunes.
O desequilíbrio desse sistema afeta diretamente as funções orgânicas e pode resultar em diversas doenças. No modelo animal de hipertensão há um significativo desequilíbrio do SNA, no qual o ramo simpático está muito mais ativado e o parassimpático reduzido, o que proporciona um aumento na pressão arterial e disfunção de diversos processos metabólicos.
No último trabalho divulgado sobre o tema, publicado no Journal of Neuroendocrinology, os pesquisadores identificaram um dos grupos de neurônios que são responsáveis por promover essa disfunção. “Descobrimos que os animais que desenvolvem hipertensão têm neurônios que se comportam de maneira diferente no controle das funções do fígado, incluindo a produção hepática de glicose. Esses neurônios estão presentes no núcleo motor dorsal do vago, no bulbo encefálico, conhecidos como neurônios vagais. Ao estimularmos seletivamente e de forma prolongada os neurônios desse núcleo, com a técnica de quimiogenética, houve reversão da disfunção na produção hepática de glicose”, detalha o professor.
Além da ferramenta de interferência gênica diretamente nos neurônios, os pesquisadores também verificaram que o exercício físico aeróbico foi capaz de reverter essa disfunção. “Todos os animais submetidos à atividade física aeróbica de corrida em esteira durante um mês tiveram revertida parte da disfunção do controle vagal na produção hepática de glicose, por ação central de insulina, além de terem seus níveis de pressão arterial reduzidos”, destaca Santos.
As falhas na regulação da glicemia acontecem com grande frequência também em humanos. Elas têm como consequências o aumento nos riscos de diabetes, hipertensão, obesidade, hiperlipidemia, aterosclerose, entre outras doenças que caracterizam a síndrome metabólica, além de ter uma correlação com a resistência à insulina e com doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
“O estudo desse mecanismo pode contribuir para o desenvolvimento de novas terapias farmacológicas, mas os hábitos alimentares saudáveis e a prática de atividade física são ótimos aliados para a prevenção desses distúrbios orgânicos”, finaliza Antunes.
Por Gabriel Martino | Agência Acadêmica de Comunicação
Projeto quer formar ‘jovens agentes comunitárias de saúde’ visando o combate a endemias. Iniciativa, que tem o apoio do British Council, está aberta a voluntários.
Desenvolvido com apoio do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), o projeto de cultura e extensão “Semeando Ciência: Meninas em Campo” pretende ampliar o conhecimento sobre insetos de interesse médico entre alunas (e também alunos) nas escolas públicas do ensino fundamental e médio de diversas regiões do país. Em sua segunda edição, focada neste tema, a iniciativa tem apoio do British Council, que concedeu R$ 15 mil para o projeto por meio do edital “2ª Chamada do Programa Garotas STEM: Formando futuras cientistas”.
O programa é coordenado pela pesquisadora Flávia Virginio, do Instituto Butantan, egressa do Programa de Pós-graduação “Biologia da Relação Patógeno-Hospedeiro” do ICB-USP. Tem a participação do CientificaMente, projeto de extensão coordenado pela professora Maristela Martins de Camargo, do Laboratório de Imunorregulação Molecular do ICB-USP, que estimula e ensina docentes e discentes a realizarem divulgação científica.
Ciência cidadã – As atividades do projeto são voltadas à ciência cidadã, ramo da ciência que conta com a participação de toda a sociedade, seja na coleta de informações ou na disseminação dos resultados. “A investigação científica não é uma atividade exclusivamente de cientistas; é possível fazer ciência mesmo sem treinamento acadêmico. Essa abordagem visa despertar o interesse pela ciência nos estudantes para incentivar a busca por uma carreira na área científica”, afirma Camargo. “O projeto tem um papel importante para a desmistificação da ciência e a disseminação do conhecimento produzido dentro das universidades, especialmente para as comunidades que precisam de ações concretas”, complementa Virginio.
Conteúdo do projeto – Mais especificamente, os conhecimentos apresentados no projeto têm o intuito de auxiliar no combate a doenças infecciosas que são endêmicas em diversas regiões do país, como a dengue e a malária. Para isso, haverá oficinas para a captura, identificação e mapeamento de mosquitos das regiões cobertas pelo projeto. Os estudantes também serão treinados quanto ao uso de inteligência artificial e sistemas de georreferenciamento.
“No final, alunas e alunos atuarão de certo modo como agentes comunitários de saúde pública, fazendo levantamentos sobre quais são os mosquitos presentes na região e quais são de interesse médico”, afirma Camargo. “A expectativa é de que acabem virando uma figura de autoridade dentro da comunidade com relação aos mosquitos transmissores dessas doenças, podendo auxiliar os agentes epidemiológicos e a comunidade científica alertando quando a frequência dos mosquitos aumentar. Também poderão ajudar a orientar a população de suas comunidades sobre as formas de prevenção dessas doenças”, acrescenta.
Equidade entre gêneros — Apesar de pensadas para meninas, Virginio conta que as atividades também são destinadas a meninos, para que criem referências de mulheres cientistas e conheçam o trabalho desenvolvido por elas. Haverá, por exemplo, material lúdico e educativo sobre a importância das mulheres na ciência. Alunas e alunos terão referências sobre grandes cientistas que marcaram a História e renomadas profissionais contemporâneas.
“O projeto terá um papel desmistificador da profissão de cientista, que ainda é muito estigmatizada como algo feito majoritariamente por homens brancos, entre 30 aos 60 anos. Com o projeto, organizado exclusivamente por mulheres, pretendemos mostrar para todos que a ciência é feita também por mulheres diversas e que esse espaço é atrativo e receptivo para elas”, aponta Virginio.
Nesse contexto, a iniciativa também pretende ajudar a combater a desigualdade de gênero na ciência. “Apesar da presença de mulheres nas universidades em cursos de Ciências Biológicas e Ciências da Saúde, ser maior que a dos homens, conforme o nível de especialização e o tempo de carreira aumentam, nota-se que são poucas as mulheres que persistem na carreira. Isso por conta de vários obstáculos, como machismo, assédio, maternidade e disparidade salarial. Para corrigir esse problema, precisamos que mais mulheres estejam no meio científico e ocupem posições de liderança”, destaca a coordenadora do projeto.
Trabalho em rede — O projeto “Semeando Ciência: Meninas em Campo” é realizado no âmbito da Rede Kunhã Asé de Mulheres na Ciência, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Trata-se de uma iniciativa que oferece apoio intelectual e emocional a mulheres no ramo científico, além de discutir mudanças para garantir um ambiente acadêmico acolhedor às cientistas e incentivar meninas a buscarem a carreira científica.
A iniciativa teve início há dois anos, na Escola Municipal Miguel Arraes, em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, na Bahia. Em 2022, o projeto foi expandido para outros estados e ganhou novas conexões com outros projetos pelo Brasil, como o CientificaMente e o USP Mulheres. Com o apoio dessas instituições, do British Council e da Fundação Carlos Chagas, será possível desenvolver oficinas em sete escolas divididas em quatro estados, de três regiões do país, e o Distrito Federal.
Como contribuir — Pessoas com conhecimento nos temas de ciência cidadã; entomologia médica; saúde pública; inteligência artificial e bioinformática; biogeografia e georreferenciamento; ou curadoria de coleção científica podem se voluntariar para participar das oficinas do “Semeando Ciência: Meninas em Campo”. Para isso, é preciso entrar em contato com a Flávia Virginio (flavia.virginio@butantan.gov.br) ou Maristela Camargo (mmcamar@usp.br). Também é possível acompanhar o projeto pelos perfis do Instagram de parceiros do projeto: Rede Kunhã Asé, Entomologuia, Conhecendo Os Mosquitos, Inseto pra quê?, Entomo Consciência, USPMulheres, CientificaMente USP e Women In Global Health Brazil.
Por Pedro Ferreira (ICB-USP) e Gabriel Martino (Agência Acadêmica de Comunicação)
Cientistas conseguiram sintetizar uma molécula capaz de extinguir a sensibilidade à dor em camundongos; estudo foi capa de revista científica internacional.
