Após o NUCOM-ICB ter recebido o texto abaixo da Sra. Monica Chamorro, secretária da CCEx-ICB, o qual relata as recentes visitas monitoradas de alunos do Ensino Médio ao ICB-USP, em agosto e setembro deste ano, divulgamos abaixo a íntegra dessa matéria produzida por ela, devido à sua qualidade informativa*:
Neste sábado, 13 de setembro, a Cidade Universitária Armando Salles de Oliveira, conhecida como Campus Butantã da Universidade de São Paulo (USP), abrirá as portas para o evento “Um dia na USP”.
O Instituto de Ciências Biomédicas da USP (ICB-USP) já iniciou os preparativos com três visitas monitoradas realizadas previamente, nos dias 27 e 28 de agosto e 3 de setembro. Participaram alunos do Instituto Federal de Sorocaba (IFSP), do Cursinho Popular Quilombo Guarani e do Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré, de Belém do Pará.
No dia 27, o Instituto recebeu cerca de 40 alunos do Instituto Federal de Sorocaba (IFSP) para uma vivência científica. O grupo, formado por estudantes do 3º ano do curso técnico em Elétrica, foi guiado por graduandos e pós-graduandos do ICB-USP em uma programação do Projeto #Adote. Durante a visita, os estudantes conheceram laboratórios de pesquisa em micologia, virologia, bacteriologia e parasitologia, acompanharam rotinas experimentais e descobriram, na prática, como a ciência acontece no dia a dia.

No dia 28, das 10h30 às 12h30, foram recebidos estudantes do Cursinho Popular Quilombo Guarani, da zona sul da capital, a pedido do professor Paulo Ricardo, egresso da USP. Os 40 visitantes foram recepcionados pelos alunos extensionistas da AEX-ICB-00030.01 e pela equipe do Museu de Anatomia Humana “Alfonso Bovero” (MAH).

No dia 3 de setembro, o ICB-USP recebeu os alunos do Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré, de Belém do Pará, para conhecer o prédio, em recepção organizada no Anfiteatro Luiz Rachid Trabulsi, e realizar visita monitorada ao MAH, mediada pela equipe do museu. Após a visita, os estudantes conheceram os laboratórios do Departamento de Anatomia, acompanhados pelos professores doutores Julio Cesar Batista Ferreira e Newton Sabino Canteras. A visita durou aproximadamente três horas e meia, das 8h às 11h30.

Os alunos visitantes puderam conversar com graduandos do ICB-USP sobre os cursos de graduação e a experiência de ingresso na Universidade. Na roda de conversa, participaram extensionistas que entraram na USP por diferentes caminhos, como ENEM, SISU, Olimpíadas de Ensino, Provão Paulista e Fuvest. Cada um compartilhou palavras de incentivo e destacou a importância da persistência e da resiliência na conquista de uma vaga.
Confira aqui mais detalhes. Veja abaixo a galeria de fotos.
*Texto revisado e editado por NUCOM-ICB







Após o NUCOM-ICB ter recebido o texto abaixo da Profa. Raif Musa Aziz, que trata sobre o primeiro evento do “Ciclo de Palestras do BMB para USP60+ – Memória”, divulgamos abaixo a íntegra dessa matéria produzida por eles, devido à sua qualidade informativa*:
No dia 26 de agosto, o Prof. Dr. Luiz Roberto Giorgetti de Britto, professor sênior do Departamento de Fisiologia e Biofísica (BMB) do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), ministrou a palestra “Como o cérebro guarda as lembranças? ”.
Com uma longa trajetória acadêmica dedicada ao estudo da fisiologia do sistema nervoso, o Professor Britto apresentou reflexões valiosas sobre os mecanismos cerebrais envolvidos na formação, consolidação e evocação da memória.
Esse é um tema central, não apenas para a ciência básica, mas também para a compreensão do envelhecimento saudável. A apresentação foi acessível, enriquecedora e especialmente elaborada para o público diverso e interessado que faz parte do programa USP60+.
A palestra chamou a atenção do público-alvo e contou com a audiência de 136 pessoas do início ao fim do evento, demonstrando o interesse da sociedade por temas dessa natureza.
Este foi o primeiro evento do ciclo de palestras “Memória”, que é uma iniciativa da Comissão de Cultura e Extensão (CCEx) do BMB/ICB-USP, juntamente com o Programa USP60+. Ao longo das palestras, serão abordados temas ligados aos caminhos da memória: como ela se forma, como envelhece e o que podemos fazer para cuidar dela.
O próximo evento do ciclo acontecerá no dia 30 de setembro, das 9h00 às 10h45, com o tema “Como os medicamentos podem ajudar ou atrapalhar a memória? ”. A palestra será ministrada pelo Prof. Dr. Ricardo M. Oliveira-Filho, professor sênior do Departamento de Farmacologia do ICB-USP, que tem vasta experiência na área.
Todas as palestras do ciclo são transmitidas virtualmente por meio do link: https://meet.google.com/nra-yohm-zho
Confira o vídeo produzido pela Profa. Raif Musa Aziz sobre a primeira palestra.
*Texto revisado e editado por NUCOM-ICB
Após o NUCOM-ICB ter recebido o texto abaixo da Comunicação do CEPID-B3, que trata sobre atividade realizada pelo projeto #Adote com alunos do IFSP de Sorocaba, divulgamos abaixo a íntegra dessa matéria produzida por eles, devido à sua qualidade informativa*:
No último dia 27 de agosto, o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) recebeu cerca de 40 alunos do Instituto Federal de Sorocaba (IFSP) para uma vivência especial no campus. O grupo, formado por estudantes do 3º ano do curso técnico em Elétrica, foi guiado por graduandos e pós-graduandos do ICB-USP em uma programação preparada pelo Projeto #Adote, coordenado pela professora Rita Café Ferreira.

Durante a visita, os jovens percorreram laboratórios de pesquisa, conheceram equipamentos de ponta disponíveis no Instituto e acompanharam de perto como funcionam as rotinas experimentais. A ideia foi mostrar, na prática, como a ciência é feita no dia a dia e abrir janelas para a exploração de diferentes áreas de investigação.
Além do tour científico, os visitantes participaram de oficinas práticas e jogos didáticos sobre Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) desenvolvidos pelos membros do projeto #Adote. A proposta apresentou conteúdos em linguagem acessível ao público-alvo, aliando conhecimento acadêmico a atividades interativas de educação em saúde.

De acordo com os organizadores, a experiência teve como objetivo aproximar os estudantes da vida universitária e criar um espaço de troca entre diferentes saberes. “Foi uma chance de mostrar como ciência e tecnologia podem dialogar e caminhar juntas”, destacaram os alunos do ICB-USP.
Acesse aqui a galeria de fotos do evento.
*Texto revisado e editado por NUCOM-ICB
Após o NUCOM-ICB ter recebido o texto abaixo da professora Kelly Ishida, o qual aborda o treinamento sobre emergências químicas realizado no ICB-USP neste mês, divulgamos abaixo a íntegra dessa matéria produzida por ela, devido à sua qualidade informativa*:
Na manhã do dia 20 de agosto, o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) promoveu a palestra “Noções Básicas em Emergências Químicas: atendendo a pequenos derramamentos”, ministrada por David Balbino de Oliveira, técnico de laboratório e Encarregado pelo Setor Técnico de Reagentes do Instituto de Química da USP.
O evento foi promovido pela Comissão de Segurança Química (CSQ), com o objetivo de capacitar estudantes, técnicos e pesquisadores para lidar com situações de risco envolvendo produtos químicos perigosos, oferecendo instruções práticas sobre prevenção e respostas adequadas a pequenos acidentes laboratoriais.
A atividade, realizada no Anfiteatro Rosa (ICB IV), contou com 109 inscritos e a participação efetiva de 71 membros da comunidade acadêmica. Durante as quatro horas de treinamento, os presentes tiveram contato com conceitos fundamentais de segurança, protocolos de contenção de derramamentos e orientações para o uso correto de equipamentos de proteção individual.
A iniciativa reforça o compromisso do ICB-USP com a Cultura da Educação Continuada em Segurança Química, promovendo não apenas a conscientização sobre riscos, mas também a criação de uma rede de apoio e boas práticas dentro da instituição.
Segundo os organizadores, o interesse demonstrado pelo público e a alta adesão ao evento confirmam a importância de manter esse tipo de capacitação contínua no ambiente universitário.
*Texto revisado e editado pelo NUCOM-ICB



