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Aluna do ICB vence Prêmio Tese Destaque USP

A vencedora, Angela Maria Ramos Lobo, é aluna do Programa de Pós-Graduação em Fisiologia Humana e foi orientada pelo professor José Donato Junior.


21/08/2019


A pós-graduanda Angela Maria Ramos Lobo, do Programa de Pós-Graduação em Fisiologia Humana do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), foi uma das vencedoras do Prêmio Tese Destaque USP, concedido pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação da universidade.

 

O trabalho, intitulado “Estudo das funções da leptina durante o período intrauterino e infância no camundongo”, venceu na categoria Ciências Biológicas e foi orientado pelo Prof. Dr. José Donato Junior, que recentemente recebeu o Prêmio Excelência para Novas Lideranças da USP, iniciativa da Pró-Reitoria de Pesquisa.

 

Instituído desde 2012 e realizado anualmente, o prêmio avalia as melhores teses defendidas nas áreas: Ciências Agrárias, Ciências Biológicas; Ciências da Saúde; Ciências Exatas e da Terra; Ciências Humanas; Ciências Sociais Aplicadas; Engenharias; Letras, Linguística e Artes; e Multidisciplinar.

 

Os vencedores recebem R$ 10 mil e seus orientadores R$ 5 mil, além de um Diploma de Premiação. Os autores dos trabalhos que receberam menção honrosa também ganham o diploma. A cerimônia de premiação será realizada no dia 13 de setembro, no Anfiteatro Camargo Guarnieri.

 

 

21/08/19
Aterosclerose: pesquisa abre nova frente para o diagnóstico precoce

20/08/2019

 

Identificar a aterosclerose em seus estágios iniciais é um dos principais desafios clínicos para controlar a doença e evitar que ela possa terminar em infarto do miocárdio – uma das principais causas de morte no Brasil. Para isso, são necessários exames de imagem ou bioquímicos com maior sensibilidade e especificidade na avaliação do risco de um evento cardiovascular. Um avanço neste sentido foi obtido com uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade de São Paulo e da Universidade de Umëa (Suécia). Eles propõem uma nova abordagem de detecção, usando como marcadores os anticorpos que são produzidos pelo organismo para combater algumas das toxinas liberadas durante a formação da aterosclerose.

 

A formação da aterosclerose ocorre quando placas de ateroma (gordura) se acumulam nas artérias, estreitando e enrijecendo os vasos sanguíneos, e até obstruindo-os. A responsável por este processo é a LDL (lipoproteína de baixa densidade), que uma vez oxidada libera os componentes que se acumulam nos vasos. “O sistema imune produz anticorpos que eliminam alguns destes componentes liberados pela LDL. Assim, quando mais placas de ateroma são formadas, mais LDL oxidada estará presente e mais anticorpos serão produzidos pelo organismo. Com a determinação dos níveis desses anticorpos, é possível usá-los como marcadores para a evolução da doença”, explica o professor Magnus Gidlund, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), que estuda o processo patológico da aterosclerose há mais de 25 anos.

 

Ele é um dos autores de um estudo, realizado com 1.500 pacientes, que mostra esta correlação. “Constatamos que, caso o indivíduo possua um baixo título (nível) desses anticorpos, a chance de sofrer um infarto nos próximos 10 anos aumenta em 10% a 15%. Se for fumante, esse percentual aumenta para 25%”, afirma Dr. Gidlund. O estudo, que acaba de ser submetido à publicação, foi feito em colaboração com um grupo de pesquisa do professor Stefan Nilson, da Universidade de Umëa (Suécia), e com pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da USP, liderados pela professora Nágila Damasceno. O ICB foi responsável por desenvolver e testar, em estudos menores, toda a base intelectual da atual pesquisa.

 

Popularmente chamada de “colesterol ruim”, a LDL é, na verdade, uma partícula constituída de proteínas, lípides, e também uma molécula de álcool de cadeia longa. Sua função na corrente sanguínea é distribuir o colesterol no organismo. Vários fatores de risco cardiovascular, como a hipertensão e o fumo, geram radicais livres que atacam a partícula de LDL, degradando-a e transformando-a em uma partícula “vilã”, isto é, uma LDL oxidada ou modificada. Os componentes desse colesterol ruim podem provocar lesões nos vasos sanguíneos, mas o maior perigo é quando eles se acumulam em macrófagos (células de defesa) nas artérias, formando as placas.

 

Bom ou ruim? – Embora seja considerado “vilão”, o colesterol tem funções importantes no organismo: auxilia na formação das membranas das células e na produção de hormônios esteroides (estrógeno e testosterona). No entanto, pode ser perigoso quando sofre oxidação – e quanto maior o nível de LDL no organismo, maior a chance de isso acontecer. Dessa forma, a LDL sozinha não é responsável pelas lesões nas artérias, mas funciona como um “combustível” que pode contribuir para a progressão da aterosclerose.

 

Perspectivas – De acordo com o Dr. Henrique Fonseca, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo e pesquisador colaborador do laboratório do professor Magnus Gidlund, a doença cardiovascular é multifatorial e ainda carece de marcadores mais específicos para prevenir as consequências da aterosclerose. “Os mecanismos imunológicos que estudamos visam aumentar a compreensão de seus processos, de maneira a elevar a detecção e predição da real chance de um indivíduo sofrer infarto ou AVC futuramente e, com isso, proporcionar a ele uma terapia otimizada”.

 

Os pesquisadores ressaltam que o trabalho do grupo com anticorpos no cenário de doenças cardiovasculares, além de possibilitar uma nova técnica mais barata e efetiva de diagnóstico da aterosclerose, também é promissor para o desenvolvimento de novas terapias para combater a doença, especialmente no que se refere a uma vacina para as doenças cardiovasculares.

 

Aline Tavares | Acadêmica Agência de Comunicação

20/08/19
Docente do ICB-USP recebe Prêmio Excelência para Novas Lideranças em Pesquisa da USP

José Donato Junior foi selecionado pela Pró-Reitoria de Pesquisa da USP na categoria Ciências Biológicas por sua contribuição em pesquisas sobre mecanismos metabólicos.


20/08/2019

 

Na última sexta-feira, o pesquisador José Donato Junior, do Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), recebeu o Prêmio Excelência para Novas Lideranças da USP, na categoria Ciências Biológicas. O prêmio foi uma iniciativa da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP e teve o objetivo de reconhecer e apoiar novas lideranças em pesquisas científicas dentro da universidade.

