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Professora do ICB-USP é eleita membro titular da Academia Brasileira de Ciências

Reconhecimento pelos pares destaca trajetória acadêmica e atuação na defesa da ciência no Brasil.


“É uma grande honra, porque é um reconhecimento da nossa comunidade.” A afirmação é da professora titular do Departamento de Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, Leticia Veras Costa Lotufo, ao comentar sua eleição como membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

 

O pleito ocorreu em dezembro de 2025, e a diplomação, em 7 de maio último. A escolha é realizada pelos próprios integrantes da Academia.
Segundo a docente, fazer parte da ABC significa integrar um espaço estratégico de articulação e defesa da ciência no Brasil. Ela destaca que a Academia, frequentemente em conjunto com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), tem atuado em várias frentes que confluem para a promoção da ciência no país.

 

“A possibilidade de conviver com cientistas de todas as áreas e participar de fóruns que discutem o desenvolvimento científico é muito importante”, afirma. De acordo com Lotufo, a instituição também tem forte papel na mobilização da comunidade científica frente a desafios atuais, como a disseminação de desinformação e as limitações de recursos públicos para pesquisa.

 

A eleição para membro da ABC, explica Lotufo, reflete uma trajetória construída ao longo de anos de dedicação à pesquisa, à formação de pessoas e à participação em espaços de gestão e formulação de políticas científicas. Para ela, o envolvimento em sociedades científicas, comitês de avaliação e iniciativas de divulgação científica também contribui para esse reconhecimento.

 

A sua atuação em pesquisa científica envolve a busca por novos fármacos anticâncer a partir da biodiversidade brasileira, em especial do ambiente marinho, onde vem desenvolvendo projetos para o conhecimento da biodiversidade microbiana e do seu potencial biotecnológico, visando o desenvolvimento sustentável de novos fármacos. Possui colaboração com grupos de universidades dos EUA, Portugal, Itália e África do Sul.

 

Além da produção acadêmica, a professora enfatiza a importância de aproximar a ciência da sociedade. Em seu laboratório, por exemplo, são desenvolvidas ações de educação científica com estudantes do ensino básico, além de projetos voltados à conscientização ambiental, especialmente na área de biologia e farmacologia marinha.

 

A entrada na ABC também abre novas oportunidades de colaboração e formação, por exemplo, por meio de iniciativas voltadas ao estímulo de vocações científicas nos jovens, que permitem aos membros da Academia receberem estudantes de diferentes regiões do país para atividades de pesquisa em seus laboratórios.

 

Apesar do reconhecimento, a docente destaca que o momento exige ainda mais engajamento. Para ela, pesquisadores mais experientes têm o papel de contribuir para a construção de um ambiente científico mais favorável às novas gerações, especialmente diante das dificuldades enfrentadas pela carreira acadêmica no país.

 

Ao comentar sua trajetória, Lotufo também fez questão de agradecer às instituições que marcaram sua carreira. “Eu gostaria de dividir esse reconhecimento com essas duas instituições e com meus colegas, que me proporcionaram tantas oportunidades”, afirma, referindo-se ao ICB-USP, onde ingressou em 2015 e se tornou professora titular em 2017, e à Universidade Federal do Ceará, onde atuou anteriormente.

 

Como mensagem final, a docente deixou um conselho às jovens pesquisadoras: “você precisa acreditar em você antes de mais nada, acreditar no seu trabalho e buscar sempre uma ciência colaborativa”. Ela também destaca a importância de redes de apoio e da persistência ao longo da formação científica. “Não desistam. Montem redes de apoio e sigam com dedicação, empatia e trabalho duro”, conclui.

 

Sessão Solene da ABC 2026 na Escola Naval. Créditos da imagem: Academia Brasileira de Ciências (ABC)

 

Ana Carolina Guerra | Acadêmica Agência de Comunicação e NUCOM-ICB