Estudo com participação do ICB-USP mostra que alteração genética reduz a capacidade do Plasmodium falciparum de se desenvolver no mosquito, bloqueando o ciclo de transmissão da doença.
A malária é transmitida por mosquitos do gênero Anopheles que picam pessoas infectadas e se alimentam de sangue que contém o parasita Plasmodium. Antes de infectar outro ser humano, o parasita precisa completar parte de seu ciclo de vida dentro do mosquito, atravessando a parede intestinal do inseto e alcançando suas glândulas salivares. É nesse ponto que a nova pesquisa, publicada na revista Nature, atua: ela impede que o parasita consiga se desenvolver no mosquito, interrompendo a transmissão antes mesmo que ela chegue aos humanos.
O trabalho foi liderado por cientistas da University of California, San Diego, e da Johns Hopkins University, com participação do professor Rodrigo Malavazi Corder, do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).
O alvo da intervenção foi um gene do mosquito chamado FREP1 (Fibrinogen-Related Protein 1), responsável por codificar uma proteína necessária para o parasita atravessar a parede intestinal do inseto. Alguns mosquitos apresentam naturalmente uma variante desse gene, chamada FREP1Q, que altera levemente a proteína, dificultando a entrada do Plasmodium falciparum, espécie que causa a forma mais grave da malária.
No novo estudo, os pesquisadores introduziram essa variante em outra espécie transmissora, o Anopheles stephensi, comum na Ásia e em expansão na África. Em testes de laboratório, os mosquitos com a modificação apresentaram taxas de infecção muito menores e, quando infectados, carregavam quantidades significativamente reduzidas de parasitas. A mudança genética não afetou características vitais do inseto, como longevidade ou capacidade reprodutiva.
Para espalhar a variante na população, foi usada a técnica chamada gene drive (sistema de impulso genético), que aumenta drasticamente a chance de uma característica ser herdada. “Normalmente, um gene tem 50% de probabilidade de ser herdado pelos descendentes. Com o gene drive, essa probabilidade pode chegar perto de 100%”, explica Corder. “Nos experimentos, a frequência de mosquitos com a variante passou de 25% para mais de 90% em apenas dez gerações.”
A participação do ICB-USP no estudo concentrou-se no desenvolvimento de modelos matemáticos que descrevem a dinâmica de propagação da variante genética. “Meu trabalho se concentra na modelagem matemática de sistemas biológicos”, conta Corder. “Em cooperação com John Marshall, da Universidade da California, Berkeley, trabalhamos com dados gerados nos experimentos realizados com os mosquitos transgênicos para entender os mecanismos que governam a disseminação da característica genética nas populações ao longo de diversas gerações”.
No Brasil, o principal transmissor da malária é o Anopheles darlingi, predominante na Amazônia. Ainda não se sabe se a mesma variante do gene FREP1 teria o mesmo efeito nessa espécie. Segundo Corder, já existem conversas preliminares para montar um grupo de pesquisa e investigar o potencial dessa abordagem com mosquitos e parasitas locais.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2023 houve mais de 260 milhões de casos de malária e quase 600 mil mortes no mundo. Apesar de métodos tradicionais como uso de mosquiteiros impregnados com inseticidas e diagnóstico e tratamento precoces, a incidência global da doença está estagnada há cerca de uma década. “Por isso, novos métodos de controle são necessários. Essas estratégias genéticas são promissoras pois podem reduzir a capacidade de transmissão sem ter que eliminar a população de mosquitos – o que tende a ser ecologicamente menos agressivo”, conclui Corder.
Ana Carolina Guerra | Acadêmica Agência de Comunicação e NUCOM-ICB
Após o NUCOM-ICB ter recebido o texto abaixo da professora Rita de Cássia Café Ferreira, o qual relata a contribuição do ICB-USP no treinamento do aluno do Ensino Médio, Gustavo Jun Anraku Oda, que o ajudou a se tornar medalhista na Olimpíada Internacional de Biologia, divulgamos abaixo a íntegra dessa matéria produzida por ela, devido à sua qualidade informativa:
O aluno Gustavo Jun Anraku Oda, do Ensino Médio do curso Objetivo Integrado Paulista – SP, conquistou a medalha de bronze na The 36th International Biology Olympiad (IBO) 2025, realizada, no mês passado, em Quezon, nas Filipinas.

O Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) participou do treinamento e da preparação imersiva de 20 dias do aluno. Durante a capacitação no Instituto, Gabriel Oda contou com a orientação dos professores Rita Café Ferreira, Kelly Ishida e Jansen de Araujo, além da ajuda dos alunos de pós-graduação e graduação dos respectivos laboratórios.
Segundo os professores Guilherme Francisco e Fernando Paiva, do curso Objetivo, essa etapa do treinamento foi fundamental para o aprofundamento de conceitos práticos essenciais ao desempenho do aluno na competição.
Em seus agradecimentos, Gustavo e seus professores ressaltaram não apenas a importância acadêmica da experiência, mas também seu impacto social, ao abrir as portas da USP para estudantes de Ensino Médio.
A Profa. Rita Ferreira complementou que o ICB-USP sempre contribuiu para a democratização do acesso ao conhecimento científico, além de despertar vocações e fortalecer a conexão entre a educação básica e a pesquisa realizada no Instituto, ampliando oportunidades para jovens talentos.

Ao final, o estudante destacou que “foi inspirador ver o empenho e a dedicação dos alunos de graduação e pós-graduação em me ensinar, com tanto cuidado, as práticas laboratoriais que fizeram toda a diferença para mim”.
Agradecimentos a Dra. Jéssica Pires e Dr. Samuel Pereira e aos alunos de pós-graduação Giovana Tarantini, Camila Caldas Correa, Fernanda Panicio Vizu, Gustavo de Oliveira Fenner, Thais Pailo e Leticia Serafim da Costa e de graduação Bruna Rodrigues Correa e Carolina Diorio Nastaro.