 

Donato foi reconhecido “por sua expressiva contribuição para a compreensão de mecanismos metabólicos com implicações importantes na área de Saúde”. Em fevereiro deste ano, ele publicou um artigo na revista científica Nature Communications onde descreveu uma nova função para o GH, conhecido até então como o hormônio do crescimento. Além de regular a estatura e o crescimento ósseo, o pesquisador descobriu que esse hormônio também atua no cérebro para conservar energia quando se perde peso – ele ativa um grupo de neurônios específicos, AgRP, aumentando o apetite e diminuindo o metabolismo e o gasto de energia.

 

Também foram premiados pesquisadores nas áreas de Ciências Agrárias, Ciências da Saúde, Ciências Exatas e da Terra, Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas, Engenharias e Linguística, Letras e Artes. Os candidatos foram avaliados por uma comissão formada por 24 pesquisadores externos à USP.

 

A cerimônia de premiação, aberta à comunidade USP, será realizada no dia 30 de outubro de 2019, às 14h30, na Sala do Conselho Universitário, na Secretaria Geral da universidade.

 

 

 

20/08/19
Surto do sarampo está relacionado à queda da produção de anticorpos e possíveis mutações do vírus

O virologista Edison Luiz Durigon, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, esclarece dúvidas sobre a vacina contra o sarampo e explica como seu laboratório tem trabalhado no diagnóstico e na compreensão do recente surto da doença.


12/08/2019

 

De acordo com o último boletim do Ministério da Saúde, divulgado no dia 6 de agosto, o Brasil teve 907 casos confirmados de sarampo entre maio e agosto deste ano. Desse total, 810 (90%) indivíduos residem no município de São Paulo. Mas por que uma doença que era considerada erradicada desde 2016 voltou? Segundo o virologista Edison Luiz Durigon, pesquisador do Laboratório de Virologia Clínica e Molecular do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), a explicação para este surto pode estar relacionada à mutação do vírus: o distanciamento genético da cepa selvagem circulante nesse surto em relação à cepa contida na vacina.

 

Ele explica que o vírus do sarampo, embora possua um único sorotipo, está dividido em oito genótipos conhecidos (A, B, C, D, E, F, G e H) e 24 sub-genótipos. “A vacina foi feita com o tipo A e o surto que estamos enfrentando hoje é do tipo D-8. A vacina ainda é efetiva contra o tipo atual, mas não 100%: protege contra a doença, mas o indivíduo ainda pode contrair e transmitir o vírus”. Isso significa que, embora o indivíduo vacinado seja capaz de eliminar o vírus e não ter sintomas, ele pode transmiti-lo a alguém que não foi vacinado, contribuindo para o avanço do surto. Apenas aqueles que já tiveram a doença, ou seja, tiveram o vírus selvagem em seu organismo, estão totalmente protegidos.

 

Outra razão que explica o retorno da doença é a queda da produção de anticorpos, que começa a ocorrer 15 anos após a vacinação e torna mais difícil enfrentar o vírus que sofreu mutação. “Ao tomar a vacina, o indivíduo desenvolve uma memória imunológica: mesmo que os anticorpos caiam com o tempo, o organismo reconhece o vírus e produz mais anticorpos sozinho. Mas, por se tratar de um vírus diferente, essa produção não acontece a tempo, antes do vírus se replicar e provocar a doença”, explica Durigon. Por isso é importante tomar a dose de reforço: com mais anticorpos, o organismo estará mais preparado para combater o novo vírus.

 

Quem deve se vacinar – Todas as pessoas que não possuem registro da vacina na carteira de vacinação devem ser imunizadas. Além disso, é recomendado que pessoas com idades entre 15 e 29 anos (grupo de risco) tomem duas doses da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), com intervalo de 30 dias, mesmo que já tenham tomado quando crianças. Dos 30 aos 49 anos, a vacina é aplicada em uma dose. “Calcula-se que acima dos 45 anos todos já tiveram sarampo, por ser uma doença muito comum. No entanto, aqueles que não tiveram precisam se vacinar”, afirma o pesquisador.

 

Como a vacina contém o vírus atenuado (enfraquecido, mas vivo), gestantes e pessoas com imunidade comprometida não devem tomar a vacinar. Inclui-se nessa categoria pessoas que fazem uso de medicamentos imunossupressores, como quimioterápicos e corticoides.

 

O sarampo é uma doença altamente contagiosa que provoca sintomas como manchas vermelhas no corpo, febre alta, dor de cabeça, tosse e conjuntivite. As complicações mais comuns do sarampo são pneumonia e, em casos raros, doenças neurológicas.

 

Pesquisa – O laboratório do professor Edison Luiz Durigon recebe amostras de sangue, urina e saliva de pacientes com suspeita de sarampo para analisar e realizar o diagnóstico da doença gratuitamente. Os pesquisadores recebem amostras de vários hospitais da cidade de São Paulo, como o Hospital Universitário da USP, a Santa Casa de Misericórdia, o Hospital Infantil Cândido Fontoura, o Hospital São Luís Gonzaga, entre outros. O professor Durigon ressalta que todas as amostras também são encaminhadas diretamente dos hospitais para o Instituto Adolfo Lutz.

 

Em troca, Durigon e sua equipe têm acesso a todos os dados clínicos, que estão sendo utilizados no projeto Neusa (Neutralização de Sarampo) para descobrir o quanto os anticorpos do paciente que tomou a vacina o protegem contra o vírus do surto. “Isolamos os vírus de cada paciente para verificar a sua variabilidade genética e ver o quanto eles estão mudando e qual dos genes sofre mais mutações. A mesma amostra de vírus D-8 pode sofrer mutações de uma pessoa para outra”.

 

 

Aline Tavares | Acadêmica Agência de Comunicação

12/08/19
Curso do ICB-USP responde questões sobre danos e reparo do DNA

O curso de inverno “Respostas a danos no DNA: implicações em envelhecimento e câncer” completou sua 8ª edição em julho e visa complementar a formação de estudantes e incentivar a pesquisa na área.


01/08/2019

 

Como os danos do DNA estão relacionados ao envelhecimento e ao câncer? Quais mecanismos são responsáveis pelo reparo dessas lesões? Essas e outras perguntas são respondidas no curso de inverno “Respostas a danos no DNA: implicações em envelhecimento e câncer”, oferecido todo mês de julho pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).

 

Coordenado pelos professores Carlos Martins Menck e Rodrigo da Silva Galhardo, o curso teve sua 8ª edição entre os dias 22 e 26 de julho e teve 445 inscritos de 24 estados brasileiros. Dentre eles, foram selecionados 40 alunos e 11 ouvintes. A organização do evento é responsabilidade dos alunos do Laboratório de Reparo de DNA, do professor Menck.

