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ICB-USP irá testar milhares de fármacos para combater o novo coronavírus

Em parceria com farmacêuticas brasileiras, pesquisadores testam medicamentos já existentes, agilizando a descoberta de um tratamento para a doença.


07/04/2020

 

O Laboratório Phenotypic Screening Platform, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), começou na última semana (30/3) a testar medicamentos para combater a Covid-19. Referência mundial em triagem fenotípica para reposicionamento e descoberta de novos fármacos, o grupo possui uma parceria com a Eurofarma, que cedeu sua biblioteca de cerca de 1.500 fármacos para a pesquisa, e. Além disso, a equipe vem firmando novas parcerias com outras farmacêuticas para a triagem dos medicamentos já comercializados no Brasil, e também para testar produtos para a prevenção da Covid-19 em desenvolvimento por start-ups brasileiras.

 

Segundo Lucio Freitas-Junior, coordenador do laboratório, a técnica de triagem fenotípica consiste em avaliar a atividade antiviral de compostos em células infectadas com o SARS-CoV-2, em testes in vitro. As células são colocadas em placas de ensaio e cada uma recebe diferentes compostos. As análises são feitas de modo automatizado, com a tecnologia High Content Screening, que permite analisar dezenas de milhares de fármacos simultaneamente toda semana. O pesquisador estima que em cinco semanas já terão os resultados dos testes de mais de 2500 compostos, e a partir desse momento será possível testar até 4 mil compostos por semana.

 

As moléculas estudadas são fármacos já aprovados para o tratamento de outras doenças e produzidos em território brasileiro. “A grande vantagem é agilizar o processo de descoberta de um tratamento. Um medicamento pode levar até 10 anos para ser produzido, testado e aprovado. Nós não temos esse tempo. Precisamos agir agora”, explica o pesquisador.

 

Por se tratar de um vírus que causa doença potencialmente letal e para o qual ainda não existem vacinas ou tratamento específico, o estudo de triagem fenotípica é desenvolvido no Laboratório de Nível de Biossegurança 3 (NB3) do Departamento de Microbiologia, coordenado pela professora Ana Marcia Sá Guimarães. A equipe de Freitas-Junior já foi treinada para atuar no laboratório de alta segurança.

 

O projeto foi possível graças ao cultivo do novo coronavírus feito pelo grupo do pesquisador Edison Luiz Durigon, também do ICB, que recebeu amostras dos primeiros pacientes infectados no final de fevereiro, enviadas pelo Hospital Albert Einstein. “Nós temos o vírus sendo produzido na quantidade necessária para as triagens, o laboratório NB3 e a equipe altamente especializada em descoberta de fármacos e triagem fenotípica, que é uma tecnologia muito específica. Esses são os nossos três pilares”, destaca Freitas-Junior.

 

A iniciativa se destaca pela participação de diversos especialistas em diferentes áreas de conhecimento que estão trabalhando juntos para a descoberta de antivirais para Covid-19 – como Luís Carlos de Souza Ferreira, diretor do ICB, e os virologistas Edison Luiz Durigon e Paolo Zanotto. Também participam do estudo Carolina Borsoi Moraes, especialista em triagem fenotípica da UNIFESP, além de pesquisadores do Instituto de Física e do Instituto de Química da USP de São Carlos e da UNICAMP.

 

Além disso, o grupo do ICB vem recebendo compostos para triagem de diversos grupos de todo o Brasil e faz parte de consórcios internacionais que buscam novos fármacos para tratamento da Covid-19. “Também é missão da Universidade atuar junto à sociedade para atender a demandas de saúde. Por isso, a plataforma de triagem fenotípica do ICB busca estabelecer parcerias com grupos de pesquisa do Brasil e do exterior, bem como empresas nacionais e internacionais, para o teste de novos candidatos a fármacos e de produtos destinados à prevenção da covid-19 e outras doenças virais”, afirma Freitas-Junior.

 

Intervenções em outras epidemias – O grupo de Lucio Freitas-Junior é um dos líderes mundiais na área de triagem fenotípica para doenças negligenciadas e há cerca de 15 anos se dedica ao descobrimento de fármacos para malária, leishmaniose, doença de Chagas e dengue, além de doenças emergentes, como Chikungunya e Zika. O pesquisador trabalhou durante oito anos no Instituto Pasteur da Coreia do Sul e liderou o Center for Neglected Diseases Drug Discovery, onde as triagens fenotípicas foram desenvolvidas pela primeira vez para diversas dessas doenças.

 

Durante o surto da Febre Amarela em 2016, em São Paulo, seu laboratório descobriu que um remédio usado contra hepatite C era eficiente no tratamento da doença. O fármaco chegou a obter sucesso em testes em pacientes no Hospital das Clínicas. O grupo também já identificou fármacos capazes de destruir o vírus da Chikungunya em testes in vitro, além de ter identificado fármacos para reposicionamento para tratamento da Zika, em um trabalho pioneiro em todo o Brasil.

 

Por: Aline Tavares
Acadêmica Agência de Comunicação

07/04/20
Esclarecimentos sobre tratamento à base de hidroxicloroquina da Covid-19

07/04/2020

 

A diretoria do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo vem a público manifestar seu posicionamento em relação aos depoimentos e vídeos divulgados  em mídias sociais por um de nossos pesquisadores, vinculado ao Departamento de Microbiologia, relacionados ao tratamento de pacientes acometidos pela Covid-19 com hidroxicloroquina e azitromicina. A instituição declara que as colocações feitas pelo docente são de sua inteira responsabilidade e não representam uma posição institucional. Nenhuma pesquisa relacionada aos resultados relatados pelo pesquisador foi ou está sendo conduzida nas dependências do ICB ou da USP.  O ICB reafirma o seu compromisso com a ciência e a ética em pesquisas relacionadas à epidemia de Covid-19, assim como em todas as áreas em que atua. Atualmente o ICB conduz diversas pesquisas, em condições experimentais, que buscam levar a descobertas que ampliem o conhecimento sobre o vírus e suas interações com o ser humano, incluindo novas estratégias de tratamento e prevenção da doença. No entanto, a divulgação de qualquer resultado obtido por seus pesquisadores, e quaisquer outros, deve estar baseada em evidências científicas sólidas e passíveis de reconhecimento pela comunidade científica e médica do Brasil e do exterior.