Texto revisado pelo NUCOM-ICB
Estudo pioneiro propõe alvo molecular inédito para tratar leucemia linfoblástica aguda em adultos – um tipo agressivo de câncer do sangue com baixas taxas de sobrevida.
Prof. João Agostinho Machado Neto, do Departamento de Farmacologia.
Um estudo desenvolvido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) ficou entre os três finalistas da categoria “Pesquisa em oncologia” da 16ª edição do Prêmio Octavio Frias de Oliveira, uma das principais premiações da oncologia nacional. A pesquisa investiga o uso da inibição farmacológica da proteína ezrina como uma estratégia terapêutica inovadora para o tratamento da leucemia linfoblástica aguda (LLA) em adultos, um tipo agressivo de câncer do sangue com baixas taxas de sobrevida. A cerimônia de premiação ocorreu na manhã desta terça-feira, dia 12 de agosto, e premiou na categoria “Pesquisa em Oncologia” um estudo que descobriu uma falha genética ligada a tumores agressivos.
Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a pesquisa é coordenada pelo professor João Agostinho Machado Neto, do Departamento de Farmacologia do Instituto, e tem como primeiro autor Jean Carlos Lipreri da Silva, doutor em Farmacologia pelo ICB-USP.
Esta é a quarta vez, sendo a terceira consecutiva, que o grupo liderado por Machado-Neto tem uma pesquisa selecionada como finalista do Prêmio Octavio Frias de Oliveira. Em 2023, ele foi o ganhador da categoria “Pesquisa em oncologia”. A premiação, promovida pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) em parceria com o Grupo Folha, reconhece pesquisas de excelência com contribuição relevante para a prevenção e o tratamento do câncer no Brasil.
“Estar novamente entre os finalistas é motivo de grande orgulho, especialmente com uma pesquisa que propõe uma abordagem tão inovadora e com potencial translacional. Esperamos que os resultados possam, no futuro, beneficiar diretamente os pacientes com LLA”, afirma.
Prof. João Agostinho Machado Neto com o grupo que desenvolveu o estudo.
Estudo pioneiro – Segundo Machado-Neto, a pesquisa é pioneira ao demonstrar que a ezrina, proteína da família ERM, tem papel funcional relevante no desenvolvimento da LLA e pode ser bloqueada por compostos farmacológicos com potencial terapêutico. “A ezrina já havia sido associada a outros tipos de câncer, mas é a primeira vez que demonstramos experimentalmente, com esse nível de evidência, que sua inibição afeta de forma significativa a viabilidade, a proliferação e a migração das células leucêmicas na LLA”, explica o docente.
O trabalho reuniu análises moleculares, testes com linhagens celulares e amostras de pacientes para avaliar o papel da ezrina no comportamento maligno das células da LLA. Os resultados foram publicados recentemente na revista European Journal of Pharmacology.
A leucemia linfoblástica aguda é a neoplasia mais comum em crianças, com altas taxas de cura. No entanto, quando afeta adultos, a doença se torna extremamente agressiva e de difícil tratamento. “Na nossa coorte, a mediana de idade dos pacientes era de 34 anos, e a sobrevida média era de apenas cerca de 14 meses. Estamos falando de pessoas jovens, em idade produtiva, que recebem um diagnóstico com desfecho muito desfavorável”, afirma Machado-Neto.
De acordo com o pesquisador, cerca de 70% dos adultos com LLA vão a óbito em até cinco anos após o diagnóstico. O cenário evidencia a urgência por novas estratégias terapêuticas. Foi nesse contexto que a proteína ezrina, anteriormente estudada pela equipe em outro tipo de leucemia, a mieloide aguda, passou a ser investigada como possível alvo também na LLA.
Nos experimentos realizados com células tumorais, os pesquisadores identificaram que os pacientes com LLA apresentavam altas taxas de ezrina, tanto na expressão gênica quanto nos níveis proteicos e de fosforilação, em comparação com indivíduos saudáveis e também com pacientes com leucemia mieloide aguda.
A ezrina é uma proteína que atua como uma ponte entre o citoesqueleto e a membrana plasmática. Ela desempenha um papel central na patogênese da LLA ao mediar sinais intracelulares que ativam processos cruciais para o desenvolvimento da doença, como migração, invasão tecidual, proliferação descontrolada e sobrevivência celular. Sua forma fosforilada (ativa) é especialmente elevada nos pacientes com LLA, sugerindo uma participação decisiva no comportamento maligno das células leucêmicas.
Apesar dos níveis elevados não estarem diretamente associados à sobrevida dos pacientes, os dados sugeriam que a ezrina desempenha um papel central no desenvolvimento da LLA. A hipótese foi confirmada com o uso de dois inibidores farmacológicos da proteína. “Um deles mostrou-se mais potente e seguimos com ele. Observamos que a inibição farmacológica da ezrina induziu morte celular, reduziu a proliferação das células leucêmicas, modulou vias de sinalização associadas ao câncer e reduziu a capacidade de adesão e migração dessas células”, detalha.
Ao manter a proteína em sua conformação inativa, o composto impede essas funções. “A ezrina é uma peça-chave. Sem ela, o câncer tem mais dificuldade de se desenvolver”, explica Machado-Neto.
Além de seu efeito direto sobre as células leucêmicas, o inibidor de ezrina também demonstrou potencial para ser combinado com medicamentos já usados atualmente. “Testamos em células tumorais o composto junto com fármacos quimioterápicos usados no tratamento da LLA e vimos uma melhora significativa na resposta. Ele torna o tumor mais sensível à quimioterapia”, conta.
A etapa final do estudo envolveu testes in vitro com células obtidas de 30 pacientes: 15 com LLA e a outra metade com leucemia mieloide aguda. As amostras foram cultivadas com o inibidor de ezrina, e os resultados reforçaram as observações feitas com linhagens celulares. “Todas as células dos pacientes com LLA apresentaram excelente resposta ao composto. Já na mieloide, alguns responderam, outros não. Isso mostra que, para a LLA, o alvo é especialmente promissor”, comenta Machado-Neto.
A equipe agora se prepara para avançar nos estudos com modelos animais, uma etapa fundamental para avaliar a segurança e a eficácia do composto em organismos complexos. “Nos próximos dois anos, vamos induzir a leucemia em animais e testar o inibidor, primeiro para verificar toxicidade e depois para confirmar sua eficácia na redução da agressividade da doença”, afirma Machado-Neto.
ICB-USP no Prêmio Octavio Frias de Oliveira – O ICB-USP possui um sólido histórico de reconhecimento no Prêmio Octavio Frias de Oliveira. Ao todo, o Instituto já foi laureado quatro vezes, todas na categoria “Pesquisa em oncologia”.
A primeira vitória ocorreu em 2014 com uma pesquisa sobre vacina experimental contra tumores causados pelo HPV, coordenada pelo prof. Luís Carlos de Souza Ferreira. Em 2017, o prof. Carlos Frederico Martins Menck foi premiado com um estudo sobre a resistência ao medicamento temozolomida em células cancerígenas. Já em 2021, uma pesquisa liderada pela professora Patrícia Chakur Brum, sobre o potencial do exercício físico no combate à caquexia — condição que provoca intensa perda muscular e agrava quadros de câncer — foi a vencedora da edição.
Além da atual participação, o prof. João Agostinho Machado Neto foi finalista em outras três edições da premiação. Em 2023, sua pesquisa sobre o papel do composto THZ-P1-2 no combate à leucemia foi a vencedora. Ele também esteve entre os finalistas nas edições de 2021 e 2024.
Ana Carolina Guerra | Acadêmica Agência de Comunicação e NUCOM-ICB
Substância ajuda a explicar como o vetor da doença interage com o sistema imune humano e pode inspirar novos medicamentos anti-inflamatórios, aponta estudo do ICB-USP.
Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) lideraram um estudo inédito que identificou propriedades imunomoduladoras e anti-inflamatórias em uma proteína da saliva do carrapato Amblyomma sculptum, vetor da febre maculosa brasileira. Nomeada Amblyostatin-1, a substância pode abrir novos caminhos para o enfrentamento da doença, marcada por altas taxas de mortalidade, ajudando a entender como o carrapato modula o sistema imune do hospedeiro e facilita a infecção pela bactéria causadora da febre maculosa. A molécula também apresenta potencial para o desenvolvimento de medicamentos contra processos inflamatórios.
Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a pesquisa é resultado de uma colaboração internacional entre grupos do ICB-USP, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), da Czech Academy of Sciences (República Tcheca) e do National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos. O primeiro autor do artigo, publicado no periódico científico internacional Frontiers in Immunology, é o biólogo Wilson Santos Molari, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Imunologia do ICB-USP, sob orientação do Prof. Dr. Anderson de Sá-Nunes.
“A saliva do carrapato é um coquetel de moléculas bioativas. Identificar uma delas com forte ação imunomoduladora, como a Amblyostatin-1, é um avanço significativo para entender como o vetor interage com o organismo do hospedeiro e transmite a febre maculosa”, explica Sá-Nunes.
No Brasil, a febre maculosa é causada pela Rickettsia rickettsii, uma bactéria intracelular transmitida principalmente por carrapatos do gênero Amblyomma, como o Amblyomma sculptum. A doença é considerada grave, letal e de notificação compulsória: entre 2013 e 2023, foram registrados 2.059 casos e 703 mortes, o que representa uma taxa de mortalidade de cerca de 34%, segundo dados da Agência Brasil. Por se manifestar inicialmente com sintomas semelhantes aos da dengue e de outras doenças comuns, a febre maculosa costuma ser diagnosticada tardiamente, o que compromete a eficácia do tratamento. O diagnóstico precoce é decisivo para aumentar as chances de sobrevivência dos pacientes.
“Quando o carrapato infectado se alimenta, ele injeta na pele do hospedeiro tanto a bactéria quanto moléculas da saliva capazes de suprimir a resposta imune. Isso permite que a infecção avance de forma silenciosa”, explica Sá- Nunes. “Estudar essas moléculas, como a Amblyostatin-1, nos ajuda a compreender os mecanismos que favorecem a transmissão da febre maculosa e pode, no futuro, orientar estratégias para bloquear essa infecção”.
Como a Amblyostatin-1 atua – A Amblyostatin-1 pertence à família das cistatinas, proteínas que inibem enzimas do tipo cisteíno proteases chamadas catepsinas. Essas enzimas desempenham papéis importantes no sistema imune e em processos inflamatórios. No estudo, a molécula demonstrou seletividade na inibição de catepsinas específicas, como a catepsina S e a catepsina L, associadas a processos de ativação de células do sistema imunológico.
A catepsina S, por exemplo, é essencial para a ativação de células dendríticas, enquanto a catepsina L atua na resposta inflamatória dos neutrófilos. Ao inibir essas enzimas, a Amblyostatin-1 demonstrou ser capaz de reduzir significativamente a ativação das células dendríticas e a inflamação cutânea em modelos animais.
“Sabíamos que essas moléculas poderiam modular o sistema imune, mas um estudo anterior, que teve a participação do nosso grupo de pesquisa, mostrou que a Amblyostatin-1 se destacou por ser a cistatina expressa em maiores níveis durante a alimentação do carrapato, o que sugeria um papel relevante na interação com o hospedeiro”, explica Sá-Nunes.
A Amblyostatin-1 também apresentou baixíssima imunogenicidade, ou seja, não induziu a produção de anticorpos nos animais. Esse é um fator importante para o desenvolvimento de medicamentos de uso prolongado, já que o corpo tende a neutralizar substâncias reconhecidas como estranhas. “Essa característica faz da Amblyostatin-1 um antígeno silencioso, ou seja, uma molécula que o organismo não reconhece como uma ameaça. Isso permite seu uso contínuo sem perda de eficácia, algo desejável em tratamentos de longo prazo para doenças inflamatórias”, complementa Sá-Nunes.
Além do grupo liderado por Sá-Nunes no Departamento de Imunologia do ICBUSP, participaram do estudo a Profa. Dra. Andréa Cristina Fogaça (Departamento de Parasitologia do ICB-USP), a Profa. Dra. Aparecida Sadae Tanaka (UNIFESP), o Dr. Michalis Kotsyfakis (Czech Academy of Sciences) e o Dr. Lucas Tirloni (NIH, EUA), dentre outros pesquisadores.
Leia o artigo na íntegra aqui.
Ana Carolina Guerra | Acadêmica Agência de Comunicação e NUCOM-ICB
Após o NUCOM-ICB ter recebido o texto abaixo da equipe do Museu de Anatomia Humana Prof. Alfonso Bovero, que aborda a exposição temporária “Cirúrgico”, divulgamos abaixo a íntegra dessa matéria produzida por eles, devido à sua qualidade informativa:
Em CIRÚRGICO, Victor Grizzo revisita a história da anatomia enquanto campo de confluência entre arte e ciência, criando obras que transitam entre o rigor anatômico e a fabulação poética. Cada trabalho opera como uma incisão que revela, para além de músculos e ossos, as camadas de representação e construção cultural que definem o corpo como signo – um corpo que, na arte, deixa de ser apenas organismo para tornar-se linguagem e pensamento visual. A mostra apresenta a série “Cirurgias”, com obras como Cirurgia para Bordadeiras, Cirurgia para Nadadores e Cirurgia para Pianistas. Nessas criações, Grizzo constrói anatomias de invenção que sugerem hibridizações entre o corpo humano e outras espécies, evocando tanto os atlas anatômicos do século XIX quanto imaginários protocientíficos fantásticos, como em Frankenstein. Seu trabalho convoca reflexões sobre mimese e fabulação na arte, tensionando os limites entre representação científica e invenção estética. Utilizando acrílica, grafite e lápis de cor sobre papel algodão, o artista articula um vocabulário visual minucioso, que mescla precisão de traço, delicadeza técnica e densidade conceitual.
“Em tempos de procedimentos cirúrgicos altamente tecnológicos e voltados a padrões de beleza uniformizados, Grizzo recorre aos recursos de outras espécies da natureza, sugerindo a hibridização entre o humano e outros seres. Com um vocabulário estético que remete a um imaginário protocientífico fantasioso, o artista explora livremente, com humor e criatividade, as infinitas possibilidades da invenção.” – Mariana Leão, curadora
A exposição CIRÚRGICO reúne 18 obras originais que propõem, em conjunto, uma cartografia imaginária do corpo humano, revelando ao público tanto suas estruturas visíveis quanto as camadas subjetivas que nos constituem. As peças podem ser vistas no Museu de Anatomia Humana Prof. Alfonso Bovero, sob coordenação da Profa Dra. Silvia Lacchini, onde dialogam com o acervo científico do espaço e reforçam a potência da arte como instrumento de reflexão sobre a condição humana.
Sobre o artista – Victor Grizzo (Jaú, 1992) é artista visual, escritor e educador. Licenciado e bacharel em História pela USP, explora em suas pinturas, desenhos e textos a anatomia, a memória e a literatura, criando narrativas que transitam entre o lúdico, o científico e o fantástico.
Entre suas exposições, destacam-se Methamorphosis (Senac-Lapa Scipião), Interior em Mim (Casa de Cultura de Jaú) e sua participação em O Mundo de Tim Burton (MIS-SP). É autor dos livros Onde Moram os Ventos, Luz dos Olhos Meus e O Segredo que Habitava o Armário.
Serviço – 16 de julho de 2025 | 13h às 16h – Museu de Anatomia Humana Prof. Alfonso Bovero – ICB III, USP Av. Prof. Lineu Prestes, 2415 – Cidade Universitária, Butantã, São Paulo/SP. Entrada gratuita.
Contato – Museu de Anatomia da USP
De segunda a sexta, das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 16h.
Telefone: +55 (11) 3091-7360
E-mail: mah@icb.usp.br
Artista Victor Grizzo – Instragram: @victor.grizzo
Após o NUCOM-ICB ter recebido o texto abaixo da professora Rita de Cássia Café Ferreira, que aborda a participação Projeto “#Adote” do ICB-USP na 8ª edição do SciBiz, divulgamos abaixo a íntegra dessa matéria produzida por ela, devido à sua qualidade informativa:
Alunos do ICB-USP protagonizam ações de divulgação científica e demostram como ensino, extensão e inovação caminham juntos.
O projeto de extensão universitária “#Adote” foi convidado a participar da 8ª edição do “SciBiz – Science meets Business”, realizada entre os dias 16 e 18 de junho de 2025, em São Paulo. A iniciativa “#Adote” é coordenada pela professora Rita de Cássia Café Ferreira, docente do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e membro do Centro em Biologia de Bactérias e Bacteriófagos (CEPID B3).