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Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Química (IQ) e do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), conseguiu inibir a sensação de dor em camundongos com a aplicação de uma molécula desenvolvida a partir do DNA de pessoas insensíveis à dor. A pesquisa foi reconhecida como promissora para a produção de fármacos para o tratamento de dor crônica e estampou a capa da revista americana Science Signaling.
Coordenado pela professora Deborah Schechtman, do IQ, com a colaboração da professora Camila Dale, do ICB, o estudo foi desenvolvido a partir da identificação de mutações nos genes de pacientes com insensibilidade à dor, uma anomalia rara com prevalência de menos de um caso por milhão de habitantes. “É uma doença autossômica recessiva que geralmente tem mutação nos dois cromossomos, em homo ou heterozigose composta. Em alguns casos, há uma duplicação do alelo mutante, mas isso é mais raro”, explica Schechtman.
Ainda não há medicamentos específicos para o tratamento da dor crônica. Os pacientes são tratados com fármacos indicados para outras doenças, como antidepressivos, que modulam as vias de dor para funcionar corretamente; e anticonvulsivantes, que bloqueiam os impulsos nervosos excessivos. “Isso é feito para modular a neurotransmissão das vias que transmitem dor e que equilibram estes sinais nervosos nas pessoas. O problema é que muitos desses medicamentos têm efeitos colaterais e causam dependência”, afirma Dale.
No estudo da USP, as pesquisadoras conseguiram produzir uma substância capaz de promover a perda da sensibilidade à dor. “Nos testes que fizemos em camundongos vimos que todos os modelos animais que receberam o peptídeo produzido em laboratório tiveram melhora da sensibilidade à dor e não apresentaram outras alterações neurológicas. Ou seja, fomos capazes de modular a doença”, explica Dale.
Segundo ela, a descoberta é uma solução para uma condição na qual a dor não cumpre mais sua função biológica de proteger o organismo contra lesões. “Nesses casos, os pacientes têm um sistema de dor que está alterado e que faz com que eles sintam dor o tempo todo, mesmo sem a presença de um estímulo ou de uma lesão inicial”, complementa.
Material genético — Esse avanço não teria sido possível se não fosse pela constatação de mutações no gene TrkA em pessoas com insensibilidade à dor. O grupo de Schechtman descobriu que alterações na codificação dessa proteína poderiam desregular as vias de sinalização da dor sem, no entanto, interferir no desenvolvimento neurológico do indivíduo. Isso possibilitou uma nova orientação para a pesquisa, pois foi encontrado um caminho pelo qual a molécula NGF (fator de crescimento neural), responsável pela sensação de dor, poderia sofrer interferência sem comprometimento de sua função em outras reações químicas do organismo.
Após três anos de estudos sobre as mudanças decorrentes dessas mutações, foi possível sintetizar uma molécula com uma estrutura parecida. A administração dessa substância no organismo de modelos animais foi capaz de modificar as reações químicas relacionadas à dor ocorridas no sistema nervoso.
Porém ainda há um longo caminho a ser percorrido até o início dos testes em humanos. “Agora queremos entender melhor como a molécula funciona nas vias de dor e melhorar a eficácia dessa substância para que possamos desenvolver novos medicamentos para o tratamento de dor crônica”, afirma Dale.
Estima-se que até 30% da população mundial sofra de dor crônica. Segundo dados da Equipe de Controle de Dor do Hospital das Clínicas da USP, são consideradas dores crônicas aquelas que persistem depois do tempo esperado para cura ou cicatrização ou que não respondem aos tratamentos usuais. As principais causas da dor crônica são problemas articulares, musculoesqueléticos, degenerativos e neuropáticos. A dor crônica pode gerar complicações de mobilidade, distúrbios de sono, perda de apetite, depressão do sistema imune, maior susceptibilidade a doenças, dependência de medicação, entre outros.
Por Pedro Ferreira | ICB-USP
Editado por Gabriel Martino | Agência Acadêmica de Comunicação
Especificamente o artigo trata dos riscos que a descrição equivocada do hormônio concentrador de melanina, no que diz respeito à sua localização no sistema nervoso, podem acarretar.
Um artigo escrito pelo professor Jackson Cioni Bittencourt, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), em resposta a um trabalho de revisão coordenado por pesquisadores da Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha, traz considerações importantes sobre a anatomia do sistema nervoso central. Publicado na revista Nature Reviews Endocrinology, o artigo aponta erros cometidos em relação à distribuição morfológica do hormônio concentrador de melanina (MCH) e à nomenclatura de uma região do cérebro. Tais erros, segundo ele, podem comprometer seriamente o avanço do conhecimento científico.
De acordo com Bittencourt, embora os cientistas da Espanha tenham feito uma excelente revisão sobre o papel do MCH no controle da homeostase energética, eles descreveram de forma equivocada a sua organização anatômica. O MCH é visto principalmente como um dos moduladores da fome, além de desempenhar um papel relevante no controle do sono e na lactação.
“O que ocorreu foi uma simplificação exacerbada, isso não pode acontecer. Definiram uma das regiões onde o hormônio se encontra como zona incerta – uma nomenclatura que não diz respeito à sua localização e função como provocador da fome, eu e outros colegas ajudamos a extingui-la há mais de uma década”, afirma. Na tese de doutorado da professora do ICB, Luciane Valéria Sita, defendida em 2005 sob sua orientação, já havia sido descrita corretamente essa região, chamada de área incerto-hipotalâmica.
Além disso, segundo ele, os pesquisadores espanhóis não deram ênfase suficiente para a região onde a maioria dos neurônios do MCH está localizada, a área hipotalâmica lateral. “Trata-se de uma região integradora, que recebe todo tipo de informação, desde o olfato até o controle da pressão arterial, sono, fome, e as distribui para outras partes do corpo. Assim como ela controla alguns dos efeitos do controle alimentar e da reprodução”.
Riscos da desinformação – Bittencourt alerta para os riscos da repetição desse tipo de desinformação, por menor que pareça ser. “Essa desinformação, em específico, têm se repetido com frequência em artigos científicos e isso pode levar à interpretação de que o hormônio deve estar também em muitas outras áreas. Com isso, outros pesquisadores podem deduzir que ele tem localidades ou efeitos que não são possíveis — mudando o alvo das investigações e atrasando o desenvolvimento da ciência como um todo”.
Para o docente, respeitar a localização de neurônios humanos é de suma importância pois é ela que dá a primeira ideia de função. “Quando a gente descobre um hormônio, um receptor, um neurotransmissor, ou qualquer outro elemento estudado nas ciências biológicas, a primeira coisa que nos chama atenção é a localização. Porque é ela que nos dá a primeira dica do que estamos estudando”.
Potenciais terapêuticos – A área hipotalâmica lateral é uma das áreas mais estudadas do sistema nervoso na atualidade, pois é tida como promissora nas buscas por soluções para a obesidade e para a compulsão alimentar. “Já conhecemos dois receptores — e deve haver mais — responsáveis por promover a fome instintiva, aquela fome específica para satisfazer uma vontade de consumir algum alimento, induzida pelo MCH. Ao inibi-los, podemos ter uma terapia”, afirma o docente.
O professor coordena o Laboratório de Neuroanatomia Química, que tem se dedicado desde 2010 ao estudo do hormônio concentrador de melanina no controle do comportamento maternal e da lactação. “Com o apoio da FAPESP, estamos estudando em ratas como a lactação é controlada pelo organismo. Nossa hipótese é de que o hormônio é o responsável por indicar o momento em que o corpo encerra o ciclo de produção de leite para voltar a reproduzir, ou diminuir a fome de forma que ela não necessite mais de tanta energia para a produção de leite. Esse conhecimento pode ser útil no futuro para corrigir condições em que seja necessária a paralisação da amamentação”.
Por Gabriel Martino | Agência Acadêmica de Comunicação
Professora Patricia Beltrão Braga, do ICB-USP, explica por que é difícil, do ponto de vista das ciências biológicas, que esses ataques sejam realizados, por mais que existam acusações dessa possibilidade de ambos os lados do conflito.