 

Com o apoio da Comissão de Cultura e Extensão (CCEX) do ICB e de 11 empresas patrocinadoras, como Eppendorf e Loccus, o curso é composto por aulas teóricas e práticas e é voltado para estudantes de ciências biológicas, exatas e saúde. “O tema de reparo do DNA não é abordado de forma sistemática em nenhum curso de graduação, e o oferecimento do curso é a forma que encontramos de contribuir para a formação de pesquisadores na área”, afirma a pesquisadora Maira Neves.

 

Durante as aulas teóricas, foram discutidos temas como bioinformática, tumorigênese, quimioterápicos, resistência bacteriana a antibióticos e CRISPR (técnica de edição de DNA). Os alunos também tiveram a oportunidade de participar de um jogo, no qual tomavam decisões como se fossem uma célula com lesões em seu DNA. Ao final da semana, o curso recebeu avaliações positivas de todos os participantes.

 

01/08/19
Ciência para todos: curso de inverno do ICB-USP gera conhecimento e inclusão

Realizado todo mês de julho, o Curso de Inverno de Microbiologia e Biologia Molecular recebe alunos de todo o país interessados em realizar pós-graduação na área. Participantes da última edição destacam a diversidade de visões e a riqueza de conteúdo do curso.


22/07/2019

 

Aulas teóricas, atividades práticas em laboratórios de pesquisa e palestras sobre Micologia, Bacteriologia e Virologia integram o Curso de Inverno de Microbiologia e Biologia Molecular, organizado e ministrado por alunos de Mestrado e Doutorado do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e apoiado pela Comissão de Cultura e Extensão (CCEX). Realizado todo ano durante as férias acadêmicas, o evento teve sua 6ª edição entre os dias 15 e 19 de julho, com 50 alunos inscritos – 40 selecionados e 10 ouvintes.

 

Com um critério de seleção abrangente, o curso busca incluir alunos de graduação de cada estado brasileiro e alunos estrangeiros, especialmente aqueles que têm interesse em realizar pós-graduação nas áreas da Microbiologia, atreladas à Biologia Molecular. Para a pós-graduanda Andrelissa Castanha, uma das organizadoras do curso, a pesquisa científica não deve ser concentrada apenas em São Paulo.

 

“Pessoas de outras regiões também têm direito ao acesso à estrutura que temos aqui. O curso abre portas para que os estudantes conheçam um universo completamente diferente. Uma das alunas comentou que, para fazer determinado experimento, tinha que enviar o material para outro estado pois lá não tinha o equipamento necessário”, afirma a estudante.

 

Um dos grandes destaques do curso é a possibilidade de se envolver em atividades práticas em laboratórios, realizando experimentos e contando com a orientação dos docentes e dos pós-graduandos. Ao final do curso, os grupos apresentaram os trabalhos desenvolvidos.

 

Realidades que se cruzam – “Eu tive a oportunidade de ‘colocar a mão na massa’ e conhecer novas práticas, que antes só tinha aprendido na teoria. Com o curso, ganhei uma visão maior sobre as áreas que posso seguir em minha pós-graduação”, comenta Gustavo Rocha, estudante de biotecnologia da Universidade Federal de Uberlândia (MG), cujo grupo trabalhou no Laboratório de Pesquisa Aplicada de Micobactérias da professora Ana Marcia Guimarães.

 

Joseana Comodaro estuda biotecnologia na Universidade Federal do Amazonas (AM) e conta que o que mais chamou a sua atenção foi a diversidade de participantes e ter visto os próprios mestrandos e doutorandos ministrando as aulas. Seu grupo desenvolveu o trabalho no Laboratório de Resistoma & Alternativas Terapêuticas, do professor Nilton Lincopan, que trabalha com bactérias multirresistentes a antibióticos.

 

A estudante de biomedicina Sabrina Barbosa, da Faculdade Estácio do Macapá (AP), conta que se impressionou com a acessibilidade e disposição dos professores em auxiliar os estudantes e com a multiplicidade de conteúdo. “É muito interessante a dinâmica da USP. Lá no Norte, não temos a mesma realidade. Tudo que aprendi essa semana me fez ver que a ciência nos leva para outro mundo – e que é possível transformar o mundo através da ciência”.

 

Aline Tavares | Acadêmica Agência de Comunicação

22/07/19
Como a Comissão de Apoio à Comunidade do ICB auxilia alunos, professores e funcionários

A CAC-ICB conta com psicólogas e psicanalistas voluntárias que atendem pessoas da comunidade do ICB em situações de fragilidade. Desde janeiro de 2018, foram atendidas 148 pessoas vinculadas ao instituto.


  16/07/2019

 

Alunos circulando no campus da USP. Foto: Cecília Bastos/USP Imagem

Em novembro de 2017, o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) criou a Comissão de Apoio à Comunidade (CAC), com o intuito de auxiliar no cuidado da saúde mental de todos os integrantes da unidade. Desde então, a comissão atua voluntariamente no incentivo à empatia e à comunicação entre professores, alunos e funcionários, e na prevenção e preocupação com pessoas com conflitos.

 

A CAC é coordenada pelo professor Paulo Abrahamsohn e pelas professoras Silvana Chiavegatto e Dânia Emi Hamassaki. Atualmente, conta com 11 membros – entre eles, a psicóloga Margareth Labate, que realiza a maior parte dos atendimentos com a psicanalista Nancy Rebouças. Um dos compromissos principais da comissão é manter sigilo sobre os agendamentos efetuados pelas pessoas interessadas, de modo a garantir sua segurança e privacidade. “As consultas podem ser agendadas pelo email ‘agendamento.cac@icb.usp.br’ e apenas um membro da CAC possui a senha de acesso”, garante o coordenador Abrahamsohn.

 

De janeiro de 2018 a junho de 2019, foram atendidas 200 pessoas, sendo 148 do ICB, 34 de outras unidades e 18 pessoas externas à USP. A maioria (65%) foi atendida em até três sessões, 20% realizou entre quatro e seis sessões, 6% entre sete e nove sessões e 9% a partir de 10 sessões. Entre os atendidos do ICB, 27% são alunos de Doutorado, 24% alunos de Mestrado, 19% da graduação, 18% funcionários, 7% pós-doutorandos e 5% docentes. Entre os alunos de graduação, 75% estão no 1º ou 2º ano de seu curso.

 

Em uma pesquisa realizada com 32 indivíduos atendidos, todos confirmaram que recomendariam o atendimento da CAC a outras pessoas e 31 descreveram as atividades da CAC como muito importantes para a comunidade.