Durante o evento, que é reconhecido por promover a integração entre ciência, inovação e empreendedorismo, o projeto apresentou os frutos da Atividade Extensionista intitulada “Projeto #Adote: Adote uma Bactéria, Vírus ou Fungo”, desenvolvida no próprio Departamento de Microbiologia do ICB-USP. A proposta busca aproximar o conhecimento científico da sociedade por meio da educação lúdica e criativa, tendo como protagonistas os próprios alunos da universidade.

Entre os destaques da exposição estiveram jogos e materiais educativos produzidos por estudantes, com o objetivo de tornar o aprendizado sobre microbiologia acessível e atrativo para diferentes públicos, especialmente jovens e adolescentes. Entre as atrações mais comentadas estavam os jogos didáticos “TrepoWar” e “Escape Room”.
O “TrepoWar” é um passatempo sobre Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), que simula batalhas imunológicas contra a bactéria causadora da sífilis (Treponema pallidum pallidum). Já o “Escape Room” é uma experiência imersiva que combina raciocínio e conhecimento científico para “escapar” de um cenário baseado em temas microbiológicos que envolvem o gênero Neisseria, responsável por causar doenças como meningite e a IST gonorreia (Neisseria gonorrhoeae).
Além dos jogos interativos, também foram apresentados:

A participação no SciBiz representa mais um passo importante na missão do projeto “#Adote”: democratizar o acesso ao conhecimento científico e despertar o interesse do público geral pela microbiologia.
Após o NUCOM-ICB ter recebido o texto abaixo da professora Elisa Kawamoto, que trata sobre as atividades de educação em saúde promovidas pelo projeto “Ciência em Voga”, divulgamos abaixo a íntegra dessa matéria produzida por ela, devido à sua qualidade informativa:
Alunos da graduação e pós-graduação do ICB-USP promovem atividades interativas para crianças e adolescentes em São Paulo e Sorocaba.
Com o objetivo de aproximar o conhecimento científico da comunidade e promover educação em saúde de forma acessível e lúdica, o projeto de extensão universitária “Ciência em Voga”, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, realizou, no primeiro semestre deste ano, duas ações marcantes em escolas públicas do Estado de São Paulo. As atividades, que ocorreram em maio e junho, envolveram temas como higienização das mãos, primeira menstruação, controle de piolhos e vacinação.
Primeira parada: Escola Estadual Clorinda Danti – No dia 9 de maio, a equipe do projeto esteve na E.E. Prof. Clorinda Danti, localizada na Vila Lageado, zona oeste da capital paulista. A ação contemplou cerca de 150 alunos do ensino fundamental I, das 4ª e 5ª séries, com temas escolhidos em parceria com a equipe pedagógica da escola: primeira menstruação, piolhos e higiene das mãos.
As oficinas contaram com palestras interativas, materiais didáticos e atividades práticas. Um dos destaques foi a peça teatral com fantoches sobre a menstruação, que despertou o interesse tanto de meninas quanto de meninos, promovendo um ambiente de acolhimento e a quebra de tabus. Já na atividade de higienização, as crianças realizaram experiências com água, sabão e orégano para visualizar a importância da lavagem correta das mãos.
Além disso, os alunos aprenderam a identificar e combater a infestação por piolhos, utilizando bexigas com “cabelos” de papel crepom.
“Foi emocionante ver como os alunos participaram ativamente e tiraram dúvidas sem vergonha. Até os meninos estavam muito engajados no tema da menstruação, o que mostra como abordar esses assuntos de forma lúdica e educativa pode fazer a diferença”, comenta Josiane do Nascimento Silva, pós-graduanda e coordenadora da atividade.
Segunda ação: Escola Estadual Hélio Del Cistia – Já no dia 27 de junho, o projeto chegou à E.E. Hélio Del Cistia, em Sorocaba, com o tema “Vacinação: escudo coletivo da saúde”. Voltada a alunos do fundamental II, a atividade abordou a importância das vacinas por meio de um quiz interativo “FAKE ou FATO”, com afirmações sobre imunização e esclarecimentos científicos sobre cada ponto.
A escola, que já havia trabalhado o tema previamente, surpreendeu a equipe com o entusiasmo dos alunos, que chegaram à sala com cartazes sobre vacinas confeccionados por eles mesmos.
“Ver os alunos tão bem informados e engajados foi uma grande recompensa. Eles se tornaram verdadeiros ‘desmistificadores da vacina’”, afirma a profa. Elisa Kawamoto, idealizadora do projeto.
Impacto e continuidade – As ações do “Ciência em Voga” têm como premissa a escuta das necessidades das escolas parceiras, a adaptação das atividades ao público-alvo e o fortalecimento do vínculo entre universidade e sociedade. Além disso, o projeto promove a formação cidadã dos próprios universitários envolvidos, ao incentivá-los a atuar como multiplicadores de conhecimento.
A iniciativa está aberta a novas parcerias com escolas públicas ou instituições comunitárias. Interessados podem entrar em contato pelo e-mail elisamk@usp.br para agendar uma visita de prospecção.
Confira abaixo a equipe do projeto Ciência em Voga:
– Atividade na Escola Estadual Clorinda Danti
Estudantes de graduação participantes: Ana Beatriz S. Gonçalves, Arthur Cantanzaro, Beatriz Teruel, Helloiza S. de Barros, Inaie P. S. Vieira, Júlia Maria B. Roque, Julia T. Oliveira, Luana R. Soares, Sarah F. Santos e Vitória V. Fassina.
Equipe de coordenação: professora Elisa Kawamoto e pós-graduandos(as) Josiane do N. Silva, Bianca A. Rodrigues e Thays C. Santiago.
– Atividade na Escola Estadual Hélio Del Cistia
Estudantes de graduação participantes: Ana Lua P. F. Tavares, Giovanna Tresso e Julia T. Oliveira.
Pós-graduandos(as) participantes: Geovana Rosa, Giovanna B. Melo, Isis O. Menezes, Jeferson Rubens M. Silva e Jessica Nunes.
Professora colaboradora: Luciana B. Lopes.
Equipe de coordenação: professora Elisa Kawamoto e pós-graduandas Josiane do N. Silva, Bianca A. Rodrigues e Thays C. Santiago.
– Projeto no geral
O projeto de Extensão “Ciência em Voga” direcionados às escolas, conta ainda com o apoio das professoras da USP Eliana Akamine, Luciana Lopes, Rosana Camarini, Silvana Chiavegatto e Soraia Costa.
Apoio Financeiro: Comissão de Cultura e Extensão do ICB-USP, Departamento de Farmacologia do ICB-USP, Pró-reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP e Pró-reitoria de Pós-graduação da USP
Veja abaixo a galeria de fotos das atividades realizadas:
Escola Estadual Clorinda Danti