Em função de desdobramentos recentes da Guerra da Ucrânia, as armas biológicas, antigas ameaças em diversos conflitos ao longo da História, foram recolocadas no centro das discussões geopolíticas. Após a última reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o mundo voltou os olhos para o tema com a acusação russa de que a Ucrânia estaria produzindo toxinas letais em ao menos 26 laboratórios espalhados pelo país.
Vasily Nebenzya, embaixador da Rússia na ONU, afirmou que os experimentos dos laboratórios são financiados pelo governo estadunidense para disseminar patógenos como leptospirose e cólera em seu território. Em resposta, Linda Thomas-Greenfield, embaixadora dos Estados Unidos na ONU, acusou a Rússia de estar desenvolvendo um programa de armas biológicas ao longo dos últimos anos.
Proibidas pela primeira vez no Protocolo de Genebra, assinado em 1925, após a Primeira Guerra Mundial, essas armas de destruição em massa foram condenadas devido aos seus efeitos devastadores e sua utilização passou a ser considerada uma violação ao direito internacional.
Para compreender as características e os riscos reais das armas biológicas, o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) entrevistou a professora Patricia Cristina Baleeiro Beltrão Braga, virologista e coordenadora do Laboratório de Modelagem de Doenças.
O que são essas armas?
Podemos definir armas biológicas como patógenos altamente contagiosos, com alta taxa de mortalidade, que são utilizados para matar uma população. Geralmente são vírus ou bactérias que já existem, dificilmente são fungos por conta do tempo que cada um desses patógenos vai levar para causar uma doença fulminante.
A ideia é que a doença se espalhe rapidamente e tenha uma alta taxa de mortalidade em um curto período de tempo. O vírus Ebola, por exemplo, transmitido pelo contato direto com secreções humanas ou objetos, causa uma febre hemorrágica fulminante em cerca de quatro dias. Ele poderia ser utilizado como uma arma biológica. Já os vírus transmitidos por vetores como mosquitos, alguns com altas taxas de mortalidade para humanos, são de menor utilidade dentro de um contexto de guerra, pois não é fácil ter o controle da circulação dos vetores. Além desses, poderíamos imaginar o uso do vírus da varíola, altamente patogênico e de fácil disseminação. A varíola foi erradicada em 1980, então não é mais comum a sua vacinação, o que faria com que as pessoas ficassem suscetíveis à contaminação em um uso hipotético para fins bélicos. No caso do SARS-CoV-2, é difícil imaginar que seria uma possível arma biológica, já que o coronavírus têm uma baixa mortalidade, se comparado com outros patógenos.
Quais são os meios de transmissão e contágio desses patógenos?
Geralmente essas armas são disseminadas pelo ar. Elas podem ser espalhadas de outra maneira, como pela água, mas a maneira mais eficiente é pelo ar, pois você pode pulverizar uma área. A forma de contaminação varia de acordo com o patógeno: alguns precisam ser ingeridos, outros inoculados na mucosa, existem também os de transmissão sexual. Há várias maneiras, mas os patógenos pensados para serem utilizados como armas biológicas precisam ter uma fácil disseminação. Então geralmente eles são inalados pelo contato com uma chuva de gotículas ou um pó.
Há um risco real da produção de novas armas biológicas?
É possível reativar ou produzir novos vírus e bactérias em laboratório, os cientistas têm esse conhecimento através da engenharia genética possibilitada por ferramentas como a plataforma CRISPR/Cas9, por exemplo. Mas produzir novos patógenos não vale a pena economicamente, pois, para testá-los é necessária uma estrutura de biotecnologia e um laboratório com alto nível de biossegurança — o mais alto é o 4 — onde não haveria riscos dos pesquisadores entrarem em contato direto com o patógeno. Não é tão simples assim ter um laboratório desse nível escondido para produzir uma arma biológica. Então não é uma hipótese provável, considerando que já existem patógenos na natureza que podem ser usados com esse propósito.
Como são os laboratórios de nível 4 de biossegurança?
Os laboratórios de nível 4 são como salas dentro de salas. Para chegar ao 4 você precisa passar pelo 2 e depois pelo 3. Nele, a vestimenta utilizada pelos pesquisadores é como uma armadura formada por EPIs, para que haja a menor possibilidade possível de contato direto com o patógeno. Há também um nível de pressão do ar diferenciado para conter a circulação do vírus ou da bactéria.
Qual a importância dos laboratórios de nível 4?
Esses laboratórios podem ser usados para produzir armas biológicas, mas eles são necessários para que haja uma resposta a eventuais doenças e surtos. Uma das coisas mais importantes que podemos destacar hoje que tem sido feita no Brasil e no mundo é a formação de grupos de pesquisa para o rastreamento de patógenos emergentes. Isso, porque precisamos estar preparados para entrar em contato com eles: saber quais espécies deles existem, onde essas espécies estão, o que é possível ser feito para evitar a transmissão deles para os seres humanos. Esse tipo de vigilância é fundamental para estarmos preparados para possíveis novas pandemias.
Como o Brasil pode se beneficiar desse tipo de laboratório?
É fundamental que estejamos preparados. Hoje está no papel a construção de um laboratório nível 4 em Campinas e temos os de nível 3 em alguns locais do país. Em 2016, tivemos o Zika vírus, que foi uma emergência global mas estava agravado aqui, e em 2020 o Coronavírus. Em ambos os casos conseguimos responder rapidamente com pesquisas porque estávamos preparados, tínhamos laboratórios de nível 3 e profissionais capacitados. Se acontecer algo parecido com a Covid-19 apenas no Brasil, somos nós que teremos que responder. E um laboratório de nível de biossegurança 4 é o melhor local para estudarmos os patógenos quando ainda não os conhecemos, nem sabemos o que eles podem causar ou como se transmitem.
Quais são os níveis de biossegurança?
Nível 1 — O nível mais básico de biossegurança não possui barreiras primárias ou secundárias, apenas um local para a higienização das mãos, além das práticas padrões de microbiologia clínica.
Nível 2 — O laboratório conta com materiais de contenção primária ou dispositivos como uma cabine de segurança biológica. Escudos para borrifos, proteção facial e outros equipamentos de proteção individual são utilizados.
Nível 3 — O espaço possui cabines de segurança biológica ou outros equipamentos de contenção para as manipulações de patógenos. Os laboratórios possuem acesso controlado e sistemas de ventilação apropriados para a menor liberação de aerossóis infecciosos.
Nível 4 — O nível máximo de biossegurança é caracterizado pelo completo isolamento dos pesquisadores com relação aos patógenos manipulados. Essa proteção é realizada através de cabines de segurança biológica Classe III ou com um macacão individual suprido com pressão de ar. O laboratório geralmente é situado em uma área isolada e com complexos sistemas de ventilação e gerenciamento de resíduos.
Escrito por Pedro Ferreira | ICB-USP
Editado por Gabriel Martino | Agência Acadêmica de Comunicação
Em revisão de mais de 150 artigos, pesquisadores da USP e do Hospital Sírio Libanês constataram que o vírus tem se tornado mais ‘inteligente’, resistente ao sistema imune e com maior potencial de transmissão.
Por mais que o momento seja de relaxamento das medidas de prevenção à COVID-19 em todo o mundo, especialistas preveem que novas variantes do coronavírus podem estar por vir nos próximos meses, driblando a capacidade do sistema imune de contê-las. Esta é a conclusão de um estudo feito por pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), em parceria com o Instituto de Química (IQ-USP) e o Hospital Sírio Libanês.
Publicado na revista Viruses no dia 16 de abril, o estudo traz uma revisão de mais de 150 artigos sobre o SARS-CoV-2. Foram analisados diversos aspectos do vírus, como seu potencial de mutação, a capacidade de controle do sistema imune, a transmissibilidade e a eficácia das vacinas. “A principal conclusão a que chegamos é que não devemos deixar o vírus circular, porque não sabemos como serão as variantes nos próximos meses”, afirma Cristiane Guzzo, professora do Departamento de Microbiologia do ICB-USP e pesquisadora principal do artigo.