07/04/20
Descoberta do ICB-USP pode ajudar a combater os efeitos da malária gestacional

O bloqueio do receptor para a proteína IL-1 beta foi capaz de reverter a inflamação da placenta causada pela malária gestacional. Testes foram realizados em animais pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP.


12/03/2020

 

Quando contraída durante a gestação, a malária provoca uma inflamação na placenta que pode acarretar consequências sérias, como a anemia grave e óbito materno, além de aumentar o risco de aborto espontâneo, restrição do crescimento intrauterino, natimortalidade e baixo peso ao nascer. Pesquisadores do Laboratório de Imunoparasitologia Experimental do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) descobriram uma nova forma de tratar essa inflamação, a partir do bloqueio da interleucina 1 beta (IL-1β). Testes em animais resultaram em uma reversão da inflamação. O artigo foi publicado na revista Science Advances.

 

As complicações ocorrem porque os protozoários do gênero Plasmodium, causadores da malária, se infiltram no ambiente placentário e geram uma resposta inflamatória. Segundo o professor Claudio Romero Farias Marinho, coordenador do estudo, o grande desafio é que, mesmo se a gestante for tratada e curada, componentes do patógeno – como DNA e  o pigmento malárico, também chamado de hemozoína – ainda permanecem na placenta e continuam gerando inflamação, mesmo que em um nível mais baixo. “A placenta é responsável pelo transporte de gases respiratórios e nutrientes. Toda vez que ela inflama, esse processo é comprometido”, explica o pesquisador.

 

A equipe acompanhou, durante dois anos, 600 gestantes da região do vale do Rio Juruá (Acre), que contraíram ou não a malária (grupo controle). “Nós descobrimos que um grupo de proteínas, os inflamassomas, são capazes de identificar os componentes do parasita no ambiente intracelular. Quando eles são ativados, uma série de fatores leva ao aumento da produção da proteína IL-1β, que gera a inflamação na placenta”, diz Marinho.

 

A partir disso, como prova de conceito, os pesquisadores realizaram testes em camundongos nos quais bloquearam o receptor para essa proteína utilizando a droga Anakinra, um medicamento utilizado para tratar artrite reumatoide. O bloqueio foi capaz de reverter 100% a inflamação. Em cinco anos de estudos, os pesquisadores já haviam conseguido reverter parcialmente a inflamação a partir do bloqueio de outro receptor, o Toll 4.

 

Nos próximos passos, o grupo de pesquisa tem interesse em desenvolver novas drogas para tentar bloquear a ação da IL-1β utilizando outros alvos, como a enzima Caspase 1, que também tem papel importante na produção da proteína. “A intenção é que essa estratégia possa ser utilizada como tratamento adjuvante de gestantes com malária grave para tentar inibir os efeitos do processo inflamatório na placenta”, esclarece Marinho.

 

Por: Aline Tavares
Acadêmica Agência de Comunicação

 

12/03/20
ICB-USP recebe exposição sobre a cientista Marie Curie

Marie Curie se destacou nas pesquisas sobre radioatividade e venceu dois Prêmios Nobel. A mostra será inaugurada no dia 6 de março, em comemoração ao dia internacional da mulher.


04/03/2020

 

O Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), com apoio do Consulado Geral da França em São Paulo, irá inaugurar no dia 6 de março a exposição “Trajetória de Marie Curie”, a partir das 11 horas, na Sala da Congregação do ICB III, em São Paulo. A cientista polonesa foi vencedora de dois prêmios Nobel, em Física (1903) e em Química (1911), tornando-se a primeira mulher a receber tal premiação.

 

A cerimônia de abertura da mostra contará com a participação do professor Luís Carlos de Souza Ferreira, diretor do ICB-USP; o Cônsul Geral da França em São Paulo, Brieuc Pont; e as professoras Maria Arminda do Nascimento Arruda (FFLCH-USP) e Estela Maris Andrade Bevilacqua (ICB-USP). Serão ministradas palestras sobre o papel da mulher nas humanidades e na ciência e sobre a vida e trajetória acadêmica de Marie Curie.

 

Marie Curie estudou na Universidade de Sorbonne, na França, e suas pesquisas sobre radioatividade, termo criado por ela, resultaram na descoberta de dois novos elementos químicos em 1898: o polônio e o rádio. Nesse contexto, Curie fundou dois institutos de estudo do rádio, em Paris (França) e em Varsóvia (Polônia).

 

A cientista estudou as aplicações terapêuticas da radioatividade e contribuiu extraindo o gás que emanava do elemento rádio e enviando-o em tubos para hospitais, para auxiliar no tratamento do câncer. Foi o início da radioterapia e da quimioterapia. Curie também foi responsável pela implementação de unidades móveis de radiografia durante a Primeira Guerra Mundial, ajudando no tratamento de milhões de soldados. Suas experiências foram relatadas no livro La radiologie et la guerre, publicado em 1921.

 

Serviço

Exposição “Trajetória de Marie Curie”

Data de abertura: 6/3/2020

Horário: 11h às 12h30

Local: Sala da Congregação, Saguão da Diretoria, ICB III (Av. Prof. Lineu Prestes, 2415, Cidade Universitária – Butantã – São Paulo)

 

Programação

 

04/03/20
Abordagem inédita com terapia gênica pode auxiliar no tratamento do câncer

Desenvolvido no Instituto de Ciências Biomédicas da USP, o novo método combina dois genes supressores de tumor no mesmo vetor e teve sucesso em modelos animais com câncer de pulmão.


27/02/2020

 

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) desenvolveram uma terapia gênica inédita que apresentou resultados promissores no tratamento de câncer de pulmão. Ao lado de estudiosos da Faculdade de Medicina da USP e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, Eugenia Costanzi-Strauss, pesquisadora do Laboratório de Terapia Gênica do ICB-USP, apontou que a combinação de dois genes específicos dentro de um único vetor viral pode diminuir e até parar o crescimento de tumores. O artigo foi publicado na revista Gene Therapy, editada pelo grupo da Nature.

 

Os estudos, realizados tanto in vitro quanto in vivo, utilizaram uma abordagem clínica conhecida como terapia gênica, que busca tratar diversas doenças a partir da transferência de sequências de DNA ou RNA. O gene de interesse é inserido em um vetor, que atua como um veículo de transferência do gene com potencial terapêutico para as células do paciente – geralmente, o vetor é um vírus modificado em laboratório que não apresenta risco de infecção.