Escola Estadual Hélio Del Cistia

Após o NUCOM-ICB ter recebido o texto abaixo das professoras Carla Carvalho e Raif Muza Aziz, que trata sobre a participação do ICB-USP em seminários da PRCEU, divulgamos abaixo a íntegra dessa matéria produzida por elas, devido à sua qualidade informativa:
Atividades Extensionistas Curricularizadas (AEX) desenvolvidas pelo ICB-USP foram reconhecidas durante seminário nas categorias “Melhores Práticas” e “Cases de Sucesso”.
Entre 16 e 17 de junho de 2025, a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo (PRCEU-USP) promoveu dois seminários dedicados à discussão da curricularização da extensão. Durante o evento, quatro Atividades Extensionistas Curricularizadas (AEX) desenvolvidas pelo Instituto de Ciências Biomédicas (ICB-USP) foram reconhecidas com premiações e menção honrosa nas categorias “Melhores Práticas” e “Cases de Sucesso”.
No dia 16, ocorreu o terceiro encontro conjunto entre a USP, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com foco na ampliação da articulação entre essas instituições públicas de ensino e na definição de métricas comuns para a área. Já no dia 17, o seminário voltado à comunidade USP foi realizado no auditório Istvan Jancsó, localizado no Espaço Brasiliana, no campus Butantã.
Lançamento de livro institucional – Durante o evento, foi lançado o livro Cultura e Extensão na USP: Reflexões e Impactos, organizado pela Pró-Reitora Profa. Marli Quadros Leite. A obra apresenta uma síntese histórica das ações de cultura e extensão na USP. Além disso, a obra discute os marcos regulatórios que tornaram obrigatória a inserção da extensão no currículo das instituições de ensino superior, conforme as normativas CNE/CES nº 7/2018 (nacional) e CEE 216/2023 (estadual).
Na USP, essa exigência foi regulamentada pela Resolução nº 8711/2024, aprovada pelos Conselhos de Cultura e Extensão (CoCEx) e de Graduação (CoG). A atual gestão da PRCEU tem enfatizado o aprofundamento conceitual da cultura e da extensão universitária como instrumentos estratégicos para responder a demandas sociais e promover impactos acadêmicos e públicos.
Curricularização na USP: panorama e destaque do ICB – Segundo dados apresentados no seminário e no livro, dos 261 cursos de graduação da USP, apenas 17 adotaram exclusivamente o modelo de AEX, em consonância com os princípios da Resolução nº 8711/2024. O ICB respondeu de forma rápida e alinhada a esses princípios. Ao todo, o Instituto cadastrou e aprovou 29 AEX, que totalizam cerca de 900 horas e 600 vagas. Dentre as 29 AEX, 14 já foram realizadas, com seus relatórios concluídos e os créditos atribuídos automaticamente via Apolo/Júpiter. A diversidade das atividades oferece oportunidades compatíveis com os interesses e habilidades dos estudantes.
Reconhecimentos institucionais ao ICB – Durante o seminário de 17 de junho, quatro AEX do ICB foram reconhecidas como “Melhores Práticas”, sendo duas delas também destacadas como “Cases de Sucesso”. A PRCEU premiou as boas práticas em quatro grandes áreas do conhecimento, com classificação por colocação. Confira abaixo as AEX do ICB que foram premiadas:
Quadrilátero Biológicas
2º lugar – Melhor Prática. “Aprender Ensinando na Exposição ‘Outbreak! Epidemia em um mundo conectado’”, do Departamento de Imunologia. Coordenação: Profa. Dra. Maristela M. de Camargo; Vice-coordenação: Profa. Dra. Rita de Cássia Café Ferreira, com apoio do MAH Alfonso Bovero.
3º lugar – Melhor Prática. “Metabolismo e Obesidade: uma abordagem fisiológica para hábitos saudáveis”, do Departamento de Fisiologia e Biofísica. Coordenação: Profa. Dra. Carla R. O. Carvalho; Vice-coordenação: Profa. Dra. Raif Muza Aziz; colaboração da Dra. Renata L. A. Furlan (Depto. de Microbiologia), coordenadora do Projeto Biocientista Mirim.
Menção Honrosa – Melhor Prática. “Fisiologia na Escola: Por que os rins concentram ou diluem a urina?” – Coordenação: Profa. Dra. Raif Muza Aziz (Fisiologia e Biofísica).
Quadrilátero Saúde
2º lugar – Melhor Prática. “Adote uma Bactéria, Vírus ou Fungo nas Mídias Sociais”, do Departamento de Microbiologia. Coordenação: Profa. Dra. Rita de Cássia Café Ferreira. Participações: Prof. Jansen de Araújo, Profa. Kelly Ishida, Prof. José G. Cabrera Gomez, Prof. Mário H. de Barros, Prof. Robson F. de Souza e Dra. Ana C. R. Moreno (pesquisadora colaboradora).
Encerramento da gestão na CCEx-ICB: balanço e recomendações – Com o encerramento da atual gestão da presidência da Comissão de Cultura e Extensão (CCEx) do ICB-USP previsto para 20 de julho, registra-se com satisfação o trabalho coletivo desenvolvido, o engajamento dos docentes e a adesão dos estudantes ao processo de curricularização da extensão.
A atual presidente da CCEx Profa. Carla Carvalho compartilhou algumas recomendações para continuidade e aprimoramento das ações extensionistas no ICB-USP:


Mostra gratuita promovida pelo ICB-USP exibe 33 imagens em relevo sobre memória e transformação urbana, em dois espaços da Cidade Universitária.
Até 15 de agosto, a cidade de São Paulo é tema da exposição “Fotografia e Arte: A cidade de São Paulo”, composta por 33 fotografias com relevo, produzidas por alunos do Programa USP 60+. A mostra propõe uma narrativa visual sensível sobre as transformações da capital paulista — tudo sob o olhar de 33 expositores com mais de 60 anos.
Promovida pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e idealizada pelo docente João Marcelo Pereira Alves e a servidora Monica Chamorro, a exposição é exibida em dois espaços da Cidade Universitária: até 18 de julho na Biblioteca Brasiliana, e de 21 de julho a 15 de agosto no Restaurante Sweden.
A mostra marca o encerramento da 12ª edição da oficina “Novo Olhar Fotográfico da Paisagem Urbana”, oferecida pela Comissão de Cultura e Extensão (CCEx) do ICB-USP. A atividade reuniu 42 alunos ao longo do semestre, promovendo o aprendizado técnico e artístico em fotografia, além de estimular o envelhecimento ativo e o engajamento cultural.
Por meio de registros autorais, os participantes constroem um retrato coletivo da cidade, revelando as marcas do tempo na arquitetura, nos espaços afetivos e nas relações humanas. Cada imagem funciona como um testemunho visual de quem vive — e continua vivendo — uma cidade em constante transformação.
A entrada é gratuita e não é necessário agendamento.
Confira aqui fotos tiradas durante o lançamento da exposição.
Fotos: Marilene Guimarães
Serviço
Exposição: Fotografia e Arte: A cidade de São Paulo
Quanto: Gratuito, sem necessidade de agendamento prévia
📍1ª etapa: 16/06 a 18/07 — Sala BNDES/Subsolo da Livraria Edusp
Rua da Biblioteca, 21 – Espaço Brasiliana, Cidade Universitária, São Paulo
📍2ª etapa: 21/07 a 15/08 — Restaurante Sweden
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 4 – Cidade Universitária, São Paulo
Ana Carolina Guerra | Acadêmica Agência de Comunicação e NUCOM-ICB
A Reagent Collaboration Network (Reclone) é uma rede colaborativa mundial, que tem o objetivo de desenvolver e distribuir materiais biológicos para pesquisadores.
Docentes ligados ao Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) estão encabeçando o projeto de instalação do primeiro polo da Reagent Collaboration Network (Reclone) no Brasil. A Profa. Andrea Balan, do Departamento de Microbiologia do ICB-USP, e o professor visitante no Instituto Marko Hyvönen, originário da Universidade de Cambridge (Reino Unido), estão trazendo a Reclone para a USP, com o intuito de produzir e distribuir biomateriais gratuitamente para pesquisadores, laboratórios e universidades brasileiras.
Presente em mais de 50 países, a Reclone surgiu com o objetivo de possibilitar que todos os pesquisadores da área de biológicas tivessem acesso a reagentes e ferramentas a baixo custo para produzir conhecimento e inovação. “No cotidiano de um laboratório, precisamos de várias enzimas, marcadores de proteína e de DNA, porém esses materiais são caros e representam grande parte dos recursos obtidos por meio de agências de fomento”, explica Balan. A partir desse obstáculo, ela e Hyvönen uniram esforços para construir um polo da Reclone no Brasil.
Em sua vinda para São Paulo, Hyvönen trouxe a coleção de enzimas da rede e o primeiro passo da iniciativa será distribuir esse material para pesquisadores interessados. “Também vamos estabelecer a produção de enzimas-chave de biologia molecular na USP, tanto para uso na Universidade quanto para outras instituições”, conta Hyvönen. Segundo Balan, a ideia é distribuir essas enzimas em laboratórios do Brasil inteiro para que os pesquisadores tenham acesso a esse material sem custo. O projeto também irá preparar e treinar pesquisadores de diferentes instituições para que possam produzir seus próprios materiais.
Como próximos passos, o polo pretende criar protocolos para a produção de enzimas essenciais, ofertar cursos sobre como produzir esse material e distribuir kits para que laboratórios pelo Brasil possam desenvolver suas próprias enzimas a baixo custo. Balan explica que o intuito é levar os cursos e os kits para locais onde não haja ou tenha pouco financiamento. “O intuito dessa ação é promover mais pesquisas biológicas e biomédicas — tanto básicas quanto aplicadas”, acrescenta Hyvönen.
“Queremos ouvir o que as pessoas precisam em seus trabalhos e como isso pode beneficiar tanto a pesquisa quanto o ensino na USP”, afirma Hyvönen. A partir dessas trocas com os pesquisadores, eles têm o intuito de trabalhar com a rede global da Reclone para ampliar as ofertas de materiais biológicos, criando novas construções de DNA e outras ferramentas que a comunidade necessita.
O polo brasileiro também planeja contribuir regionalmente com a estrutura latino-americana da Reclone, participando de iniciativas e projetos conjuntos. Atualmente, a rede tem centros na Argentina, Chile e Peru, os quais, junto com o polo brasileiro, receberam investimentos da Iniciativa Chan Zuckerberg (CZI) para fomentar a pesquisa biomédica local. Conheça mais sobre a Rede Reclone aqui.
Enfrentando a resistência antimicrobiana – A instalação do polo da Reclone na USP é parte de uma pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) por meio do programa São Paulo Excellence Chair (SPEC), que Balan e Hyvönen começaram a desenvolver no Brasil neste ano. A iniciativa “Caracterização estrutural e funcional de transportadores ABC de microrganismos ESKAPE: enfrentando a resistência antimicrobiana” tem o intuito de estudar a resistência antimicrobiana a múltiplas drogas e, a partir do conhecimento adquirido, desenvolver um programa mais amplo para criação de agentes antimicrobianos.
Na pesquisa, será estudado o grupo ESKAPE, que é composto por patógenos bacterianos com altos níveis de resistência antimicrobiana. O nome é um acrônimo formado pelas seis espécies de bactérias que fazem parte desse grupo: Enterococcus faecium, Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter baumannii, Pseudomonas aeruginosa e Enterobacter spp. Esses patógenos estão frequentemente associados a surtos de infecções hospitalares, representando uma ameaça à saúde pública.
O grupo ESKAPE apresenta altos níveis de resistência antimicrobiana a múltiplas drogas, devido à sua capacidade de produzir em excesso bombas de efluxo que transportam drogas e antibióticos para fora da célula, limitando a eficácia desses medicamentos contra os patógenos. As bombas de efluxo são proteínas transmembranares que reconhecem diferentes antimicrobianos e fármacos e os expulsam das células.
Durante a pesquisa, os professores planejam estudar as bombas de efluxo dos patógenos ESKAPE, com o intuito de explorar as estruturas e a função dessas proteínas, além de avaliar a capacidade de modular as atividades de efluxo por meio de pequenas moléculas. Os pesquisadores esperam que os resultados do projeto sirvam de base para o desenvolvimento de inibidores direcionados a proteínas de membrana microbianas. Em agosto deste ano, durante a vinda de Hyvonen ao Brasil, os professores farão uma apresentação sobre o Projeto Reclone para a academia.
Parceria de longa data – Durante seu período sabático da Universidade de Cambridge, Hyvönen foi convidado por Balan para desenvolver a pesquisa sobre o grupo ESKAPE. Para participar do projeto, ele será professor visitante no ICB-USP pelos próximos quatro anos. Porém, a parceria entre os docentes é de longa data.
Eles se conheceram em 2008 durante o pós-doutorado de Balan na Universidade de Cambridge e passaram a colaborar em 2010, gerando uma rede de cooperação entre suas equipes, que resultou em um intercâmbio de alunos de pós-graduação entre os dois laboratórios. Em 2017, ambos os professores ministraram na universidade inglesa um curso de Técnicas de Biofísica Aplicadas ao Estudo de Proteínas com a participação de seis alunos do grupo de Balan, além de estudantes da instituição europeia.
No mesmo ano, criaram uma disciplina para a pós-graduação do ICB, a qual aborda o problema da produção de proteínas recombinantes com o objetivo capacitar os alunos a planejarem experimentos para produzir proteínas de interesse, purificá-las e analisá-las. Atualmente, a disciplina é ofertada para alunos de Pós-Graduação do ICB e da USP todos os anos com a presença de Hyvönen, sendo também uma ação de internacionalização promovida pelo Instituto. “O curso é totalmente em inglês e os alunos também fazem apresentações nesse idioma, o que lhes dá a oportunidade de praticar em um ambiente acolhedor”, explica o professor visitante.
Ana Carolina Guerra | Acadêmica Agência de Comunicação e NUCOM-ICB
Após o NUCOM-ICB ter recebido o texto abaixo do professor Gabriel Padilla, que trata sobre a disciplina “Capacitação Pedagógica para Pós-Graduandos”, divulgamos abaixo a íntegra dessa matéria produzida por ele, devido à sua qualidade informativa:
A disciplina “Capacitação Pedagógica para Pós-Graduandos”, oferecida pelos Programas de Pós-Graduação do ICB e Interunidades em Biotecnologia, surge como um pilar essencial na formação de futuros professores universitários. Esta iniciativa, que conta com a colaboração da pesquisadora Dra. Renata Furlan e de professores do Departamento de Microbiologia, responde diretamente à crescente demanda por uma docência transformadora no ensino superior brasileiro contemporâneo. Ela se alinha à qualidade do ensino superior brasileiro que exige o desenvolvimento de competências e habilidades docentes alinhadas às Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), enfatizando a capacitação pedagógica como fundamental para formar mediadores capazes de inspirar a aprendizagem ativa e capacitar os estudantes a construir seu próprio conhecimento de forma autônoma e significativa.
A relevância da disciplina reside em sua profunda conexão com as bases da educação superior. A pós-graduação stricto sensu, conforme estabelecido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB/1996), evidencia o papel crucial da formação de futuros professores universitários, integrando pesquisa e docência. Contudo, a abordagem tradicional, focada meramente na transmissão de conteúdo, já não atende às complexas demandas da educação atual, e observa-se que a maioria dos programas de pós-graduação, particularmente aqueles com ênfase na formação científica, frequentemente negligencia a preparação para a prática docente, apesar da significativa inserção de seus egressos no campo da educação superior. É justamente nessa interface formativa que a disciplina foi implementada e integrada ao Programa de Aperfeiçoamento de Ensino (PAE) da USP, reafirmando o compromisso do ICB-USP com a excelência no ensino superior.
Concebendo a docência como uma prática intrinsecamente reflexiva e transformadora, a disciplina, que já se encontra em sua segunda edição, consolidou-se como um espaço de formação essencial. Ela visa alinhar as práticas de ensino às DCNs, incentivando a adoção de metodologias didáticas ativas e contribuindo efetivamente para a preparação pedagógica dos pós-graduandos do ICB. Até o momento, capacitou 58 pós-graduandos provenientes de diversas unidades e áreas do conhecimento da USP, desde sua implementação no segundo semestre de 2024. A formação proporciona uma imersão em experiências de aprendizagem ativa, abrangendo desde o planejamento curricular até estratégias de ensino e processos avaliativos.
A capacitação visa desenvolver habilidades práticas, fomentar a aplicação de metodologias ativas, integrar o uso de tecnologias educacionais e promover a inclusão. Seu propósito primordial é preparar jovens pesquisadores para atuarem como docentes inovadores, capazes de facilitar aprendizagens ativas, significativas e genuinamente centradas no estudante. Conforme destacado pela Dra. Furlan: “nosso foco principal é capacitar o estudante a construir seu próprio conhecimento de forma autônoma e significativa, preparando-o de maneira eficaz para enfrentar os complexos desafios do mundo contemporâneo”.
Durante a disciplina, os participantes têm a oportunidade de vivenciar e aplicar ativamente estratégias pedagógicas contemporâneas, como o design reverso para o planejamento curricular, a elaboração de instrumentos de avaliação da aprendizagem e a realização de reflexões críticas sobre a prática docente. Essas vivências enriquecem significativamente seus repertórios pedagógicos, complementando a formação em pesquisa. Os encontros presenciais e atividades propostas promovem ricas trocas de experiências entre os pós-graduandos e os docentes, preparando-os para inovar em suas futuras salas de aula e adaptar suas práticas a uma variedade de contextos educacionais.
A avaliação da disciplina, conduzida por meio de formulários de feedback respondidos pelos próprios participantes ao final de cada edição, tem revelado um alto grau de satisfação. Os pós-graduandos frequentemente destacam o caráter eminentemente prático da formação oferecida, a clareza na apresentação dos objetivos de aprendizagem e a inegável relevância dos temas abordados para suas futuras carreiras docentes. Muitos relatam sentir-se consideravelmente mais preparados e confiantes para assumir responsabilidades de docência após a conclusão da disciplina. Adicionalmente, um número expressivo de participantes reconhece a experiência como um divisor de águas, um ponto de virada enriquecedor e transformador em suas trajetórias acadêmicas e profissionais.
Diante da robustez e positividade dos resultados alcançados, reitera-se a fundamental importância de manter, fortalecer e, sempre que possível, expandir iniciativas de capacitação pedagógica no âmbito da pós-graduação. A contínua valorização e o investimento na formação pedagógica de qualidade não apenas qualificam intrinsecamente o ensino superior brasileiro, mas também reforçam o compromisso institucional do ICB-USP com a formação integral de futuros professores universitários, críticos, reflexivos e inovadores. O notável engajamento e a dedicação da pesquisadora e dos docentes do Instituto envolvidos nessa iniciativa demonstram de forma inequívoca que investir nessa modalidade de formação é, acima de tudo, um investimento estratégico e essencial no futuro da educação científica de excelência no Brasil.
Fiquem atentos à próxima edição da disciplina, que ocorrerá a partir de agosto de 2025.
Texto elaborado pelos responsáveis da disciplina “Capacitação Pedagógica para Pós-Graduandos“: Professores Gabriel Padilla, José Gregório Gomez, Rita Café Ferreira e a pesquisadora colaboradora Renata Furlan, todos do departamento de Microbiologia do ICB-USP.
Após o NUCOM-ICB ter recebido o texto abaixo dos professores Rita de Cássia Café Ferreira, José Gregório Cabrera Gomez e Raif Musa Aziz, que trata sobre evento em celebração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, divulgamos abaixo a íntegra dessa matéria produzida por eles, devido à sua qualidade informativa:
Especialistas discutem os impactos ambientais, as mudanças climáticas e o papel da ciência na construção de soluções sustentáveis.
No último dia 03 de junho, a Comissão de Cultura e Extensão Universitária (CCEx) do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), presidida pela Profa. Carla Carvalho, organizou um evento em celebração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, com o título “Crise ambiental em debate: o que a natureza está nos dizendo e como podemos agir”.
A programação teve início com uma exposição de fotografias produzidas pelo grupo 60+ da USP, coordenado pela funcionária do setor da CCEx-ICB Mônica Chamorro, que retratam temas relacionados à Semana do Meio Ambiente 2025. As imagens estimularam a reflexão sobre a relação entre sociedade e natureza, marcando de forma sensível o início das atividades.
Em seguida, foram realizados três palestras e um debate com participação ativa do público – tanto presencialmente quanto por meio de transmissão online.
A primeira palestra foi ministrada pelo Prof. José Gregório Goméz, chefe do Laboratório de Bioprodutos e especialista em metabolismo bacteriano e engenharia metabólica, o docente apresentou um panorama sobre os plásticos, discutindo seus benefícios, os impactos ambientais do seu uso e descarte, além das possíveis soluções por meio de bioplásticos – materiais biodegradáveis e/ou biorrenováveis que podem mitigar a dependência de produtos petroquímicos. Também abordou o papel das biorrefinarias e de ferramentas computacionais para o avanço dos bioprocessos sustentáveis.
Na segunda palestra, o Prof. Marcos Silveira Buckeridge, docente e ex-diretor do Instituto de Biociências da USP, tratou das mudanças climáticas, destacando a diferença entre clima e tempo, e enfatizando os impactos das transformações climáticas nas áreas urbanas. O professor ressaltou a necessidade de decisões públicas embasadas no conhecimento científico e alertou para a urgências de se integrar a produção acadêmica das universidades às políticas públicas, especialmente em um contexto de crescente urbanização.
Encerrando as palestras, a Profa. Cristina Nakayama, do Instituto de Ciências Ambientais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), abordou a microbiologia ambiental, com ênfase na produção de metano – um dos gases de efeito estufa mais potentes. Nakayama explicou o papel das arqueias metanogênicas e das bactérias metanotróficas no ciclo do metano, destacando como o conhecimento da biodiversidade microbiana é fundamental para o enfrentamento das mudanças climáticas.
O evento foi encerrado com uma Roda de Conversa conduzida pelas professoras Raif Musa Aziz e Rita Café Ferreira, ambas da CCEx-ICB, com mediação do professor Goméz. O debate proporcionou um espaço de diálogo com o público, que participou ativamente com perguntas e reflexões. Os temas abordados incluíram a sustentabilidade das cidades, a importância de políticas baseadas em evidências científicas e os desafios tecnológicos e econômicos da produção de bioplásticos.
A atividade reforçou a urgência da ação coletiva e informada diante da crise ambiental, com este convite à reflexão: Vamos restaurar e cuidar do nosso planeta – nossa casa comum.
Assista a gravação do evento aqui.
Texto elaborado pelos professores da Comissão de Cultura e Extensão do ICB:
Rita de Cássia Café Ferreira e José Gregório Cabrera Gomez, do Departamento de Microbiologia; e Raif Musa Aziz, do Departamento de Fisiologia e Biofísica. Com a colaboração da aluna de graduação do Curso de Ciências Biomédicas do ICB-USP Larissa Camargo.
Fotos: Monica Raquel Chamorro – Chefe do Serviço de Cultura e Extensão.
Audiovisual – Filmagem: Márcio Villar Martins