 

Suporte coletivo – Além dos atendimentos, a CAC também visa incentivar a comunicação entre as pessoas e já realizou uma série de ações com essa finalidade, como palestras de desenvolvimento pessoal. Em 2018, a comissão promoveu uma grande campanha dentro do ICB para o Setembro Amarelo e, durante todo o mês, a psicóloga Margareth Labate realizou plantão na unidade.

 

Segundo o professor Paulo Abrahamsohn, a constante pressão e as múltiplas atividades presentes no ambiente universitário, tanto para os alunos quanto para os docentes, dificulta a comunicação entre os indivíduos. “Uma frase que eu sempre digo para os alunos é: ‘existe vida fora dos laboratórios e fora das salas de aula’. É importante aprender a gerenciar as atividades do dia a dia e promover o convívio social”, ressalta.

 

Aline Tavares | Acadêmica Agência de Comunicação

 

 

16/07/19
“É um evento histórico”, afirma diretor do ICB sobre Plataforma Científica Pasteur-USP

No dia 4 de julho, a Plataforma Científica Pasteur-USP foi inaugurada e contou com a presença de autoridades do consulado francês, USP, Instituto Pasteur, Fiocruz, FAPESP e CNPq


05/07/2019


Marcos Santos/USP Imagens

A inauguração da Plataforma Científica Pasteur-USP, no dia 4 de julho, simbolizou um grande avanço na história da ciência brasileira, fruto de um acordo entre o Instituto Pasteur, a Universidade de São Paulo e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP (ICB-USP) e um dos coordenadores da plataforma, Luís Carlos de Souza Ferreira, destacou a importância da cooperação entre as três renomadas instituições. “Trata-se de um evento histórico que celebra a troca de experiências e a execução de ações em conjunto, nos campos da pesquisa, educação, saúde pública e cultura e extensão”.

 

A infraestrutura possui 17 laboratórios de pesquisa cujo objetivo é o estudo de patógenos para a prevenção de epidemias, como os vírus da zika, dengue, febre amarela e influenza. Para o coordenador, a presença do reitor da universidade Vahan Agopyan, do vice-reitor Antonio Carlos Hernandes, dos pró-reitores e de diretores de outras unidades na cerimônia reforçou o comprometimento da USP com o projeto. “A colaboração de todos os dirigentes é fundamental e demonstra a relevância desse evento para a universidade, para o Estado de São Paulo e para todo o país”.

 

Também estiveram presentes autoridades como Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, João Luiz Filgueiras de Azevedo, presidente do CNPq, Américo Sakamoto, Secretário Executivo de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz e Brieuc Pont, Cônsul Geral da França em São Paulo. O pesquisador Luís Carlos de Souza Ferreira reforça que o apoio do consulado francês, do governo e das agências de fomento brasileiras foi essencial para a concretização do projeto.

 

Novo capítulo da saúde pública – Durante a cerimônia de inauguração, a pesquisadora Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz, definiu o desafio das doenças emergentes, como febre amarela e zika, como o grande motivador do acordo. “Essa parceria é crucial para o avanço do conhecimento e a promoção de equidade – um desafio histórico no Brasil em termos de saúde pública”.

 

De acordo com o Cônsul Geral da França em São Paulo, Brieuc Pont, a cooperação internacional sempre esteve no centro da estratégia de desenvolvimento do Instituto Pasteur. “É um momento importante para todos aqueles que acompanharam este projeto emblemático de cooperação científica franco-brasileira, que representa o futuro da inovação e da multidisciplinaridade. Parabenizo os pesquisadores, que trabalham pela saúde com tanta paixão e persistência, e que utilizarão essa ferramenta para produzir conhecimento e treinar os futuros pesquisadores do país”.

 

Aline Tavares | Acadêmica Agência de Comunicação

05/07/19
Instituto Pasteur inaugura Plataforma Científica na USP

Instalada na Cidade Universitária, em São Paulo, com o apoio do governo francês, a Plataforma terá 17 laboratórios de pesquisa focados em estudo de patógenos para prevenção de epidemias, atuando como uma célula de intervenção de urgências.


03/07/2019

 

No dia 4 de julho, o Instituto Pasteur, fundação francesa de pesquisa em prevenção e tratamento de doenças infecciosas, irá inaugurar na Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista, a Plataforma Científica Pasteur-USP. Localizada no Centro de Pesquisa e Inovação Inova USP, em uma área de 1.700 m², a plataforma será composta por 17 laboratórios. Nela irão funcionar os primeiros laboratórios de pesquisa de nível de biossegurança 3 equiparáveis aos parâmetros internacionais, onde serão estudados patógenos de alto risco. O investimento previsto é de cerca de R$ 40 milhões, sendo R$ 15 milhões em equipamentos.

 

A partir de uma parceria científica entre o Pasteur, a USP e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), assinada em junho de 2015, na plataforma serão desenvolvidas pesquisas voltadas para o estudo de agentes patogênicos emergentes, cujas infecções podem provocar danos no sistema nervoso central, como os vírus da zika, dengue, febre amarela e influenza, além de protozoários como os tripanosomas causadores da doença do sono. O principal objetivo será desenvolver métodos para prevenir epidemias dessas doenças.

 

“Nos últimos 80 anos, não houve uma iniciativa como essa na USP. Estamos trabalhando a internacionalização da pesquisa, do ensino e da inovação”, destaca Luís Carlos Ferreira, diretor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP. Ele irá coordenar a plataforma ao lado de Paola Minoprio, diretora de Pesquisa do Instituto Pasteur, que veio para o Brasil com esta incumbência.

 

Segundo Paola Minoprio, a escolha da USP para sediar a plataforma foi feita com base na relevância e no impacto global da instituição em termos de pesquisa científica. “Além disso, as linhas de pesquisa do Pasteur são muito semelhantes às do ICB-USP e os dois institutos já desenvolvem projetos colaborativos”, explica. Os institutos têm em comum pesquisas nas áreas de Imunologia, Biologia Celular, Microbiologia e Parasitologia.

 

Biossegurança – Dos 17 laboratórios da plataforma, quatro serão de biossegurança nível 3 (NB3) para estudo de microrganismos que representam alto risco individual e risco moderado para a comunidade. Ou seja, que transmitem e causam doenças potencialmente letais, mas que têm medidas de prevenção e tratamento conhecidas. As instalações de 200 m2 são compostas individualmente por três câmaras pressurizadas para garantir a contenção, e têm acesso controlado. Os pesquisadores que atuarão na plataforma também passarão por um treinamento de procedimentos de segurança.