 

Os genes utilizados para o tratamento em animais foram o CDKN2A e o p53, ambos com ação supressora de tumor. Estes genes defendem as células em situação de risco oncológico – por exemplo, quando a célula sofre uma mutação que resulta em estímulo extra para proliferação celular. CDKN2A bloqueia a divisão celular, geralmente de modo irreversível, e o p53, além de inibir a proliferação, também pode induzir a morte celular. Praticamente qualquer tipo de câncer apresenta mutações que direta ou indiretamente afetam CDKN2A e p53, por isso eles foram escolhidos como alvo da pesquisa.

 

A utilização dessas partes específicas do DNA na terapia gênica do câncer já é conhecida na literatura, porém a inovação que o laboratório de Costanzi-Strauss trouxe foi o vetor. Normalmente, nos estudos de terapia gênica, são utilizados vetores monocistrônicos – cada vetor carrega apenas um gene de função terapêutica, cuja expressão é controlada por uma sequência promotora. A nova técnica apresenta um vetor bicistrônico, onde um único promotor dirige a expressão de dois genes. Trata-se de um adenovírus capaz de transferir e expressar simultaneamente CDKN2A e p53.

 

Os testes in vivo utilizaram camundongos imunocomprometidos, nos quais foram implantadas células do câncer de pulmão humano. Em um dos grupos, foi administrado o adenovírus bicistrônico diretamente nos tumores e, após 72 horas, os pesquisadores começaram a notar a diminuição do crescimento dos tumores. O monitoramento dos animais durante 30 a 45 dias mostrou que os tumores que receberam o adenovírus bicistrônico diminuíram 80%, em comparação com o grupo controle (não tratado). Já em outros grupos de animais tratados com adenovírus monocistrônicos, portadores de apenas um gene supressor (CDKN2A ou p53), os tumores tiveram uma redução de 20 a 40%. O tratamento combinado faz com que as células tumorais reestabeleçam a capacidade de reagir contra a perda de controle da divisão e passem a responder com indução de morte ou parada do ciclo de divisão.

 

Segundo a pesquisadora Eugenia Costanzi-Strauss, a terapia gênica com CDKN2A e p53 pode ser aliada à quimioterapia, otimizando o tratamento do câncer. Nas próximas etapas da pesquisa, o grupo pretende verificar o efeito da terapia em outros tipos de tumor, tratando diferentes linhagens celulares, e posteriormente realizar testes em amostras tumorais frescas coletadas de pacientes.

 

 

Por: Rhaisa Trombini | ICB-USP

27/02/20
Recepção aos Calouros termina com “aula trote” e confraternização com veteranos

Entre os dias 17 e 21 de fevereiro, o ICB-USP promoveu uma série de atividades para os seus novos alunos, incluindo palestras, participação em doações e visitas a museus e laboratórios.

 

“Fundamentos quantitativos para Ciências da Saúde” foi o tema da primeira “aula” dos calouros do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, que ocorreu na manhã desta sexta-feira (21/2) para parte da Semana de Recepção aos Calouros. Durante a explicação do professor Marcus Vinícius Baldo sobre equações de Maxwell e eletromagnetismo, os olhares assustados e confusos dos alunos, que anotavam tudo rapidamente, tomaram conta da sala de aula. Com o tempo, algumas risadas revelaram a desconfiança de que se tratava de uma “aula trote” – o que foi confirmado após os veteranos entrarem na sala filmando a situação.

 

Um dos calouros, Leonardo Marchetti, que já estudou Ciência da Computação no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, estava tentando disfarçar a risada desde o início da aula. “Quando eu li a descrição da matéria, vi que aquilo era um curso de uns 4 anos no mínimo. Foi divertido ver todo mundo ali desesperado, querendo trancar o curso”, comenta.

 

Já a aluna Georgia Ohya acreditou que se tratava de uma aula real. “Fiquei com um pouco de medo, porque eu tive cálculo 1 na escola e mesmo assim não estava entendendo nada”, diz. Após a aula, já com o rosto todo pintado, o calouro Gabriel Holanda elogiou a recepção e disse que está ansioso para ter aulas nos laboratórios. “Só espero que o curso não tenha outras aulas de matemática traumatizantes como essa”, brinca.

 

Depois do susto, os calouros seguiram os veteranos e conheceram a bateria universitária “Unidos do Camaleão”, que une alunos do ICB, IB (Instituto de Biociências) e IO (Instituto Oceanográfico). À tarde, para finalizar a semana, será feito um churrasco de confraternização entre os alunos.

 

A Semana de Recepção aos Calouros, organizada pelo Grupo de Trabalho de Recepção do ICB, ocorreu entre 17 e 21 de fevereiro e contou com palestras, visitas a museus e laboratórios, atividades lúdicas e doações. Na abertura, os calouros foram recebidos pelo diretor do ICB, Luís Carlos de Souza Ferreira, e pela presidente da Comissão de Graduação, Patricia Castelucci. Os alunos puderam conhecer mais sobre os seus cursos com as coordenadoras Luciana Rossoni, de Ciências Biomédicas, e Rita Café Ferreira, de Ciências Fundamentais para a Saúde. Em seguida, visitaram o Museu de Anatomia Humana.

 

Nos dias seguintes, os estudantes conheceram o Setor Acadêmico, as entidades estudantis e os projetos de extensão do ICB; participaram de um trote solidário de doação de sangue na Fundação Pró-Sangue do Hospital das Clínicas; visitaram o Centro de Práticas Esportivas da USP e o Instituto Butantan; e também doaram livros e apostilas para vestibulandos.

21/02/20
Formandos
Formandos de 2019 relatam suas experiências no ICB

A Colação de Grau ocorreu no dia 13 de fevereiro e formou 19 alunos dos cursos de Ciências Biomédicas e Ciências Fundamentais para a Saúde. Veja depoimentos de alguns formandos.

 

Na última quinta-feira, 13 de fevereiro, os formandos de 2019 dos cursos de Ciências Biomédicas e Ciências Fundamentais para a Saúde finalizaram oficialmente a sua graduação com a cerimônia de Colação de Grau. Homenagens a familiares, professores e funcionários do ICB-USP integraram a programação, além de apresentações do cantor Gleidson Luz.