Segundo ela, é um erro acreditar que a pandemia está sob controle e que não se trata mais de uma emergência sanitária, como anunciou o Ministério da Saúde no último dia 18. “Estamos em uma situação confortável para os próximos meses – quando a imunidade criada pelas doses de reforço das vacinas e pelo alto índice de contaminação da Ômicron permanecerá alta. Mas depois a tendência é que as pessoas comecem a se infectar novamente e aí ficaremos sujeitos ao surgimento de variantes ainda mais contagiosas e fortes do que as que conhecemos, o que diminui a eficácia das vacinas. Como não temos como prever como será a evolução da pandemia e como as novas variantes vão se comportar, todo o cuidado ainda precisa ser feito pela sociedade de forma a evitar a circulação do vírus”, destaca.
Mais perigoso – No estudo, foi observado que o coronavírus é ainda mais mutável do que se imaginava. Isso porque a proteína Spike, parte superficial do vírus que faz contato com as células humanas, segue evoluindo. “Identificamos em primeira mão que 9,5% das mutações produzidas pelas variantes estão localizadas na região N Terminal (NTD) da proteína. Isso mostra que estas mutações não estão diretamente associadas à interação ao receptor humano ACE2, mas afeta principalmente a capacidade dos anticorpos humanos reconhecerem o vírus”, afirma Guzzo.
Os pesquisadores também constataram um número expressivo de mutações (7,7%) localizadas na região RDB, região que promove a interação com a ACE2. O que faz com que o contato entre vírus e célula humana seja maior e assim as contaminações aumentem. “A hipótese encontrada é de que a maioria das vacinas tem como princípio o estímulo da produção de anticorpos que inibam a interação entre a proteína Spike ao ACE2, de forma a diminuir a infecção viral. E uma das formas que o vírus encontrou para burlar essa inibição é modificar a região de interação do vírus com a célula humana”, enfatiza. “O vírus vem evoluindo com o objetivo de se manter vivo e para isso ele está se modificando principalmente para burlar a ação dos anticorpos e conseguir infectar o ser humano”, complementa.
Foram identificados seis mecanismos que a proteína Spike adquiriu de forma a aumentar a eficiência de transmissão do SARS-CoV-2. Um deles é o aumento da afinidade do Spike ao ACE2. Um outro é o aumento significativo da quantidade de proteínas Spike na superfície de cada partícula viral.
No artigo, os pesquisadores destacam que outras proteínas do vírus também estão se modificando. Isso ocasiona, por exemplo, o aumento da taxa com que o vírus consegue se multiplicar nas células humanas. “Por esses e outros fatores, o vírus vai aprendendo a driblar a ação dos anticorpos e se adaptar ao ser humano”, acrescenta.
O conjunto de mutações sendo observadas na proteína Spike pode sugerir que o SARS-CoV-2 possa evoluir para infectar outras células, além das células pulmonares. “O grande medo seria a infecção, por exemplo, de células neurológicas”, afirma Guzzo.
Aumento da transmissão – Além disso, foi observado que o período em que as pessoas começam a transmitir o vírus tem se iniciado cada vez mais cedo conforme as variantes surgem. Antes ainda do início dos sintomas.
“Vimos que 74% das transmissões pela variante Delta foram feitas por assintomáticos. Na variante original, as pessoas começavam a transmitir o vírus um dia antes do início dos sintomas. Já na Delta, isso passou a acontecer com dois dias de antecedência. São detalhes que mostram que o vírus está evoluindo na sua capacidade de se esconder em nosso organismo. O que também pode estar relacionado com o aumento na gravidade dos casos e na taxa de transmissão”, detalha.
“Isso explica por que cada pessoa contaminada com a variante original transmitia o vírus, em média, para duas pessoas. Já na Delta esse número aumentou para cinco e, na ômicron, a taxa varia entre sete e dez contaminações. Portanto, vale lembrar que as vacinas que temos hoje impedem a mortalidade e os casos graves da doença, mas não conseguem impedir que o vírus circule”, complementa.
“Isso explica por que cada pessoa contaminada com a variante original transmitia o vírus, em média, para duas pessoas. Já na Delta esse número aumentou para cinco e, na ômicron, a taxa varia entre sete e dez contaminações. Portanto, vale lembrar que as vacinas que temos hoje impedem a mortalidade e os casos graves da doença, mas não conseguem impedir que o vírus circule”, complementa.
Por Gabriel Martino | Agência Acadêmica de Comunicação
Chamada de AG-490, substância impediu 60% da morte celular em camundongos. Estratégia poderá resultar em um novo alvo terapêutico.
Foto: Freepik
Uma pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) traz uma perspectiva promissora em direção à cura da Doença de Parkinson. A doença é caracterizada pela morte precoce ou degeneração das células na região da substância negra do cérebro, responsável pela produção de dopamina (neurotransmissor). A ausência ou diminuição da dopamina afeta o sistema motor, causando tremores, lentidão de movimentos, rigidez muscular, desequilíbrio, além de alterações na fala e na escrita. Há também sintomas não-motores, como alterações gastrointestinais, respiratórias e psiquiátricas, por exemplo. Não há cura, apenas controle dos sintomas.
Publicada na revista Molecular Neurobiology, a pesquisa foi desenvolvida no Laboratório de Neurobiologia Celular, sob a coordenação do professor Luiz Roberto G. Britto, em conjunto com pesquisadores do Instituto de Química da USP e da Universidade de Toronto, no Canadá. “Em camundongos, conseguimos diminuir cerca de 60% da morte celular inibindo o TRPM2 – um dos canais de entrada de cálcio nas células do cérebro. Isso foi feito com uma substância à base da molécula tirfostina, chamada de AG-490”, afirma Britto. “Os camundongos que não receberam a substância apresentaram um resultado 70% pior nos testes comportamentais”, acrescenta.
A estratégia, segundo ele, interferiu com uma das quatro vertentes conhecidas pela Ciência pelas quais o Parkinson promove a morte dos neurônios. “Entre as causas estão algumas disfunções metabólicas e acúmulo anormal de proteínas, a neuroinflamação do cérebro, o estresse oxidativo provocado pelo acúmulo de espécies reativas de oxigênio e o aumento na atividade dos canais de entrada de cálcio — que nós conseguimos impedir ao menos em parte”, explica Britto. “Em todas as células do organismo, quando esses canais estão muito ativos, a tendência é que ocorra uma sobrecarga de cálcio. Isso ativa uma série de enzimas que degradam as estruturas das células, levando à sua morte”, complementa.
“Com o estudo, chegamos à conclusão de que quando bloqueamos o canal, a degeneração de neurônios, especificamente naquelas regiões onde os neurônios são mortos pela doença, diminuiu bastante. O mesmo aconteceu nos locais onde aqueles neurônios se projetam e têm contatos sinápticos, o que ajudou a preservar a dopamina, um neurotransmissor fundamental para os movimentos, entre outras funções”, explica.
Próximos passos – Os testes foram realizados em camundongos que receberam injeção da toxina 6-hidroxidopamina, que simula os efeitos da Doença de Parkinson. Os animais foram então divididos em dois grupos. Em um deles foi aplicada a substância AG-490; no outro, não. Após seis dias, passaram a ser realizados testes para avaliar a capacidade de equilíbrio e outros comportamentos motores dos animais. Depois de sacrificados, foi feita a contagem de neurônios que produzem dopamina na substância negra, que classicamente está envolvida com a Doença. A região onde elas se conectam, o estriado, também foi estudada em termos da presença de sinapses dopaminérgicas. Em ambas as regiões, houve menor prejuízo com a administração do AG-490, tanto em termos comportamentais como em termos do número de células e terminais degenerados.
Segundo Britto, antes de avançar para testes clínicos serão necessários muito mais estudos. “Para que tenhamos um fármaco à base de AG-490, precisamos ter certeza de que essa substância funciona depois da aplicação da toxina, já que por enquanto ela foi administrada ao mesmo tempo da injeção da toxina que produz o modelo de Parkinson. Vamos também testar animais geneticamente modificados para o TRPM2, esperando que eles sejam mais resistentes em termos da morte neuronal neste modelo. Além disso, é preciso estudar as possíveis consequências colaterais da injeção da substância.”