 

Oito pesquisadores de nível sênior já foram selecionados pelos parceiros. São eles: Paola Minoprio (Instituto Pasteur de Paris – departamento de Global Health), Paolo Zanotto (ICB-Microbiologia), Edison Durigon (ICB-Microbiologia), Patrícia Beltrão Braga (USPLeste/ICB), Jean Pierre Peron (ICB-Imunologia), Eduardo Massad (FM-USP), Helder Nakaya (FCF-USP) e Pedro Teixeira (ENSP-Fiocruz). Todos manterão suas vinculações às unidades de origem e dedicarão parte de suas pesquisas à plataforma. A partir de 2020, serão selecionados anualmente mais três grupos de jovens pesquisadores para integrar a equipe. No total, espera-se que a plataforma tenha de 80 a 100 pesquisadores.

 

Rede internacional – O Instituto Pasteur possui atualmente 32 centros em 26 países, integrantes da Rede Internacional do Instituto Pasteur (RIIP), cuja próxima reunião regional abrigará o evento de inauguração da Plataforma Científica Pasteur-USP. Entre os dias 3 e 5 de julho, pesquisadores de diversos países estarão presentes na USP para discutir assuntos relacionados à biomedicina, como doenças emergentes na América Latina, intervenções multidisciplinares para controle da Zika e estratégias de combate à resistência a antibióticos.

 

A realização do evento conta com o apoio da Embaixada da França no Brasil e a Delegação regional francesa de cooperação para América do Sul sediada no Chile, da Associação Internacional do Pasteur, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da Thermo Fisher Scientific, empresa de desenvolvimento de produtos biotecnológicos, que também fornecerá parte dos equipamentos dos laboratórios da Plataforma.

 

Sobre o Instituto Pasteur: Fundado em 1887, o Instituto Pasteur, sediado em Paris, é um centro de pesquisa biomédica reconhecido internacionalmente e vencedor de 10 Prêmios Nobel. Com 23 mil pesquisadores trabalhando para a sua rede internacional, possui 130 unidades de pesquisa somente no Instituto parisiense, divididas em 11 departamentos de pesquisa cujo principal objetivo é fazer estudos colaborativos e inovadores que melhorem a saúde mundial em termos de prevenção e tratamento de doenças. Outro pilar do Pasteur é a educação: seu centro educativo recebe anualmente 900 alunos e oferece 45 programas de doutorado e pós-doutorado e 26 programas de estágio.


Sobre o ICB-USP: Considerado uma das melhores instituições de nível superior do Brasil em sua área, o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) é referência internacional em pesquisa básica e translacional. Nos seus mais de 150 laboratórios são desenvolvidos projetos de pesquisa de alta qualidade e impacto social em saúde humana e animal. Com seis programas de pós-graduação próprios e outros três programas multi-institucionais, o ICB tem uma equipe de 167 docentes e 266 técnicos administrativos e de laboratório, em associação com 113 pesquisadores pós-doutores e 819 alunos de pós-graduação. Seus docentes têm alta produtividade científica com cerca de 600 publicações anuais em periódicos com alto fator de impacto. O ICB representa a sexta unidade da USP em número de pedidos de patente depositados no INPI e está entre as três primeiras unidades de pesquisa no Estado de São Paulo com mais recursos captados junto à FAPESP.

03/07/19
Vacinas na luta contra o câncer: uma nova alternativa para o tratamento de tumores causados pela infecção com papilomavírus humano

17/06/2019

Pesquisadores do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) desenvolveram vacinas para o tratamento de tumores associado ao papilomavírus humano (HPV), particularmente o HPV-16, responsável por pelo menos 50% dos casos de câncer de colo de útero. As pesquisas foram iniciadas há cerca de 15 anos, sob a liderança do Prof. Dr. Luís Carlos de Souza Ferreira, e até então, restritas a testes em animais.

 

O trabalho resultou no desenvolvimento de formulações que, ao contrário de outras formas de imunoterapia antitumoral baseadas em anticorpos monoclonais ou linfócitos modificados em laboratório, promovem uma reprogramação ativa do sistema imunológico de camundongos transplantados com tumores que expressam antígenos do HPV-16. O resultado final foi a descoberta de formulações vacinais que após duas doses, levam à remissão completa dos tumores em 100% dos camundongos tratados e que, além disto, impedem a recidiva do tumor mesmo após reimplante de novas células tumorais.

 

Segundo a Dra. Bruna Felício Milazzotto Maldonado Porchia, as formulações vacinais são baseadas em antígenos do HPV-16, um componente de outro vírus envolvido com infecções sexualmente transmissíveis, o vírus herpes, e compostos que amplificam as respostas imunológicas, também conhecidos como adjuvantes. “Nos modelos animais, os resultados foram surpreendentes. Quando implantamos as células tumorais e, posteriormente, imunizamos os camundongos, a vacina impediu o desenvolvimento do tumor. Quando associada a um quimioterápico usualmente empregado no tratamento desse tipo de tumor, os efeitos foram ainda mais impressionantes com remissão completa de tumores em estágio avançado”. A estratégia terapêutica, baseada no princípio de imunoterapia ativa confere memória imunológica de longa duração e pode representar uma nova alternativa para o tratamento de câncer causado pelo HPV”, relata a pesquisadora.

 

No começo deste ano, em parceria com a equipe liderada pelo Prof. Edmund Chada Baracat, responsável pela Divisão de Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, com a participação dos professores José Maria Soares Jr e Maricy Tacla, e com a equipe liderada pelo Prof. Dr. José Alexandre Marzagão Barbuto, responsável pelo Laboratório de Imunologia de Tumores do ICB-USP, foram iniciados os primeiros testes da nova abordagem terapêutica antitumoral em mulheres com lesões pré-malignas no colo do útero, mas que ainda não desenvolveram tumores.

 

O estudo clínico tem como objetivo avaliar a regressão das lesões e a ativação do sistema imunológico das pacientes antes que se iniciem os tratamentos convencionais previstos para essas condições patológicas. O tratamento em teste une duas linhas de pesquisa do ICB para o combate ao câncer. A equipe do Laboratório de Imunologia de Tumores tem utilizado células dendríticas contra câncer em diversos contextos clínicos, com resultados muito promissores, mas a metodologia é restrita pela necessidade de obtenção cirúrgica de tumores dos pacientes.