A mesa foi composta pelos professores Luís Carlos de Souza Ferreira, diretor do instituto; Gustavo Amarante Mendes, vice-diretor; Luciana Venturini Rossoni, coordenadora do curso de Ciências Biomédicas; e Rita de Cássia Café Ferreira, coordenadora do curso de Ciências Fundamentais para a Saúde. A paraninfa escolhida pela turma de Ciências Biomédicas foi a professora Chao Yun Irene Yan, e a paraninfa de Ciências Fundamentais foi a professora Fernanda Ortis.

A formanda Natalia Turrini foi a juramentista do curso de Ciências Biomédicas e destacou a importância da vivência nos laboratórios, que é oferecida aos alunos desde o início da graduação. “Muitos conteúdos você só aprende ao experimentar a rotina de um laboratório. Com os estágios rotativos, passamos por laboratórios de todas as áreas e conseguimos acumular bastante experiência”, explica a aluna.

Além do contato com a pesquisa, as alunas Paloma Segura e Romina Horianski, também de Ciências Biomédicas, falaram sobre as diversas atividades oferecidas pelo ICB e pela USP e os benefícios de buscar aprendizados que vão além da sala de aula. Cursos de Cultura e Extensão, Centro Acadêmico, Atlética e Empresa Júnior são algumas atividades que o aluno pode participar. “Para quem está entrando agora no curso, eu diria para aproveitar tudo o que a universidade oferece. Tudo é uma oportunidade para crescer e se autoconhecer”, ressalta Romina.

O aluno Amadeu Shigeo de Almeida, do curso de Ciências Fundamentais para a Saúde, participou de atividades de extensão como o Projeto Rondon e da disciplina optativa Processo Saúde-Doença na Amazônia Brasileira, na qual os alunos frequentam a unidade V do ICB, em Monte Negro (Rondônia), e aprendem sobre as doenças da região, como malária e doença de Chagas. “Para mim, não faz sentido fazer pesquisa sem entender quais são os problemas de saúde pública do Brasil”, afirma.

Enquanto um ciclo se fecha, o ICB-USP se prepara esta semana para receber os calouros dos cursos de Ciências Biomédicas e Ciências Fundamentais para a Saúde. Confira aqui programação da semana de recepção.

 

Aline Tavares | Acadêmica Agência de Comunicação

17/02/20
Diagnóstico rápido deve ser o alvo do combate ao coronavírus

Virologistas do ICB-USP explicam que o desenvolvimento de uma vacina eficaz e segura pode demorar de um a dois anos, mas o esforço de um diagnóstico rápido facilita a contenção. A equipe é especialista em diagnóstico de coronavírus e outros vírus respiratórios.


13/02/2020

 

O novo coronavírus, recentemente nomeado de SARS-CoV-2 (Coronavírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave – 2), já infectou cerca de 60 mil pessoas na China e provocou mais de mil e trezentas mortes. Sua contenção é um desafio – o vírus é transmitido facilmente por vias aéreas, através do contato direto ou indireto com secreções respiratórias de pessoas infectadas ou com pequenas gotículas que podem ser espalhadas pelo ar. Em meio a busca por uma vacina, virologistas do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) esclarecem que essa não é uma realidade próxima e que, no Brasil e outros países ainda não atingidos ou com poucos casos, o foco deve ser a realização do diagnóstico rápido para isolar os indivíduos infectados e conter a transmissão do patógeno.

De acordo com o pesquisador Edison Luiz Durigon, do Laboratório de Virologia Clínica e Molecular do ICB-USP, a transmissão do vírus é muito mais eficaz no inverno, pois ele não sobrevive a altas temperaturas e os raios ultravioleta o destroem facilmente. Por esse motivo, Durigon explica que a chance de termos um surto do novo coronavírus no Brasil é muito pequena. “No caso da epidemia de SARS (Síndrome Respiratória Aguda Severa) em 2003, que provocava uma pneumonia muito severa e com alta mortalidade, países que estavam no verão também não sofreram surtos”.

Hoje, no Brasil, o Ministério da Saúde investiga 11 indivíduos com suspeita da doença, que estão em isolamento realizando testes de diagnóstico. Outros 33 casos já foram descartados. O diagnóstico é feito com a técnica Real Time PCR (Reação em Cadeia da Polimerase em tempo real), um método rápido de diagnóstico molecular feito através da análise de diferentes amostras do trato respiratório, como secreções orais ou nasais dos pacientes. Todas as amostras são encaminhadas para o Instituto Adolfo Lutz.

Durigon e sua equipe também são especialistas em diagnósticos de vírus respiratórios – o laboratório tem parcerias com o Hospital das Clínicas, Hospital Universitário da USP, ITACI (Instituto de Tratamento do Câncer Infantil), Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, entre outros. O grupo realiza testes de diagnóstico de mais de 16 vírus respiratórios, como influenza A e B, metapneumovírus, adenovírus e os outros quatro coronavírus humanos endêmicos já conhecidos.

Quanto ao diagnóstico do novo coronavírus emergente, os pesquisadores utilizam diferentes protocolos sugeridos pela Organização Mundial da Saúde. “Nós adquirimos o kit diagnóstico desenvolvido no Instituto de Virologia da Universidade de Medicina Charité, da Alemanha, e estamos importando de lá um controle sintético – uma versão sintética do vírus – para auxiliar na confirmação dos testes”, diz Durigon.

Segundo o virologista, apesar de instituições de diferentes países já terem sequenciado o genoma do vírus, como a Universidade Charité e o Instituto Pasteur da França, o processo de fabricação de uma vacina, incluindo testes para verificar a sua segurança, pode demorar de um a dois anos. “Não podemos contar com a vacina agora. Nosso foco deve ser a prevenção e o diagnóstico rápido, para evitar que o vírus se espalhe”, destaca.

 

Barreiras para o diagnóstico – De acordo com o pós-doutor Luiz Gustavo Bentim Góes, que atua no Laboratório de Virologia Clínica e Molecular e estuda a epidemiologia de coronavírus humanos e a diversidade de coronavírus em morcegos no Brasil, alguns estudos indicam o período de incubação do Covid-19 varia entre 3 e 14 dias, com pico no 6º dia. O problema é que, geralmente, o paciente vai ao hospital apenas no 9º dia – nesse meio tempo, ele pode acabar contaminando outras pessoas.

Outro obstáculo é que, em comparação com os coronavírus causadores da SARS e da MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), o vírus atual se espalha mais rápido. “Em menos de um mês da descoberta da circulação do novo vírus, o número de infectados já tinha passado o que o Coronavírus da SARS levou seis meses para atingir, ou seja, o período total da epidemia”, destaca Góes.