O estudo é fruto de uma linha de pesquisa de Britto, que investiga o assunto há mais de dez anos. Esta etapa da pesquisa foi desenvolvida durante a tese de doutorado da bióloga Ana Flávia Fernandes Ferreira. Em um estudo anterior, feito pelo mesmo grupo, foi obtido um resultado similar com outra substância, o carvacrol, só que este bloqueia um canal celular diferente, o TRPM7, mas que faz parte da mesma família de canais para o íon cálcio que o TRPM2.
Avanços nos estudos que buscam a cura da Doença de Parkinson são urgentes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição atinge 1% das pessoas com mais de 65 anos e chega a 4% entre a população com mais de 80 anos. Um estudo publicado na revista Lancet mostra que entre 1990 e 2015 os casos de Parkinson dobraram em virtude do envelhecimento da população mundial, saltando de cerca de 26 mil casos a cerca de 62 mil a cada um milhão de habitantes.
“Neste sentido, as perspectivas para o futuro não são boas, porque imagina-se que até 2050 parte considerável dos idosos esteja vivendo até os 120 anos. As soluções então precisam ser imediatas para a segunda doença neurodegenerativa mais comum, atrás apenas da Doença de Alzheimer. Hoje a Medicina trata apenas dos sintomas da doença para tentar melhorar a qualidade de vida do paciente, mas não impede que, com o tempo, eles progridam e que a degeneração das células do cérebro continue e agrave a doença.”
Por Gabriel Martino | Agência Acadêmica de Comunicação
A primeira foi de alunos de uma escola pública da capital, que puderam observar o acervo extenso sobre o corpo humano, com peças exclusivas.
Na última quinta-feira, 14 de abril, o Museu de Anatomia Humana Alfonso Bovero (MAH), localizado no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), na capital paulista, a reabriu suas portas ao público, após mais de dois anos fechado devido à pandemia. A reabertura ocorreu com uma visita de alunos do terceiro ano de ensino médio da Escola Estadual Professor Jamil Pedro Sawaya, situada na Vila Matilde, na Zona Leste de São Paulo.
O evento foi promovido pelo Giro Cultural, projeto desenvolvido pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da USP. Uma iniciativa que oferece ao público passeios guiados gratuitos dentro e fora do campus universitário, a fim de divulgar o patrimônio científico, cultural e arquitetônico da Universidade.
Na visita, os pré-vestibulandos foram acompanhados por monitores do programa e do Museu. Eles tiveram contato com um acervo extenso de peças sobre o corpo humano, que vai desde órgãos, ossos e tecidos a peças mais exclusivas como um coração afetado pela Doença de Chagas ou uma série de fetos com anomalias raras. O acervo foi montado ao longo das primeiras décadas do século XX pelo professor Alfonso Bovero, um dos fundadores da Faculdade de Medicina da USP.
“O Museu de Anatomia Humana faz parte do nosso roteiro científico, que também contempla os museus de Anatomia Veterinária, Geociências e Oceanografia. No projeto, atendemos grupos de até 40 pessoas, na maioria das vezes composto por alunos de ensino médio, e o MAH é um dos mais procurados pelas escolas”, destaca Camilla Almeida, monitora do programa.
Ferramenta de inclusão – O Giro Cultural, assim como o Museu de Anatomia Humana, tem a proposta de levar o conhecimento universitário para uma população que vive em locais onde o acesso à informação é limitado. “Projetos como esse são muito importantes, porque nossos adolescentes da periferia acabam tendo uma visão muito pequena do todo. Por mais que em sala de aula nós indiquemos a possibilidade de cursar uma faculdade, para eles parece tudo muito distante. Assim, quando têm a oportunidade de acessar espaços como o MAH, essa distância diminui. Dá uma certeza de que eles têm mais chances do que, em tese, lhes é ofertado”, afirmou professora Adriana Sampaio, que acompanhou o grupo.
Parte do trabalho do Giro Cultural está justamente em mostrar aos alunos as diferentes formas de ingresso na Universidade. “A gente sempre busca apontar quais são as políticas de permanência e de inclusão da Universidade, como as cotas raciais e as cotas para estudantes de escola pública, porque muitos jovens não têm acesso a essas informações”, acrescenta Camilla Almeida.
Para Lívia Figueiredo, monitora do Museu, a reação dos visitantes demonstra a importância do MAH. “A resposta que os estudantes de ensino médio têm do Museu é muito diferente da forma como os alunos de graduação reagem às peças. Os adolescentes têm muita curiosidade, é tudo muito novo e empolgante, eles chegam com vontade de aprender”, pontua. Exemplo disso é a estudante Nayara Silva. “Eu, que quero seguir carreira na área da saúde, gostei bastante porque vi coisas que nem sabia que existiam ou que eram possíveis, como o rosto de uma mulher perfeitamente conservado em formol. É incrível”, afirmou.
Como participar – As visitas guiadas pelo Giro Cultural são gratuitas e podem ser feitas por alunos, professores, funcionários da USP e todo o público em geral. As informações sobre o agendamento podem ser conferidas no site do projeto. Dúvidas podem ser sanadas por telefone (11 3091-1190) ou e-mail (girocultural@usp.br).
No momento, o museu ainda não está aberto para visitas individuais. Mas as de grupo podem ser agendadas por telefone (11 3091-7360) e ocorrem de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 15h. O valor do ingresso é de R$ 2,00 por visitante, para instituições públicas, e R$ 5,00 por visitante, para instituições particulares. Outras informações podem ser obtidas por e-mail (mah@icb.usp.br).
Por Gabriel Martino | Agência Acadêmica de Comunicação
Pedro Ferreira | ICB-USP
Plataformas de microscopia on-line se fortalecem durante a pandemia e seguem com alta adesão no retorno das aulas presenciais.
Tecido epitelial que reveste o rim. Imagem retirada do site Microscopia On-line
O Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) utilizou duas alternativas para manter o ensino da disciplina de Histologia o mais fiel possível às experiências de laboratório, durante o período de ensino a distância na pandemia: o site Microscopia On-line (MOL) e o Laminário Virtual Omero. Agora, com o retorno total das aulas presenciais na USP, os recursos seguem disponíveis para consulta, o que auxilia nos estudos dos graduandos quando estão fora das salas de aula.
Histologia é uma matéria que consiste no estudo dos tecidos do corpo humano. É uma disciplina obrigatória aplicada no ICB aos alunos dos primeiros anos de graduação de praticamente todos os cursos da área de saúde e de ciências biológicas. O seu ensinamento é baseado, em grande parte, na observação em microscópios.
Criada em 2004, o MOL é uma plataforma de acesso aberto e gratuito, exceto para utilização comercial. Desenvolvida pelo professor sênior do Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento do ICB, Paulo Abrahamsohn, ela abrange desde os módulos gerais e mais básicos até os mais específicos de cada disciplina.
“Em 2017, atualizamos o site para a sua terceira versão. Durante a pandemia continuamos aumentando o acervo e temos agora quase quinhentas páginas de conteúdo com imagens capturadas por microscópios do nosso departamento e digitalizadas, que contemplam os tecidos humanos, com exceção das imagens de olho e ouvido, que estão sendo implementadas”, informa Abrahamsohn. Ele completa que “isso é importante porque alguns alunos têm em sua grade apenas uma pequena parte da disciplina, enquanto outros têm ela completa, com módulos mais específicos de sua área de formação. Como os alunos de odontologia, que precisam estudar os pormenores da histologia oral”.
Abrahamsohn define o site como um “tutorial” para o ensino da Histologia. A definição se dá em função do tipo de conteúdo, que apresenta de maneira didática o que está sendo mostrado nas imagens. “Tentamos incluir no texto todos os detalhes do que está sendo exibido para que o aluno possa estudar por conta própria. Além disso, quando você passa o mouse em cima da ilustração, ela muda de cor e indica a estrutura que deve ser observada. Isso ajuda o estudante a localizá-las, algo que eles têm dificuldade de enxergar, mesmo durante as aulas presenciais”, complementa.