 

No contexto atual, a capacidade estimuladora e a especificidade do antígeno vacinal presente na vacina desenvolvida pelo Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas trazem novas perspectivas ao tratamento. Assim, células do sangue das pacientes, após um período de modificações funcionais in vitro, são tratadas com o antígeno vacinal, e, em conjunto agora, constituem a vacina que é aplicada nas pacientes.  O princípio do tratamento é a utilização das células dendríticas que são ativadas pela vacina e “apresentam” os antígenos tumorais a outras células do sistema imunológico, como os linfócitos T, que, por sua vez, reconhecem e dão início à destruição do tumor. “Nós colhemos sangue da paciente, diferenciamos células precursoras do sangue em células dendríticas e as estimulamos com os componentes da vacina. Em seguida, reintroduzimos essas células de volta à paciente por meio de uma injeção intradérmica. A expectativa é que as células estimuladas com a vacina reprogramem o sistema imunológico de maneira que possa reconhecer e eliminar as lesões”, explica a Dra. Bruna Maldonado.

 

Vantagens e expectativas – De acordo com a pesquisadora, as vacinas atualmente disponíveis contra o HPV têm função profilática, ou seja, de prevenir a infecção pelo vírus. Já a vacina terapêutica, objeto de estudo do grupo, está voltada para pessoas que já foram infectadas e apresentam lesões pré-malignas ou tumores, seja no colo do útero ou em outros locais do corpo, como anus, cabeça e pescoço. “Em geral, pacientes com lesões pré-malignas são submetidas a um procedimento cirúrgico para retirar a lesão – nesse caso, o benefício é imediato. No entanto, dependendo da extensão da lesão, o procedimento invasivo pode ser ineficaz, trazer efeitos traumáticos e não evitar recidivas. A vacina é uma alternativa terapêutica menos invasiva e esperamos que impeça as recidivas”.

 

As vacinas, de forma geral, são capazes de proteger o indivíduo por um longo período, pois promovem a memória imunológica – ou seja, ao ser exposto novamente ao agente infeccioso, o sistema imunológico responde de forma eficiente.  Desta forma, segundo a Dra. Bruna Maldonado, a expectativa é que os testes clínicos demonstrem a eficácia e a segurança da nova estratégia terapêutica.

 

 

Aline Tavares | Acadêmica Agência de Comunicação

17/06/19
Mitos, funções e futuro da vacina são discutidos por especialistas do ICB-USP em evento do Butantan

12/06/2019

 

No último domingo, 9, o Instituto Butantan realizou a Feira da Imunidade e da Vacina, em parceria com o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), para celebrar o Dia Mundial da Imunização. Nos diversos estandes do evento, os visitantes observaram patógenos em microscópios, participaram de atividades lúdicas, aprenderam sobre o processo de fabricação da vacina da gripe e ainda puderam receber a vacina em um posto da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.

 

No evento, pesquisadores do ICB realizaram palestras sobre aspectos diversos da imunização, seguidas de rodas de conversa para que o público pudesse fazer questionamentos e tirar dúvidas. Essas atividades também tiveram a participação de pesquisadores de outras instituições, como o infectologista Guido Levi, segundo secretário da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), e o pediatra Alexander Precioso, diretor da Divisão de Ensaios Clínicos e Farmacovigilância do Instituto Butantan.

 

A professora Patrícia Beltrão Braga, do Departamento de Microbiologia do ICB, abordou em uma das palestras um mito ainda muito difundido na sociedade: de que vacina causa autismo. Autora do projeto “A Fada do Dente”, que analisa dentes de leite de crianças autistas para entender os mecanismos biológicos do transtorno, a pesquisadora explicou detalhadamente o que caracteriza o autismo – fatores genéticos. Depois, contou a história que deu origem ao mito – uma pesquisa de um médico britânico em 1998, que já foi amplamente refutada pela comunidade científica.

 

Perspectivas – À tarde, o professor Daniel Bargieri, do Departamento de Parasitologia do ICB, falou sobre a vacina contra a malária que está sendo testada na África. A malária é uma infecção parasitária comum de países de clima tropical e subtropical – só em 2018, foram registrados 500 milhões de casos no mundo. Segundo o pesquisador, essa vacina terá o objetivo de impedir a transmissão da doença e está sendo testada desde 2015. “Espera-se que a vacina tenha pelo menos 50% de eficácia”, relata.

 

Para encerrar a sessão de palestras, o professor Luís Carlos Ferreira, diretor do ICB, falou sobre outro tipo de vacina, cuja função é tratar doenças: as vacinas terapêuticas, capazes de melhorar a resposta imunológica do indivíduo. Há mais de 15 anos, o pesquisador estuda uma vacina para tratar câncer de colo de útero. “Conseguimos desenvolver formulações vacinais que permitiram tratar o câncer e obtivemos sucesso nos testes em animais”. A próxima etapa são os testes clínicos, em humanos, que começaram a ser feitos este ano.

 

Por que se vacinar – De modo geral, os palestrantes ressaltaram a importância do efeito chamado “imunidade de rebanho”, que mostra que um indivíduo imunizado também protege as pessoas a sua volta que não se vacinaram. “Tomar vacina acaba sendo um ato de altruísmo para a sociedade”, defende Patrícia Braga. Além disso, ressaltaram a necessidade de combater as fake news e trazer informações de qualidade para a população.

 

Aline Tavares | Acadêmica Agência de Comunicação

12/06/19
Estudo do ICB-USP indica que exercício físico materno pode melhorar aprendizado e déficits cognitivos na prole, sinais comuns do autismo

11/06/2019

 

Um grupo de pesquisadoras do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) demonstrou que o exercício físico é capaz de amenizar os déficits ocasionados pela deleção no gene da PTEN, um dos muitos genes associados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). A pesquisa foi feita em modelos animais de fêmeas com e sem a deleção (grupo controle) e consistiu em analisar o efeito do exercício físico materno na prole.

 

Segundo a professora Elisa Kawamoto, do Departamento de Farmacologia do ICB, que orientou a pesquisa, esses animais apresentam algumas características semelhantes às de pessoas com autismo, como comportamento tipo ansioso, movimentos estereotipados e déficits de interação social e de aprendizado. As fêmeas eram submetidas ao protocolo de exercício físico voluntário, utilizando rodas giratórias antes, durante e após a prenhez. Posteriormente, o grupo realizou uma série de testes na prole cuja mãe tinha feito exercício físico e na prole cuja mãe era sedentária.

 

A pesquisadora Diana Zukas Andreotti, autora do estudo, explica que o grupo cuja mãe não fez exercício físico tinha maior dificuldade de aprender tarefas, enquanto o outro grupo cuja mãe fez exercício físico teve uma melhor performance nos testes de aprendizado em um primeiro momento, porém o desempenho foi semelhante aos demais grupos conforme o desenrolar do teste. O mesmo ocorreu em relação ao comportamento ansioso: os animais cuja mãe fez exercício eram mais ansiosos, mesmo aqueles sem a mutação.