Segundo o pesquisador, muitas dúvidas ainda cercam o novo coronavírus, como qual é a capacidade de transmissão, a porcentagem dos casos que avançam para sintomas severos ou morte, a porcentagem de indivíduos assintomáticos ou com infecções brandas, a capacidade destes em transmitir a doença e se novas drogas serão eficazes no controle das infecções. Por enquanto, a doença tem tido maior prevalência em idosos e homens.

Os agentes patogênicos emergentes representam 13% dos patógenos humanos, e 70% são transmitidos por animais silvestres. “O surgimento de vírus emergentes é uma consequência da relação entre fatores evolutivos virais, aumento do contato direto ou indireto com animais silvestres, alta diversidade de mamíferos, perda de biodiversidade e alta densidade de população próxima a áreas florestais”.

 

Proteção contra o novo coronavírus – O pesquisador Luiz Gustavo Bentim Góes também chama a atenção para uma série de mitos que tem surgido nas redes sociais, como falsos tratamentos e métodos preventivos, e destaca quais são as reais medidas de proteção que podem evitar a contaminação ou a transmissão de qualquer doença respiratória:

  • Lavar as mãos frequentemente;
  • Evitar tocar no rosto (olhos, boca e nariz);
  • Manter uma distância social de pessoas com sintomas de doenças respiratórias (no mínimo 1 metro);
  • Procurar um médico em caso de febre, tosse e dificuldade de respirar;
  • Não ir ao trabalho ou ambientes populosos caso esteja doente;
  • Cobrir a boca/nariz com tecido ao tossir ou espirrar e descartar o tecido, lavando as mãos em seguida.

 

Por: Aline Tavares
Acadêmica Agência de Comunicação

 

13/02/20
Fisiologia na prática: curso de verão chega à 18ª edição

O Curso de Verão em Fisiologia do ICB-USP recebe alunos de graduação de todo o Brasil e oferece uma experiência prática, abordando todos os campos da fisiologia.


05/02/2020

 

Biofísica, neurofisiologia, fisiologia cardiovascular, respiratória, endócrina, renal e digestória são os temas abordados no Curso de Verão em Fisiologia, que acaba de completar a sua 18ª edição, entre os dias 13 e 24 de janeiro de 2020. Iniciativa dos alunos do Programa de Pós-Graduação em Fisiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), o curso é gratuito e recebe alunos de graduação de ciências biológicas de todas as regiões do Brasil. Cada edição oferece 25 vagas e a última edição contou com aproximadamente 200 inscritos.

Além de contribuir para a formação de alunos de todo o país, oferecendo uma experiência predominantemente prática, o evento é mais uma oportunidade para os alunos de pós-graduação do instituto exercerem um papel de educadores, sendo responsáveis pela organização do curso, pelo desenvolvimento da apostila e por todas as aulas ministradas.

O curso tem duração de duas semanas e oferece também uma terceira semana não obrigatória, na qual os graduandos podem visitar os laboratórios do Departamento de Fisiologia e conhecer as suas linhas de pesquisa, na intenção de buscar uma pós-graduação na área. “É muito comum alunos egressos do curso de verão acabarem cursando uma pós-graduação no ICB”, diz o docente Marcus Vinícius Baldo, coordenador desta edição.

Segundo Baldo, o diferencial do curso é proporcionar uma variedade de atividades práticas, que muitas vezes não são realizadas ou aprofundadas durante os cursos de origem dos participantes. Além disso, o contato próximo com os pós-graduandos contribui para a compreensão e interesse dos alunos em uma pós-graduação na área de fisiologia. O curso também conta com palestras de docentes e pesquisadores que abordam a pós-graduação, a história da fisiologia e suas pesquisas e trajetórias acadêmicas.

O professor destaca que o conhecimento compartilhado durante o curso não se limita às duas semanas de aula. “Os alunos participam do curso, voltam aos seus estados e universidades de origem e repassam o que aprenderam aos colegas, que posteriormente podem ter interesse em participar também”.

O Curso de Verão em Fisiologia conta com o apoio do Departamento de Fisiologia, da Comissão de Cultura e Extensão do ICB-USP e da Sociedade Brasileira de Fisiologia, além de algumas empresas parceiras, que fornecem brindes aos participantes. A seleção é realizada pela comissão organizadora do curso, que avalia a carta de interesse e os dados acadêmicos dos inscritos.

 

Aline Tavares | Acadêmica Agência de Comunicação

05/02/20
Cientistas explicam a origem do surto de febre amarela em São Paulo

Pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas da USP confirma que a epidemia de 2017 e 2018 foi silvestre – o vírus não estava circulando na cidade – e descreve a rota de dispersão do vírus, abrindo caminho para uma melhor intervenção em futuros surtos.


04/02/2020

 

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) fizeram um raio X do surto de febre amarela que ocorreu no final de 2017 e início de 2018 na Grande São Paulo. Publicado na revista Scientific Reports, o artigo determina as rotas de dispersão do vírus e serve para preparar a cidade contra novos surtos. Além disso, o estudo comprovou que a epidemia foi silvestre – isto é, que foi provocada por um vetor que circula apenas em áreas rurais. A pesquisa teve colaboradores da Faculdade de Medicina da USP e do Hospital Emílio Ribas, além de pesquisadores da República Tcheca e da Austrália.

 

Segundo o pesquisador Marielton dos Passos Cunha, do ICB-USP, primeiro autor do artigo, os casos isolados de febre amarela que ocorreram na cidade são explicados por indivíduos que estiveram em regiões rurais, foram infectados e voltaram à área urbana. O grupo sequenciou o genoma de 36 isolados virais de pacientes que morreram em decorrência da febre amarela e constatou que as mortes foram causadas por três variantes genéticas do vírus, sendo 34 de uma mesma linhagem, que veio de Minas Gerais e foi responsável pela maior parte dos casos no surto.

 

As outras duas introduções do vírus ocorreram por meio de pacientes que viajaram para outros estados e tiveram contato com área de mata. Utilizando estratégias computacionais para traçar a origem da dispersão do vírus, o grupo conseguiu determinar que essas duas linhagens vieram de um paciente que viajou para o Espírito Santo e outro que viajou para o Rio de Janeiro, onde foram infectados.

