Após o NUCOM-ICB ter recebido, revisado e editado o texto da profa. Denise Morais da Fonseca, o qual relata pesquisa sobre a relação do cortisol com a restrição calórica, divulgamos abaixo a íntegra desta matéria produzida por ela, devido à sua qualidade informativa*:
Pesquisadores do ICB-USP, em colaboração com a Weill Cornell Medicine, descobriram que um hormônio relacionado às respostas de estresse e ao ritmo circadiano, o cortisol, controla como as células do sistema imune respondem às infecções e utilizam glicose em uma dieta de restrição calórica.
A pesquisa foi realizada na Weill Cornell Medicine (Nova Iorque, Estados Unidos), durante o estágio BEPE da aluna de doutorado Luísa Menezes-Silva, sob supervisão dos pesquisadores Dr. Nicholas Collins (Weill Cornell Medicine) e Dr. Niels Olsen Saraiva Câmara (ICB-USP). Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP #23/01164-9), o estudo buscou compreender o que acontece com o sistema imune após curtos períodos em restrição de calorias. Como o sistema imunológico demanda um alto gasto de energia, a dúvida dos pesquisadores era como essas respostas imunológicas aconteceriam em uma situação de dieta de restrição calórica.
Os pesquisadores utilizaram o modelo animal de camundongos para provarem sua hipótese. Os camundongos ingeriam aproximadamente metade (50%) do consumo diário de calorias e nutrientes comparados a um animal que tinha dieta à vontade. Foi descoberto que um hormônio relacionado às respostas de estresse e ao ritmo circadiano, o cortisol, aumenta durante a restrição de nutrientes. O aumento deste hormônio fez com que linfócitos T CD8+ naive, células importantes para a geração de respostas contra uma infecção, migrassem para a medula óssea desses animais durante o período de restrição de nutrientes.
Em contrapartida, o cortisol aumentou a sobrevida de uma população de células da resposta imune conhecida como neutrófilos, abundantes na corrente sanguínea e importantes no combate a microorganismos. Esse aumento de neutrófilos foi necessário para promover a proteção dos animais em restrição calórica contra diferentes bactérias. Esses efeitos mediados pelo cortisol foram confirmados por meio do tratamento dos animais com o hormônio sintético, a dexametasona.
Além disso, os pesquisadores descobriram que o aumento do hormônio cortisol nos animais em restrição calórica é importante para evitar o gasto elevado de nutrientes pelo sistema imune. O aumento do cortisol durante a restrição calórica impediu a proliferação dos linfócitos T, células conhecidas pelo seu alto gasto de energia quando estão ativadas, enquanto os neutrófilos desses animais passaram a usar menos glicose. Dessa forma, os pesquisadores concluíram que o aumento do cortisol durante a dieta de restrição de calorias tem um papel crucial na regulação da resposta imune, inibindo o uso excessivo de glicose e modulando a resposta imune de forma eficiente para combater infecções.
*Texto revisado e editado por NUCOM-ICB
Acesse aqui a publicação na íntegra.