Já o Laminário Virtual é definido pelo seu criador, o professor Fábio Siviero, também do Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento, como o “Google Earth” da Histologia. Assim como a plataforma do Google, ele permite navegar, dar zoom, anotar, medir estruturas presentes nas lâminas, entre outros recursos disponíveis, além de armazenar um grande banco de dados.
“Começamos o Laminário Virtual em 2009 de forma presencial, usando salas informatizadas; em 2015 começamos a disponibilizar uma versão on-line,quando introduzimos as primeiras lâminas em um servidor utilizando a plataforma Omero”, destaca Siviero. Trata-se de um software gratuito, de hospedagem de imagens de alta definição, que permite utilizar imagens de todos os tipos (jpeg, .png, .tiff etc), inclusive imagens clínicas e de formatos utilizados em pesquisas (DICOM, zvi etc), como aquelas utilizadas em aparelhos de tomografia, ressonância magnética e microscópios eletrônicos. Isso fez com que possamos navegar por elas e que o aluno possa utilizar a ferramenta sem sentir grandes diferenças em relação ao microscópio”, destaca Siviero.
Com o aumento da demanda durante a pandemia, a plataforma passou por uma grande reformulação. Com as aulas remotas, foi preciso abrigar mais conteúdo para que a plataforma contemplasse mais disciplinas. “Criamos uma nova versão, atualizando o software e introduzindo uma coleção de lâminas maior e que inclui lâminas de histologia de sistemas (área da histologia que lida com órgãos), histologia de desenvolvimento, de fertilização, entre outros temas. Hoje temos 166 lâminas disponíveis para serem utilizadas em qualquer lugar e mais de 600 lâminas para uso interno no servidor do ICB. Antes disso, tínhamos uma coleção on-line relativamente pequena. Eram apenas as lâminas principais de histologia básica”.
Rompendo barreiras – Durante a pandemia, o MOL registrou um crescimento significativo na quantidade de acessos. “Chegamos a ter uma média de 40 mil visitantes mensais, um crescimento de 30%. E por ser uma ferramenta de acesso aberto, temos visitantes de diversas regiões do país, da América Latina, dos demais países que falam português e até dos Estados Unidos, da Ásia e da Europa”, afirma Abrahamsohn.
Já o Laminário Virtual é uma plataforma de uso restrito aos alunos da USP que cursam disciplinas relacionadas ao ensino da Histologia no ICB. Desta forma, ele é aplicado para 3.700 estudantes em 14 unidades, distribuídos em 44 disciplinas. Mas, com a alta demanda criada pelo ensino remoto, passou a ser disponibilizado para alunos de outras unidades da USP, como a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FZEA-USP), localizada em Pirassununga, e pelo curso de medicina da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP), além de outras instituições públicas do país que solicitaram seu uso, como a Universidade Federal da Bahia.
Feedback positivo – “O retorno que tivemos dos alunos é que dá para adotar aulas neste modelo com tranquilidade, de forma remota, simulando a aula prática presencial. Além de recomendarmos que os docentes o utilizem nas aulas, também achamos importante que os estudantes usem o Laminário depois da aula. A Histologia é igual o ensino de uma língua estrangeira, é preciso praticar para reconhecer o novo vocabulário. Os alunos recebem roteiros de estudos dirigidos, que são fundamentais para essa prática”, afirma Siviero.
Ao MOL, o retorno também é positivo. “É um conteúdo que alguns materiais didáticos utilizam como um estudo complementar às aulas. Mas muitos alunos também o usam durante as aulas práticas, pois dizem que o site os ajuda a acompanhar. Costumamos receber muitos e-mails com elogios e até pedindo correções de pequenos erros que às vezes cometemos. É um sinal de que eles leem com atenção”, complementa Abrahamsohn. As avaliações positivas são potencializadas pelo fato de ambas as plataformas serem responsivas, o que garante a visualização das imagens em qualquer dispositivo móvel sem perda significativa de qualidade.
Por Gabriel Martino | Agência Acadêmica de Comunicação
Professora Irene Yan, do Laboratório de Embriologia Molecular de Vertebrados, explica o imbróglio e seus possíveis desdobramentos. Caso não afeta a ciência básica.
Professora Irene Yan em palestra sobre o tema
Nas últimas semanas, um processo jurídico nos Estados Unidos sobre quem detém as patentes do sistema CRISPR/Cas9, ferramenta poderosa de edição de genes, ganhou o noticiário científico internacional. Espera-se que o imbróglio, relatado pela revista Nature, dure anos e há um medo de que isso possa acabar colocando em xeque o futuro da tecnologia — ao menos para as grandes empresas — e atrase o desenvolvimento de novas terapias.
Há dois grupos de pesquisadores de instituições norte-americanas na disputa. O grupo da Universidade da Califórnia, liderado por Jennifer Doudna e Emmanuelle Charpentier, alega ser detentor da plataforma por ter descoberto o método e ter registrado a patente inicial, em 2012. Enquanto o grupo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e da Universidade de Harvard, liderado por Feng Zhang, acredita ter este direito por ter possibilitado a sua aplicação em humanos.
O CRISPR (Conjunto de Repetições Palindrômicas Curtas Regularmente Interespaçadas, em tradução livre para o português) é uma espécie de biblioteca das bactérias que têm as pistas para encontrar a “tesoura”, no caso a enzima Cas9, que possibilita mudar o código genético de uma célula, “cortando” com precisão e eficiência uma única região do genoma Assim, é possível orientar as células a produzirem ou não produzirem determinadas proteínas.
O sistema, encontrado na Universidade da Califórnia, ocorre naturalmente no sistema imune das bactérias, onde são produzidos RNAs que direcionam a enzima Cas9 para degradar o DNA de vírus invasores. Após sua descoberta, o grupo de pesquisadores conseguiu cloná-lo e aperfeiçoar essa atuação conjunta entre RNA e a enzima.
Até então, o CRISPR/Cas9 só funcionava em bactérias, que são seres procarióticos (sem núcleo). Então, o grupo de Harvard e MIT conseguiu adaptá-lo para atuar em seres vivos com células eucarióticas (com núcleo), ou seja, em humanos, animais, plantas, fungos e protozoários.
Para comentar o caso e os possíveis impactos no desenvolvimento de pesquisas, o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) entrevistou a professora Irene Yan, do Laboratório de Embriologia Molecular de Vertebrados.
O quão revolucionária é essa tecnologia?
Ela é extremamente revolucionária porque possibilita editar genes com uma facilidade nunca antes vista. Antes, demorávamos seis meses para produzir um camundongo modificado. Hoje fazemos isso em menos de três meses. É um processo muito mais rápido, barato e simples do que tínhamos antes.
E porque ela é aplicável em todas as situações nas quais é preciso fazer a edição genômica. Isso é utilizado nas mais variadas formas de pesquisa básica, que busca desvendar mecanismos de funcionamento dos seres vivos. E em pesquisas avançadas, modificando células e animais visando à aplicação de testes clínicos com o viés de desenvolver novas terapias.
O sistema CRISPR/Cas9 foi utilizado, por exemplo, para rapidamente criar modelos animais que simulam patologias genéticas humanas. Além disso, a tecnologia comprovou-se eficaz na correção de mutações pontuais em linhagens celulares derivadas de pacientes. Estes ensaios e experimentos de pesquisa básica são necessários para otimizar a ferramenta antes dos testes para aplicações clínicas.
Como essa tecnologia tem sido usada no ICB?
No ICB, o sistema CRISPR/Cas9 tem sido amplamente usado para alterar o genoma de diversos modelos experimentais: desde linhagens celulares do sistema imune até embriões de galinha e mosquitos. Muitas destas alterações visam – não um aplicação clínica- mas elucidar questões de biologia celular fundamentais, removendo a atuação de uma proteína específica.
No nosso trabalho aqui no ICB e na maioria das pesquisas básicas não tem impacto, porque são estudos que não visam o lucro. Mas se é uma grande indústria que está desenvolvendo uma terapia que tem a edição gênica como base, ela não pode ser comercializada até que a justiça americana defina quem detém as patentes para pagar os royalties corretamente. E se tratando de pesquisas biomédicas, há um potencial de venda enorme desses produtos, pois são soluções que salvam vidas. Desta forma, eu imagino que é possível que as grandes corporações estejam buscando alternativas.