 

“Os pacientes que se infectaram são principalmente pessoas não vacinadas que vivem em áreas periurbanas [fronteira com áreas rurais] ou que tiveram contato com área de mata. Não houve caso de transmissão urbana envolvendo vetores urbanos, como o Aedes aegypti”, diz Cunha. Como o pico do surto foi no final de janeiro – diferente de dengue ou chikungunya, cujos surtos ocorrem nos meses de março, abril e maio –, entende-se que o vetor do surto de febre amarela é diferente.

 

A pesquisa também descreve o comportamento do vírus nos tecidos. Ao analisar amostras do coração, pulmão, cérebro, rim, baço, pâncreas e fígado dos pacientes, os pesquisadores constataram que o vírus estava presente em todos os órgãos e que os mais afetados eram o fígado e o rim.

 

O conhecimento das rotas de dispersão do vírus abre caminho para o desenvolvimento de uma estratégia de bloqueio mais efetiva em caso de novos surtos. Em relação à presença do vírus em diferentes órgãos, segundo o pesquisador, esse resultado ajudou na compreensão dos mecanismos de replicação viral no hospedeiro humano. No futuro, estratégias terapêuticas poderão ser pensadas considerando essa característica, o que poderia ajudar a estabilizar a situação dos pacientes. O quadro hemorrágico, que pode evoluir para a morte, atinge cerca de 5 a 10% dos pacientes infectados – a maioria é assintomática.

 

Nos próximos passos da pesquisa, o grupo busca avaliar como o vírus se espalha dentro do corpo humano e quais são os mecanismos que levam ao óbito. Para isso, os pesquisadores estão realizando mais sequenciamentos do vírus e estudando a genética dos pacientes, para verificar se há algum marcador genético que facilite a compreensão desse desfecho.

 

Por: Aline Tavares
Acadêmica Agência de Comunicação

04/02/20
Jornada de Anatomia: uma viagem pelo corpo humano e pelo Brasil

Em sua 12ª edição, com o tema “Sistema Digestório”, o evento recebeu estudantes de graduação de estados como Acre, Bahia, Pernambuco, Tocantins e Rio Grande do Norte. Aulas teóricas, práticas e dissecções integraram a programação.


28/01/2020

 

A imersão nos sistemas e estruturas do corpo humano e a diversidade são os pilares da Jornada de Anatomia, promovida pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) desde 2009. A 12ª edição do evento ocorreu entre os dias 13 e 24 de janeiro, com o tema “Sistema Digestório”, e contou com cerca de 560 inscritos de todo o Brasil. Os 60 selecionados participaram de aulas teóricas, práticas e dissecções durante duas semanas de curso.

 

Organizada pelos alunos do Programa de Pós-Graduação em Biologia de Sistemas, com o apoio do Departamento de Anatomia, a Jornada de Anatomia é destinada a alunos de graduação e recém-formados da área da saúde e oferece conhecimentos mais aprofundados sobre esse campo, com um tema diferente a cada edição. Segundo a professora Patricia Castelucci, coordenadora científica da última jornada, a seleção é feita por sorteio, mas visando a diversidade. “No programa de sorteio, os alunos reservam 20% das vagas para cada região do país, para que todos tenham oportunidade de participar”, explica.

 

Todas as aulas e dissecções são ministradas pelos próprios alunos de pós-graduação do ICB – para esta edição, eles participaram de um treinamento coordenado pela professora Patricia Castelucci durante o segundo semestre de 2019. A docente acompanhou todas as aulas, que foram baseadas no conteúdo ministrado por ela para os alunos de Medicina da USP.

 

Foram abordados temas como “Introdução à Anatomia: Planos e Eixos”, “Embriologia do Sistema Digestório”, “Esôfago, Estômago e Intestino Delgado”, “Pâncreas e Baço”, “Vascularização das Vísceras do Sistema Digestório”, entre outros. A avaliação é feita no último dia do curso e consiste em uma prova teórica, uma prova prática e a apresentação das peças dissecadas. Durante o curso, os alunos também conhecem os laboratórios do departamento e suas linhas de pesquisa.

 

Vivências da jornada – Este ano, o evento recebeu estudantes de cursos como Medicina, Enfermagem, Odontologia, Nutrição e Fisioterapia, de diversos estados brasileiros. Para Wilkerson Silvestre dos Santos, de 18 anos, estudante de Nutrição da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), de Minas Gerais, a diversidade é um ponto forte da jornada. “Eu acho incrível o evento abrir oportunidade para todos, independentemente do lugar. A gente pode entender um pouquinho de cada estado brasileiro através dessa experiência e saímos daqui com muito conhecimento, especialmente na parte de dissecção”.

 

Segundo Patricia Castelucci, a dissecção é a “cereja do bolo” para todos os alunos que participam da jornada, uma vez que algumas universidades – especialmente os cursos mais novos de medicina – utilizam apenas peças sintéticas. É o caso das alunas Aline Oliveira de Araújo, 25, da Uninorte do Acre, e Milena Amaral Melo, 22, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), que destacaram que a oportunidade de entrar em contato com cadáveres proporciona um conhecimento diferenciado.

 

Para Bruno Hernandez Araújo, 41, professor de Química e aluno do último ano de Medicina da UNIFAN, de Goiás, as teorias e as técnicas de dissecção ensinadas no curso são de grande importância para profissionais da área de saúde. “A jornada é uma experiência completamente diferente do que vemos nas universidades; foi além das minhas expectativas. Eu saio desse curso muito mais preparado para atuar”.

 

A estudante de Fisioterapia Larissa Vieira de Gois Maciel, 19, da Unicentro do Paraná, ressalta a especificidade do conteúdo das aulas. “Nós aprendemos coisas que, se você não seguir para uma área muito específica, nunca irá descobrir. É muito interessante ter essa oportunidade durante a graduação”.

 

Por: Aline Tavares
Acadêmica Agência de Comunicação

28/01/20
MAH expõe desenhos de anatomia de alunos da ECA-USP

A mostra reúne trabalhos da disciplina “Desenho da Figura Humana”, ministrada pelo professor Claudio Mubarac. Parte das aulas foram realizadas nas dependências do museu.