 

“Dados da literatura mostram que o exercício físico, em geral, não provoca ansiedade; é ansiolítico. Então, decidimos retirar a roda giratória após o nascimento dos filhotes”, explica Diana Zukas Andreotti. Assim, a mãe passaria mais tempo com a prole durante a amamentação, evitando o estresse dos filhotes. Foi nesse novo procedimento que o grupo cuja mãe havia se exercitado apenas antes e durante a prenhez apresentou melhora significativa no aprendizado, no comportamento ansioso e na interação social. “A influência do comportamento materno foi um achado inesperado dentro de nossa pesquisa”, observa.

 

Por que funciona – De acordo com Elisa Kawamoto, nos modelos animais com mutação PTEN cuja mãe fez exercício, foi observado um aumento de BNDF, proteína importante para o desenvolvimento do cérebro. “Normalmente, em animais com déficit cognitivo, o BNDF está reduzido. Então, é possível que a melhora nos testes cognitivos ocorra devido a esse aumento, mas ainda confirmaremos essa hipótese nos próximos passos”, ressalta. Dessa forma, acredita-se que o exercício físico feito durante a prenhez possa influenciar o desenvolvimento cerebral, podendo amenizar os sintomas decorrentes da deleção.

 

No caso dos humanos, a pesquisadora Elisa Kawamoto explica que a atividade física já é utilizada como uma terapia complementar para diversas doenças. “Uma série de pesquisas na literatura aponta os benefícios do exercício físico. No caso do autismo, ele representa uma intervenção não farmacológica que pode auxiliar na melhora dos sintomas e, consequentemente, na qualidade de vida do paciente”.

 

 

Aline Tavares | Acadêmica Agência de Comunicação

11/06/19
ICB-USP organiza simpósio “Grandes Desafios das Ciências Biomédicas” em comemoração aos 50 anos do instituto

Evento irá discutir a importância do investimento em pesquisas da área biomédica, que possibilitou o desenvolvimento de novas estratégias de diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças.


04/06/2019

 

O Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) irá promover o simpósio “Grandes Desafios das Ciências Biomédicas” como parte das celebrações dos 50 anos do instituto. Com duração de dois dias, o evento tem como objetivo discutir os inúmeros avanços trazidos pelas pesquisas biomédicas nas últimas décadas em termos de diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças. As palestras acontecem nos dias 27 e 28 de junho, no anfiteatro Luiz Rachid Trabulsi do ICB III, Cidade Universitária.

 

Segundo Gabriela Diniz, organizadora do evento e pesquisadora do ICB, a ideia do simpósio surgiu diante da necessidade de ressaltar a importância do investimento em ciência para a sociedade. “Nos últimos anos, observamos um maior questionamento por parte da sociedade sobre os recursos aplicados na pesquisa. Parte da população não consegue perceber os benefícios obtidos com o avanço da ciência”, explica.

 

Nesse sentido, o simpósio vem para discutir os desafios atuais das ciências biomédicas e possíveis estratégias para superá-los. Para isso, as palestras abordarão quatro importantes áreas: Políticas Científicas e de Financiamento em Pesquisa; Difusão e Divulgação Científica; Pesquisa Básica, Translacional e Inovação; e Fronteiras na Pesquisa Biomédica.
Entre os palestrantes, estarão pesquisadores do Brasil e do exterior, reconhecidos internacionalmente por suas contribuições na área. Estão confirmadas as presenças de Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP); Glauco Arbix, coordenador do Observatório da Inovação do Instituto de Estudos Avançados da USP; Helena Nader, presidente de honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC); Mariane Bandeira Melo, pesquisadora no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT); Paola Minoprio, coordenadora da Plataforma Científica Pasteur-USP, entre outros

 

O evento não requer inscrição e está aberto ao público em geral. A lista completa de palestrantes e a programação podem ser encontradas aqui.

 

Serviço:

Simpósio “Grandes Desafios das Ciências Biomédicas”

Data: 27 e 28 de junho

Horário: 8h às 17h

Local: Anfiteatro Luiz Rachid Trabulsi, ICB III (Av. Prof. Lineu Prestes, 2415, Cidade Universitária)

 

Programação

Informações sobre os palestrantes


04/06/19
Alimentos podem interferir nos efeitos dos medicamentos

Alguns retardam ou potencializam a ação do medicamento; outros causam efeitos adversos. Especialista do ICB-USP aponta quais interações devem ser evitadas.


04/06/2019


Nem toda a bula alerta, mas há vários alimentos que não devem ser ingeridos com determinados medicamentos. São interações pouco conhecidas e difundidas. “Este tipo de interação é estudada desde a segunda metade do século XX, mas somente nos últimos anos é que trabalhos e ensaios clínicos têm mostrado que a administração de alguns deles junto com determinados nutrientes pode alterar a ação do medicamento e a eficácia do tratamento”, afirma o farmacêutico Moacyr Aizenstein, professor do Departamento de Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).

 

Autor do livro Fundamentos para o Uso Racional de Medicamentos (Editora ELSEVIER, 2016), que está em sua terceira edição, e responsável por um curso sobre o assunto para profissionais da saúde, Aizenstein tem uma lista extensa do que deve ser evitado.

 

Em primeiro lugar, é um equívoco tomar o medicamento sempre após a refeição – na verdade, o ideal é em jejum. “O estômago vazio facilita a absorção – com exceção de alguns medicamentos específicos, como anti-inflamatório e a metformina [antidiabético], que precisam dessa proteção de alimentos no estômago pois provocam irritação gástrica”, explica.

 

Alerta amarelo –Segundo ele, algumas frutas como maçã, ameixa e goiaba, que contém pectina, podem retardar a absorção de medicamentos à base de acetaminofeno, como o Tylenol, por exemplo. Já o feijão, lentilha e cereais, classificados como fibras insolúveis, retardam a absorção de digoxina, usada no tratamento da insuficiência cardíaca.

 

O suco concentrado de grapefruit, por sua vez, causa um aumento na biodisponibilidade dos hipertensivos nifedipina e felodipina, por inibirem seu metabolismo. “Mesmo em pequenas quantidades, essa interação pode provocar efeito tóxico.”

 

Alimentos que contém xantina, como café, chá e chocolate, podem potencializar o efeito da teofilina no tratamento da asma, provocando intoxicação.

 

Alerta vermelho– Aizenstein chama a atenção para alimentos que contém tiramina, tais como queijo, vinho tinto ou produtos defumados. Associados com medicamentos usados no tratamento de doenças psiquiátricas, sobretudo aqueles com os fármacos antidepressivos inibidores da enzima monoaminoxidase, há o risco de a pessoa ter uma crise de hipertensão.