Já existem alternativas ao CRISPR?
Hoje a ciência busca aplicar outras enzimas em sistemas similares com o intuito de produzir outros efeitos. Por exemplo, proporcionar por meio do Cas13d, a modulação da expressão de um gene, alterando os níveis de RNA sem precisar mexer no código genético. Essas pesquisas já aconteciam independentemente do imbróglio legal e pelo fato do CRISPR/Cas9 ter sido descoberto, fica mais fácil desenvolver novas tecnologias pois os cientistas já sabem o “caminho das pedras”. No entanto, não deixa de ser um processo demorado para ser implementado em projetos gigantes.
É possível desenvolver novos sistemas sem precisar esperar a definição das patentes?
Como não se trata do CRISPR/Cas9, não há problemas em criar novos sistemas. No entanto, se eu desenvolver um produto comercial que utiliza o Cas9, ela não poderá ser usada por enquanto. Hoje há mais de 11.000 famílias de patentes em tecnologias relacionadas à plataforma.
Por Gabriel Martino | Agência Acadêmica de Comunicação
Em camundongos, o imunizante causou a regressão dos tumores em 100% dos animais tratados e não apresentou toxicidade. Tecnologia da vacina pode ser adaptada para diversas outras doenças.
Foto: Freepik
Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) desenvolvem uma vacina terapêutica que, em camundongos, foi capaz de eliminar tumores associados ao papilomavírus humano (HPV), principal agente causador do câncer do colo do útero. Publicado na revista International Journal of Biological Sciences, o estudo mostrou que quando associado à quimioterapia baseada em cisplatina, o imunizante induziu resposta antitumoral específica capaz de eliminar tumores em estágio avançado de desenvolvimento, sem causar danos no fígado, nos rins ou induzir perda de peso nos animais, ou seja, não apresentou toxicidade. Pesquisadores conduzem agora a prova de conceito em humanos.
Provas de conceitos – A pesquisa foi desenvolvida ao longo dos últimos anos no modelo de roedores de tumores associados ao HPV-16 baseado em células TC-1, amplamente utilizado por vários grupos desta área de pesquisa. Atualmente, uma prova de conceito clínica está sendo conduzida com pacientes diagnosticadas com neoplasia intraepitelial cervical (NIC) de alto grau, um estágio precursor ao câncer do colo do útero, no Hospital das Clínicas da USP (HC-USP). “Conseguimos fazer a prova de conceito em camundongos e agora estamos validando os resultados em humanos, acompanhando um grupo pequeno de pacientes tratadas por um período de seis meses a um ano. A publicação dos novos resultados deverá ser feita em meados de 2023 e então, partiremos para testes clínicos mais abrangentes, para avaliar a segurança e a eficácia do imunizante. Os resultados alcançados com as pacientes são muito animadores”, afirma Bruna Porchia, pós-doutoranda do ICB e primeira autora do estudo.
Esta pesquisa é conduzida por dois laboratórios do ICB: Imunologia de Tumores, que é coordenado pelo professor José Alexandre Marzagão Barbuto, e Desenvolvimento de Vacinas, coordenado pelo professor Luís Carlos de Souza Ferreira, além da empresa ImunoTera Soluções Terapêuticas, startup parceira do ICB fundada por Porchia e por Luana Raposo Aps, pesquisadora colaboradora do Instituto. O estudo conta ainda com o apoio da Divisão de Ginecologia do HC-USP, por meio dos professores Edmund Chada Baracat e José Maria Soares Junior, e da médica ginecologista Maricy Tacla. O estudo recebeu apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
A aplicação do imunizante em humanos é feita de forma indireta. É retirada uma amostra de sangue da paciente e, em laboratório, as células dendríticas são isoladas e ativadas in vitro com o imunizante. Após a ativação, as células retornam à paciente na forma de uma injeção. É quando as células dendríticas ‘ensinam’ o sistema imunológico, por meio dos linfócitos T, a reconhecer e eliminar as células tumorais ou precursoras dos tumores, conhecidas como neoplásicas, no colo uterino.
Devido ao longo caminho regulatório que deve ser percorrido até o imunizante ser aplicado de maneira convencional nos pacientes, o método indireto possibilitou a realização desta prova de conceito clínica e a validação dos resultados alcançados nas duas últimas décadas de pesquisa. O estudo foi previamente aprovado pelos comitês de ética em pesquisa com seres humanos do ICB e do HC-USP e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP).
Tecnologia pioneira – O imunizante é feito com base em uma proteína recombinante que possibilita a ativação do sistema imune. “Trata-se de uma vacina capaz de induzir uma resposta específica a um alvo terapêutico e que, ao contrário de métodos como a quimioterapia e a radioterapia, não afeta células saudáveis do organismo. Com isso, é possível eliminar as neoplasias do colo uterino aliado a uma baixa toxicidade”, afirma a pesquisadora.
Com base nos testes já realizados, a tecnologia pode ser aplicada para combater outras doenças crônicas ou infecciosas. “As possibilidades são muitas. Podemos desenvolver, por exemplo, vacinas para câncer de mama, câncer de próstata, tuberculose, hepatite, Covid-19, Zika e HIV”, destaca.
Aplicado em duas doses, o imunizante poderá tratar tumores em estágios iniciais porque é nesse momento em que consegue melhor resposta do organismo. “Quando um câncer evolui, criam-se mecanismos de evasão que muitas vezes superam a capacidade do sistema imune de eliminá-lo. Neste caso, a associação da vacina com outras terapias pode trazer bons resultados”.
HPV e câncer – Em 99,7% dos casos, o câncer do colo do útero é causado pelo HPV. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença, também conhecida como câncer cervical, é a principal causa de morte entre mulheres na América Latina e no Caribe, ocasionando 35,7 mil óbitos a cada ano. No Brasil, é o quarto câncer mais comum em mulheres, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA).
Embora a vacina contra o HPV faça parte do Programa Nacional de Imunizações do Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2014, as doenças causadas pelo vírus continuarão a ser problema de saúde pública no Brasil devido à baixa cobertura vacinal. Em 2021, por exemplo, apenas 55% da população-alvo foi imunizada no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. “Quando a infecção pelo HPV persiste e evolui para NIC e posteriormente para o câncer do colo do útero, as formas de tratamento incluem cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou combinações destas terapias. Além de invasivas, essas terapias trazem muitos efeitos colaterais que comprometem a qualidade de vida das pacientes”, explica a pesquisadora.
Por Gabriel Martino | Agência Acadêmica de Comunicação
Abertura do evento foi feita pelo reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior e pela diretora do Instituto, a professora Patrícia Gama.
Na última segunda-feira (14/3), teve início a Semana de Recepção aos Calouros no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) para dar boas-vindas e aclimatar os 40 novos alunos em Ciências Biomédicas e os dez em Ciências Fundamentais da Saúde. O evento contou também com a participação de alunos que ingressaram nos dois anos anteriores, mas que não tiveram a oportunidade de cursar as aulas presenciais por causa da pandemia da Covid-19. A cerimônia foi realizada no auditório Prof. Luiz Rachid Trabulsi, no ICB-III, e aberta pelo reitor da USP Carlos Gilberto Carlotti Junior em uma transmissão ao vivo, pelo Youtube, destinada a todos os calouros da USP. Na sequência, foram realizadas diversas palestras, entre elas a da diretora do Instituto, a professora Patrícia Gama.
“Vocês estão entrando na Universidade melhor ranqueada da América Latina, com muitas oportunidades. Aproveitem todas elas. Não se limitem às atividades curriculares obrigatórias”, destacou Carlotti, cuja fala foi reforçada pela diretora do ICB. Patrícia Gama lembrou que os alunos devem aproveitar a conquista e o momento de retomada presencial. “Aproveitem ao máximo a chance de aprender junto com a pesquisa. Vocês têm a chance de frequentar os laboratórios e viver tudo que o Instituto oferece. É o que a gente chama de experiência acadêmica.”