15/01/2020

 

O Museu de Anatomia Humana “Prof. Alfonso Bovero” (MAH), do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), inicia 2020 com a exposição “Desenho e Anatomia”, em parceria com a Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA) e com o professor titular em desenho Claudio Mubarac. O evento é organizado por Paula Escobar Gabbai, pós-doutoranda em artes visuais da ECA, com uma extensa equipe de colaboradores do MAH, da ECA e do ICB.

Serão expostos os trabalhos dos alunos do Departamento de Artes Plásticas da ECA, feitos durante a disciplina “Desenho da Figura Humana”, ministrada pelo professor Mubarac. Parte das aulas foram realizadas nas dependências do museu, junto aos docentes Edson Liberti e Simone Cristina Motta, do Departamento de Anatomia do ICB, durante o segundo semestre de 2019.

A mostra é gratuita, aberta ao público e pode ser visitada de terça à sexta-feira, das 9 às 16 horas, no ICB III (Av. Prof. Lineu Prestes, 2415, Cidade Universitária, São Paulo).

15/01/20
Nanoestruturas lipídicas desenvolvidas no ICB-USP podem ampliar a eficácia de medicamentos e reduzir efeitos colaterais

As novas partículas de entrega permitem que o fármaco aja por mais tempo no organismo. Testes foram realizados in vitro e em modelos animais infectados pelo Plasmodium falciparum e Plasmodium berghei, causadores da malária.


06/01/2020

 

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) desenvolveram um método de entrega que pode aumentar o potencial terapêutico de fármacos e vacinas: nanoestruturas lipídicas que se atraem por pontes de hidrogênio. A técnica foi criada pelo pós-doutorando Wesley Luzetti Fotoran, que atua no laboratório do professor Gerhard Wunderlich, do Departamento de Parasitologia. Fotoran modificou partículas desenvolvidas pelo grupo de pesquisa do professor Darrell Irvine, do MIT (Massachusetts Institute of Technology, EUA).

 

Originalmente, as partículas americanas possuem múltiplas camadas e ligações covalentes. Ao trocar as ligações por pontes de hidrogênio, Fotoran criou partículas cinco vezes menores, com menos camadas, e que se atraem mutuamente. “Isso faz com que o fármaco ou o antígeno se estabilize no interior das partículas. Além de permitir que o medicamento aja por mais tempo no organismo, as nanoestruturas também ajudam a diminuir os seus efeitos colaterais, uma vez que diminuem a dose necessária para tratamento em 50%”, explica.

 

Esses resultados foram obtidos através de testes em camundongos infectados com malária murina. Para tratá-los, o grupo utilizou as novas partículas para “entregar” um medicamento clássico contra a doença, a cloroquina, através de injeção. Com isso, o seu efeito foi ampliado por cinco dias. A cloroquina já não é mais usada para tratar a malária, devido à resistência, mas é um tratamento adjuvante para alguns tumores, como o melanoma. “O método é vantajoso porque pode ter o mesmo mecanismo de ação para outras doenças, não apenas para malária”, destaca. Em outros testes, o grupo utilizou a artemisinina, atualmente utilizada contra malária, e observou resultados similares.

 

Métodos de entrega – Após o longo processo de identificar substâncias potencialmente terapêuticas e desenvolver um fármaco ou vacina, é necessário encontrar o método de entrega ideal para aquele agente terapêutico (via oral, respiratória, intradérmica etc). Nesta etapa, segundo o pesquisador, os cientistas podem enfrentar uma série de obstáculos, tais como: baixa estabilidade em organismos vivos, necessidade de altas doses para que seja efetivo e efeitos colaterais que impedem a sua administração em seres humanos.

 

De acordo com Fotoran, as partículas originais do MIT também têm efeito e são funcionais porque vão se desfazendo em partículas menores. “No meu caso, eu entrego direto um conjunto de estruturas menores, que chegam rapidamente ao alvo e permanecem nele por mais tempo. A grande vantagem dessas nanoestruturas é a pluralidade de aplicações – é possível utilizá-la para qualquer tipo de agente terapêutico”, ressalta o pesquisador. O próximo passo é testar as partículas em outros modelos e verificar se a técnica apresenta limitações. Segundo o grupo, ainda não é possível prever quando o método chegará ao mercado, pois é necessário realizar mais testes in vivo.

 

Por: Aline Tavares
Acadêmica Agência de Comunicação

06/01/20
ICB assina convênio com o Instituto de Biofísica da UFRJ

A parceria busca o estímulo de atividades de ensino, pesquisa e extensão entre as duas maiores universidades do Brasil


20/12/2019

 

Nesta sexta-feira (20/12), foi firmado um Acordo de Cooperação Acadêmica entre o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e o Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IBCCF-UFRJ). O acordo busca aproximar ainda mais as instituições, fomentando o intercâmbio do ensino e da pesquisa entre as universidades. 

O documento estabelece o intercâmbio de docentes, pesquisadores, membros da equipe técnica-administrativa e estudantes, elaboração conjunta de projetos de pesquisa e de eventos científicos e culturais, além de disciplinas e cursos compartilhados. 

O diretor do ICB, professor Luís Carlos de Souza Ferreira, é ex-aluno e ex-professor do Instituto de Biofísica Carlos Chagas, e apontou que a assinatura do documento de convênio é só o primeiro passo da nova parceria, que já inicia seus trabalhos ano que vem. “O que eu vejo como maior expectativa e com otimismo é a implantação de uma série de programas de parceria na parte de pesquisa, ensino, cultura e inovação”.

Esse é o primeiro acordo firmado na área biomédica entre as duas universidades. Em sua fala, o diretor do IBCCF, professor Bruno Lourenço Diaz, ressaltou a importância de se firmar convênios entre universidades brasileiras para alavancar o ensino e a pesquisa dentro do país. “Nós temos um estímulo muito grande de internacionalização, mas não podemos ficar limitados a isso. Precisamos ter essa comunicação dentro do Brasil também”. 

O evento, realizado na Reitoria da Universidade de São Paulo, também contou a presença do Reitor da USP, Vahan Agopyan, e da Reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Denise Pires de Carvalho.

20/12/19
Docentes com livros publicados recebem homenagem

Durante a comemoração de 50 anos do ICB-USP, a Comissão de Graduação reconheceu a contribuição de docentes ativos, aposentados e falecidos no ensino da graduação.