 

Bebida alcoólica, vale reforçar, nunca deve ser ingerida com ansiolítico, sedativo ou anestésico ou antidepressivo. “A ingestão de álcool tem um efeito sinérgico, potencializando o efeito do fármaco. Há um caso clássico de uma paciente que tomava ansiolítico, foi numa festa, bebeu e entrou em coma.”

 

Ele chama a atenção também para a associação do álcool com o metronidazol (antiparasitário), o cetoconazol (antifúngico), as cefalosporinas (antibióticos). “Pode causar acúmulo de aldeído acético no organismo, uma substância tóxica, levando o paciente a ter dor de cabeça, náusea, vermelhidão e crise hipertensiva etc.”

 

No geral, deve-se evitar a ingestão de álcool com qualquer medicamento. “Se o paciente está tomando algum medicamento é porque tem alguma patologia. E o álcool é um imunossupressor: diminui a capacidade do organismo de se defender. Além disso, é um indutor enzimático. “Ao aumentar a capacidade de uma enzima, pela ingestão de álcool, o medicamento será metabolizado mais intensamente, e isso afeta sua concentração no organismo, diminuindo sua eficácia”.

04/06/19
Anita Colli inaugura exposição de arte composta de peças de laboratório no ICB

Mostra tem abertura marcada para o dia 30 de maio, às 15h30, no prédio ICB III. Trata-se de estruturas tridimensionais feitas com pipetas, placas, frascos e outros elementos utilizados em laboratórios científicos.


  27/05/2019

 

O Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) inaugura, no dia 30 de maio, às 15h30, a exposição “Polimorfos”, da artista Anita Colli. Serão expostas obras variadas criadas nos últimos quatro anos, com uma composição inusitada: são estruturas tridimensionais feitas com materiais descartados de laboratórios, como pipetas e frascos. Interessados podem visitar a exposição de segunda a sexta-feira até 13 de setembro, das 9h às 16h, no saguão da diretoria do prédio ICB III.

 

Segundo Anita Colli, as obras são resultado de um processo de transformação e reconfiguração dos materiais de laboratório. O interesse por materiais descartáveis surgiu em 2010, quando a artista buscou se desprender da pintura e encontrar novos métodos de criação. Nessa época, começou a reunir descarte doméstico, como escovas, rolhas, tampas, chaves e abridores de lata. A ideia de incluir peças de laboratório veio da doação dos técnicos do laboratório de trabalho de seu marido, Walter Colli, no Instituto de Química da USP.

 

Na exposição, os pesquisadores, já familiarizados com este tipo de peça, poderão encontrar novos sentidos para elas. Já aqueles que não são da área científica terão a oportunidade de entrar em contato com esses objetos de uma maneira que foge do óbvio. “Quando eu coloco a obra em exposição, eu não tenho controle do que as pessoas vão pensar. Alguns pensam na reciclagem, outros veem representações de estruturas corporais… Eu adoro ver a multiplicidade de interpretações”.

 

Embora as obras representem, na prática, uma reciclagem, a artista revela que esse não é necessariamente o seu objetivo principal. Mais do que reciclar, Anita Colli valoriza a transformação dos objetos e a variedade de possibilidades. “Eu gosto de mostrar para as pessoas, especialmente para as crianças, que você não precisa das ferramentas formais da arte – você pode fazer arte com tudo que estiver ao seu alcance”.

 

Serviço:

Exposição “Polimorfos” de Anita Colli

 

Abertura: 30/05/19, às 15h30
Visitação: de segunda a sexta, até 13/09/19
Horário: das 9h às 16h
Local: Saguão da Diretoria no ICB III (Av. Prof. Lineu Prestes, 2415, Butantã – São Paulo)

Aline Tavares | Acadêmica Agência de Comunicação

27/05/19
Nutrientes específicos associados à atividade física podem beneficiar pacientes oncológicos com caquexia

Pesquisadores do ICB-USP estudam novos métodos de diagnóstico e tratamento da caquexia, síndrome que provoca súbita perda de peso e inflamação sistêmica em pacientes com câncer. Pesquisas recentes explicam razões da inflamação e trazem novas possibilidades para combatê-la.


26/05/2019

 

A pesquisa foi feita em pacientes com câncer colorretal, nos quais a incidência da síndrome chega a 50%. Segundo a pesquisadora Marilia Seelaender, responsável pelo laboratório, apenas inserir mais calorias na dieta não é suficiente para tratar a síndrome. No entanto, é possível escolher nutrientes específicos que modifiquem a expressão dos genes dos órgãos, tornando-os capazes de utilizar energia (função que é prejudicada pela inflamação). Atualmente, o foco do grupo é aliar essa intervenção nutricional à prática de atividades físicas.

 

“Há alguns anos, começamos a testar a prática de atividade física de baixa intensidade em modelos animais. Descobrimos que, com essa prática, o tumor diminuía muito e todos os sintomas da caquexia eram revertidos”, relata Seelaender. “A atividade física é inflamatória por si só e, quando treinamos frequentemente, nosso organismo torna-se mais capaz de lidar com a inflamação, por isso sentimos menos dor após o exercício”.

 

De acordo com a pesquisadora, a mesma lógica é aplicada na caquexia. Com a inflamação provocada pelo exercício físico, o corpo fica melhor preparado para enfrentar a inflamação da síndrome. Essa etapa ocorre no estágio da pré-caquexia, ou seja, quando o indivíduo ainda não perdeu peso, mas já sofreu mudanças metabólicas e está começando um processo de inflamação – dessa forma, já é possível diagnosticar a síndrome.

 

Testes em pacientes – A pesquisadora Marilia Seelaender explica que existem outros dois estágios da síndrome: a caquexia (quando ocorre a perda de peso e sintomas mais graves) e a caquexia refratária (quando todo o metabolismo já foi comprometido e não é possível reverter). Por isso, é importante diagnosticar a caquexia em seu primeiro estágio, prestando atenção aos primeiros sinais de inflamação, e iniciar o tratamento.

 

Hoje, os pesquisadores realizam os testes em pacientes no Hospital Universitário da USP. “Nossos pacientes têm um personal trainer e caminham na esteira durante seis semanas. Assim, temos conseguido reverter a caquexia e o indivíduo fica mais apto para receber os tratamentos anticâncer, além de ter uma melhora psicológica. Os pacientes relatam uma sensação de capacitação e confiança em si mesmos para enfrentar a doença”, diz a especialista.

 

Aline Tavares | Acadêmica Agência de Comunicação

26/05/19