Ensino, pesquisa e extensão – Nas palestras, os calouros tiveram a oportunidade de receber informações mais aprofundadas sobre o Instituto, seus cursos e o papel do ensino superior público que é alicerçado no tripé ‘ensino, pesquisa e extensão’. “A USP é o que é porque não separa este tripé. Vocês irão perceber que vão passar de um item para outro naturalmente. E terão uma carga horária grande de aulas em laboratório, sendo orientados por professores com uma vasta obra em suas linhas de pesquisa que, além de ensinarem os conceitos básicos de suas disciplinas, trazem as principais atualizações sobre os temas. Esse é o diferencial”, destacou a professora Luciana Venturini Rossoni, presidente da Comissão de Graduação e coordenadora do curso de Ciências Biomédicas.
Para explicar sobre o funcionamento da pesquisa científica – uma das áreas nas quais o Instituto se notabiliza –, a convidada foi a professora Marimelia Porcionatto, do Departamento de Bioquímica da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp). Ela orientou os novos alunos sobre a forma de ingresso na pesquisa, dando dicas sobre como encontrar orientadores, as competências necessárias para ser um pesquisador, iniciação científica e pós-graduação, meios de fomento à pesquisa etc. “Temos que lembrar sempre que nossas pesquisas são, na maioria dos casos, financiadas por dinheiro público. Então precisamos ter muita responsabilidade e compromisso com a sociedade para devolver o investimento que foi feito”, destacou.
Até sexta-feira (19/3), os calouros participarão de uma série de atividades para se adaptarem mais rapidamente e aproveitarem todas as oportunidades que terão no ICB. Confira a programação aqui. Para Enzo Costa Zonta, calouro de Ciências Fundamentais para a Saúde, participar da Semana está sendo uma experiência valiosa. “Minhas expectativas são altas para essa semana. O primeiro dia foi muito produtivo. Pude solucionar boa parte das minhas dúvidas e tirar a ansiedade que estava sentindo.”
Nesta semana, a USP também retomou as aulas presenciais. Por isso, as orientações de prevenção à Covid-19 foram enfatizadas constantemente no evento do ICB. “É obrigação dos alunos não só seguir as normas como garantir que elas sejam seguidas pelos colegas. Agora vocês vão ter uma função importantíssima para a sociedade, que é ensinar a se portar da forma correta no final de pandemia. Nós, enquanto promotores de saúde, somos responsáveis por acabar com ela”, disse Rossoni.
Por Gabriel Martino | Agência Acadêmica de Comunicação
Calouros e alunos que iniciaram a graduação em 2021 terão cinco dias de palestras, oficinas, gincanas, entre outros eventos. Confira a programação completa.
Nesta segunda-feira (14), o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) dará as boas-vindas aos 40 novos estudantes de graduação em Ciências Biomédicas e aos dez novos alunos de graduação em Ciências Fundamentais da Saúde. Às 8 horas, será inaugurada a Semana de Recepção aos Calouros, cuja programação se estenderá até as 18 horas de sexta-feira (18).
Intitulado de “Essa é a nossa história, e agora ela é sua também”, o evento tem o objetivo de apresentar todo o Instituto e seus mais de 50 anos de história aos graduandos. E de fazê-los se sentirem acolhidos pelos colegas e docentes com quem conviverão durante os oito semestres das graduações.
A Semana também irá recepcionar os alunos que ingressaram no ICB em 2021 e que por conta da pandemia ainda não tiveram a oportunidade de conhecer o Instituto e os colegas presencialmente.
A abertura do evento será feita pela Reitoria da USP, com a participação do Prof. Dr. Carlos Gilberto Carlotti Júnior (reitor), Profa. Dra. Maria Arminda (vice-reitora) e Prof. Dr. Aluísio Segurado (Pró-reitor de Graduação). Em seguida, às 8h30, os alunos serão convidados a um café da manhã na área externa do Instituto.
A refeição será custeada pela Comissão Organizadora da Semana de Recepção aos Calouros do ICB, que também distribuirá um kit de máscaras PFF2 e um kit com canecas, camisetas e outros itens de seus respectivos cursos — adquiridos por meio de uma vaquinha on-line. Logo após o café, os alunos serão apresentados ao Instituto por meio de discursos da Diretoria, Comissão de Graduação e das coordenadorias de seus cursos.
E assim começa a Semana, que terá uma programação extensa com palestras, mesas-redondas, oficinas, gincanas e até mesmo uma tarde destinada à doação de sangue na Faculdade de Enfermagem da USP, fruto da campanha Compartilhando Hemácias. Para doar, é necessário realizar o cadastro no site da Fundação Pró-Sangue e informar que está doando pelo “ICB-USP”.
A realização da Semana de Recepção aos Calouros do ICB conta com o apoio das empresas Sallex, Sigma e Alesco. Confira a programação do evento na íntegra.
Segurança em primeiro lugar – O evento dará início a uma nova fase da Universidade, com o retorno completo das atividades presenciais. Desta forma, os alunos serão orientados a evitarem aglomerações, permanecerem de máscara, fazerem suas refeições em áreas externas, respeitarem a capacidade máxima de pessoas nos banheiros, entre outras normas de prevenção à Covid-19.
O ICB, assim como a USP, repudia atos de violência e constrangimento aos calouros. E por isso, faz questão de destacar que os ingressantes que se sentirem importunados podem ser atendidos pela central de atendimento Disque-Trote, no número 0800-012-1090 ou no email disquetrote@usp.br.
Por Gabriel Martino | Agência Acadêmica de Comunicação
Curso será a distância e abordará oito tópicos sobre o uso de medicamentos e distúrbios psiquiátricos, assim como a dependência criada pelos fármacos. As inscrições estão abertas até o dia 10 de abril.
A medicalização exagerada ou equivocada, aliada à influência exacerbada da indústria farmacêutica na atuação médica, são alguns dos principais desafios da psiquiatria na atualidade. Para introduzir o tema para médicos, psicólogos, farmacêuticos e estudantes sobre o assunto, o Departamento de Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) irá promover uma nova edição do curso de extensão “Introdução à Psicofarmacologia Clínica”, que será realizado a distância entre os dias 25 de abril e 13 de junho.
Elaborado e ministrado por Moacyr Luiz Aizenstein, professor graduado em Farmácia e Bioquímica com doutorado em Fisiologia pela USP e pós-doutorado em Psicofarmacologia pela Universidade da Califórnia (UCSD), o curso aborda essas questões em conjunto com os mecanismos relacionados ao uso destes medicamentos e os resultados de sua utilização. Serão abordadas, as funções fisiopatológicas e bioquímicas relacionadas aos distúrbios psiquiátricos e aos fármacos utilizados.
“A sobreutilização de medicamentos psiquiátricos traz consequências ao paciente, muitas vezes de dependência. Além disso, muitas vezes, não há uma patologia, mas sim sintomas que refletem um momento específico do indivíduo ou até mesmo uma reação à medicação que não foi empregada corretamente”, afirma Aizenstein.
O curso tem 24 horas/aula e é dividido em oito módulos: Introdução à Farmacologia do Sistema Nervoso Central (25/04); A comunicação no Sistema Nervoso Central (02/05); Fatores e mecanismos moleculares relacionados à ocorrência de tolerância e dependência aos fármacos (09/05); Etilismo: Dependência e tratamento (16/05); Farmacologia dos sedativos e hipnóticos (23/05); Tratamento farmacológico da depressão e dos transtornos de ansiedade (30/05); Tratamento farmacológico das psicoses (06/06) e Fármacos psicoestimulantes: Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (13/06).
As inscrições podem ser feitas até 10 de abril por meio deste formulário e o valor é de R$ 120,00. Além das aulas teóricas, serão realizados exercícios e um fórum de debates. As aulas serão gravadas e podem ser acessadas a qualquer momento durante o curso. Serão fornecidos certificados aos alunos que obtiverem aproveitamento em 70% dos exercícios e participação em 85% das aulas.
Serviço
Curso “Introdução à Psicofarmacologia Clínica”
Inscrições: até 10/04/2022 neste link
Realização: 25/04 a 13/06/2022
Contato: aizenst@icb.usp.br
Por Gabriel Martino | Agência Acadêmica de Comunicação