20/12/2019

 

Na última quinta-feira (19/12), como parte da comemoração de 50 anos do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), a Comissão de Graduação (CG) homenageou docentes e pesquisadores do instituto que contribuíram para o ensino com a publicação de livros didáticos. A premiação ocorreu na Biblioteca, no ICB I, e reconheceu autores e editores de livros de Farmacologia, Microbiologia, Genética, Parasitologia, entre outros temas.

 

Foram homenageados docente ativos, aposentados e falecidos. O vice-diretor, professor Gustavo Amarante-Mendes, parabenizou a CG pela iniciativa, que “demonstra o legado inestimável que todos os professores deixaram no ICB, contribuindo para o Instituto e para a Universidade como um todo”.

 

Confira todas as fotos da homenagem em nossa página do Facebook e veja abaixo a lista dos homenageados:

 

Ativos

  1. Alice Cristina Rodrigues
  2. Anselmo Sigari Moriscot
  3. Antonio Carlos Oliveira
  4. Antonio Condino Neto
  5. Ariel Mariano Silber
  6. Arthur Gruber
  7. Clarice Gorenstein
  8. Edson Aparecido Liberti
  9. Emer S. Ferro
  10. Fábio Siviero
  11. Gerhard Wunderlich
  12. Jackson Bittencourt
  13. José Cipolla Neto
  14. Luís Marcelo Aranha
  15. Luís Ronaldo Picosse
  16. Magda Maria Salles Carneiro
  17. Marcelo Urbano Ferreira
  18. Marcia Pinto Alves Mayer
  19. Marcus Vinícius Baldo
  20. Maria Inês Nogueira
  21. Marilis do Valle Marques
  22. Marinilce Fagundes dos Santos
  23. Ricardo Martins de Oliveira Filho
  24. Silvia Reni Bortolin Uliana
  25. Sônia Jancar
  26. Vera Lúcia Garcia Calich
  27. Victor Arana Chaves
  28. Roberto De Lucia

 

Aposentados

  1. Alcira Tania Bijovsky de Katzin
  2. Annette Silva Foronda
  3. Antonio Carlos Martins de Camargo
  4. Antonio Carlos Zanini
  5. Dolores Ursula Mehnert
  6. Douglas Antonio Zago
  7. Esem Cerqueira
  8. Flavio Alterthum
  9. Flávio Fava de Moraes
  10. Francisco Lacaz de Moraes Vieira
  11. Gerhard Malnic
  12. Glaucia Maria Machado Santelli
  13. Heloiza Ramos Barbosa
  14. Henrique Krieger
  15. Ii-Sei Watanabe
  16. Jeffrey Jon Shaw
  17. Joaquim Procópio de Araújo Filho
  18. José Luiz de Lorenzo
  19. Luiz Biella de Souza Valle
  20. Luiz Ludovico George
  21. Luiz Silveira Menna Barreto
  22. Maria Ligia Coutinho Carvalhal
  23. Moacyr Luiz Aizenstein
  24. Paulo Abrahamsohn
  25. Romeu Rodrigues de Souza
  26. Rui Curi
  27. Szulim Ber Zyngier
  28. Telma Maria Zorn
  29. Teresinha Tizu Sato Schumaker
  30. Wilmar Dias da Silva

 

Falecidos

  1. Alvaro Glerean
  2. Aulus Conrado Basile
  3. Bruno Konig Junior
  4. Cláudio Santos Ferreira
  5. Irma Nelly Gutierrez Rivera
  6. José Alberto Neves Candeias
  7. José Carneiro da Silva Filho
  8. Luiz Carlos Uchôa Junqueira
  9. Luiz Rachid Trabulsi
  10. Margarida de Mello Aires
  11. Milton Picosse
  12. Rebeca Carlota de Angelis
  13. Renato Paulo Chopard
  14. Luiz Hildebrando Pereira da Silva
20/12/19
Conheça os vencedores do prêmio “Ciência em 3 Minutos”

Iniciativa da Comissão de Pós-Graduação e da Comissão de Cultura e Extensão, o concurso contou com o patrocínio da Sociedade Brasileira de Biologia Celular e da Sociedade Brasileira de Imunologia


18/12/2019

 

Nesta quarta-feira (18), aconteceu a premiação do concurso “Ciência em 3 minutos”, uma iniciativa da Comissão de Pós-Graduação e da Comissão de Cultura e Extensão do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP). A competição premiou alunos de pós-graduação do ICB que inscreveram seus vídeos de até três minutos nas seguintes categorias: Pesquisa, Ensino e Metodologia de Pesquisa. Os ganhadores foram premiados com certificados e tablets fornecidos pela Sociedade Brasileira de Biologia Celular e pela Sociedade Brasileira de Imunologia. 

 

Na primeira categoria, Pesquisa, o vencedor foi o vídeo “Cancer Stem Cells: Life and Chaos” da aluna Maria Isabel Melo Escobar. Excepcionalmente, foi escolhido um segundo colocado para essa categoria, “Quais tipos de proteínas NOX estão presentes nas células beta?”, do aluno Davidson Correa de Almeida. Já na categoria Ensino, a aluna Bárbara Rodrigues Cintra Armellini recebeu uma menção honrosa com seu vídeo “Adote uma Bactéria: uma abordagem com uso de metodologias ativas no Ensino Superior”. Por fim, o vídeo “O mistério do CRISPR”, das alunas Camila Felix e Maria Isabel Melo Escobar, foi premiado na categoria Metodologia de Pesquisa.  

 

A banca escolhida para julgar os trabalhos foi composta por jornalistas que trabalham diretamente com divulgação científica: Daniela Klebis, coordenadora de comunicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Claudia Jurberg, jornalista na Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Juliane Duarte Camara, diretora de comunicação da Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência (RedeComCiência) e Aline Tavares, assessora de comunicação da Acadêmica Agência de Comunicação, que atua no ICB-USP.

 

A professora Maria Luiza Morais Barreto de Chaves, presidente da Comissão de Pós-Graduação, destacou a intenção de dar continuidade ao concurso nos próximos anos e a importância do exercício da divulgação científica para os pós-graduandos e pesquisadores. A jornalista Claudia Jurberg apontou que o evento foi um passo importante para aliar ciência e comunicação no instituto. Para ela, é imprescindível que essas duas vertentes trabalhem juntas na sociedade de hoje.  

 

Os vídeos vencedores serão veiculados nas redes sociais da RedeComCiência e da SBPC, assim como nas mídias do ICB (confira aqui).

 

Por Rhaisa Trombini | ICB-USP

18/12/19