Ambientes fechados, queda de temperatura e maior circulação de vírus tornam o período mais propenso à transmissão de doenças gripais
Com a chegada do inverno, o uso de máscaras volta a ganhar relevância como medida de proteção individual e coletiva contra doenças respiratórias. Segundo o professor e microbiologista Edison Durigon, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), a combinação de temperaturas mais baixas e maior permanência em ambientes fechados favorece a disseminação de vírus.
“O inverno faz com que as pessoas fiquem mais aglomeradas e em locais fechados, o que facilita muito a transmissão de vírus respiratórios”, explica o pesquisador. Ele acrescenta que, além da proximidade entre os indivíduos, o próprio clima contribui para a sobrevivência dos vírus por mais tempo no ambiente.
Esse fenômeno ocorre porque o frio e o ar mais seco retardam a evaporação das gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar, permitindo que elas permaneçam suspensas ou depositadas nas superfícies por mais tempo. Além disso, a menor presença de radiação ultravioleta — que ajuda a inativar microrganismos — e as baixas temperaturas funcionam como um ambiente de conservação, semelhante a uma refrigeração, mantendo os vírus viáveis fora do organismo por períodos mais prolongados.
“Esses vírus entram principalmente pela boca e pelo nariz. Quando usamos máscara, evitamos que as partículas alcancem essas mucosas”, afirma Durigon. Ele ressalta que a proteção vale tanto para quem deseja evitar a infecção quanto para quem já apresenta sintomas. “Se o indivíduo está gripado, a máscara impede que o vírus seja transmitido para outras pessoas.”
Além da transmissão por gotículas e aerossóis, o professor chama atenção para o contágio por contato com superfícies. “Ao tocar objetos contaminados e levar a mão ao rosto, a pessoa pode se infectar. A máscara também ajuda a reduzir esse hábito”, diz.
De acordo com o especialista, diferentes tipos de máscara podem ser eficazes no dia a dia. “As máscaras cirúrgicas e as de tecido apropriado são suficientes para proteção contra vírus gripais”, afirma. Já modelos como PFF2 e N95 são mais indicados para contextos hospitalares.
No caso das máscaras de tecido, é importante optar por produtos desenvolvidos especificamente para barrar microrganismos, com múltiplas camadas e tramas mais fechadas, capazes de reter partículas, além de, em alguns casos, incorporar substâncias com ação antiviral e antibacteriana. Independentemente do modelo, a máscara deve formar uma barreira eficiente contra a passagem de gotículas, sem comprometer o conforto respiratório durante o uso cotidiano.
Outro ponto importante é o ajuste adequado ao rosto. “A máscara precisa se adaptar bem, sem espaços por onde o ar possa passar. Caso contrário, a proteção fica comprometida”, explica Durigon. Ele destaca ainda que fatores como o uso de barba podem interferir na vedação e devem ser considerados na escolha do modelo.
Para o professor do ICB-USP, o uso da máscara deve ser orientado pelo contexto. “Não é necessário utilizá-la o tempo todo como fazíamos na pandemia, mas em ambientes fechados e com aglomeração, especialmente no inverno, ela é altamente recomendada”, afirma.
Outras medidas de prevenção – Embora o uso de máscaras seja uma das principais formas de proteção, ele não substitui outras medidas preventivas. A higienização frequente das mãos continua sendo fundamental. “Muitas infecções acontecem quando a pessoa leva o vírus das mãos para o rosto. Por isso, lavar as mãos e usar álcool em gel são práticas importantes no dia a dia”, orienta Durigon.
Evitar ambientes muito cheios e manter certo distanciamento das pessoas também contribuem para reduzir o risco de contágio, especialmente em espaços fechados durante o inverno.
A vacinação é outro pilar essencial. O professor destaca que a imunização contra a influenza deve ser feita anualmente. “O vírus da gripe sofre mutações frequentes, por isso a vacina precisa ser atualizada e aplicada todos os anos”, explica. Embora não proteja contra todos os vírus respiratórios, a vacina reduz significativamente os casos mais graves de influenza.
Em relação à covid-19, a orientação atual é diferente. Segundo Durigon, pessoas que já receberam pelo menos três doses apresentam boa proteção. A recomendação de reforços mais frequentes permanece principalmente para grupos de risco, como idosos, gestantes e profissionais de saúde, que devem se vacinar periodicamente.
Além da proteção individual, a vacinação tem impacto coletivo. “Quanto mais pessoas estão vacinadas, menor é a circulação do vírus na população”, afirma. A vacinação contribui não apenas para proteger quem se imuniza, mas também para reduzir a disseminação da doença em toda a comunidade.
Por fim, o especialista reforça a importância de se procurar atendimento médico diante de sintomas mais intensos e alerta para os riscos da automedicação. “Nunca é bom se tratar em casa”, afirma. Segundo Durigon, embora medidas simples, como repouso e hidratação, possam aliviar sintomas leves, elas não tratam a infecção. Além disso, doenças gripais podem evoluir para quadros mais graves ou desencadear infecções secundárias, como pneumonia, amigdalite ou otite.
“O médico é quem vai avaliar se há necessidade de medicamentos específicos, como antivirais ou antibióticos, e identificar possíveis complicações”, explica. Ele ressalta que adiar a busca por atendimento pode agravar o quadro. Por isso, diante de febre persistente, dor no corpo ou piora dos sintomas, a recomendação é procurar um serviço de saúde para avaliação adequada.
Campanha ICB – A diretoria do ICB lança uma campanha de conscientização voltada à comunidade do instituto, destacando a importância do uso de máscaras sempre que houver sintomas gripais. A iniciativa busca fortalecer o cuidado coletivo entre todos que circulam pelo ICB, com atenção especial à proteção de pessoas pertencentes a grupos de risco e àquelas que convivem diariamente com esse público.
Ana Carolina Guerra | Acadêmica Agência de Comunicação e NUCOM-ICB


