Pró-Reitoria visita o ICB e propõe nova estrutura para Pós-Graduação

O Prof. Dr. Marcio de Castro Silva Filho, Pró-Reitor Adjunto de Pós-Graduação da USP, explicou que a intenção é utilizar um padrão semelhante ao europeu, diminuindo o tempo de Mestrado e otimizando o Doutorado e o Pós-Doutorado.


27/08/2019

 

Professores Luís Carlos de Souza Ferreira, Marcio de Castro Silva Filho e Maria Luiza Morais Barreto de Chaves.

Na última quarta-feira (21/8), o Pró-Reitor Adjunto de Pós-Graduação da Universidade de São Paulo, Prof. Dr. Marcio de Castro Silva Filho, realizou uma palestra no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB-USP) para apresentar as mudanças que a Pró-Reitoria propõe para o modelo de Pós-Graduação da universidade. A proposta consiste em seguir o padrão europeu e diminuir o tempo de mestrado, transformando-o em um “pré-doutorado”.

 

“O mestrado acadêmico duraria somente um ano, período no qual o aluno receberia bolsa, realizaria disciplinas e um projeto de pesquisa. No final do ano, o aluno passa por uma avaliação: se for aprovado, pode iniciar direto o doutorado; se não, recebe um certificado”, explica o professor Marcio de Castro.

 

O modelo atual – mestrado seguido de doutorado – existe no país desde 1965 e teve poucas mudanças desde a sua criação. Segundo o professor, houve uma grande expansão desse sistema no Brasil, que hoje conta com mais de 4 mil programas. “As regiões Norte, Nordeste e Centro são as que mais crescem. Mas esse modelo está ultrapassado. Apenas 2,3% dos alunos entram no doutorado menos de 24 meses após o início do mestrado. Isso faz com que o tempo de pós-graduação no Brasil seja muito maior do que em outros países”, esclarece.

 

Na Europa, o mestrado se tornou a etapa final da formação na graduação, enquanto nos Estados Unidos o curso tem uma forte característica de formação profissional, como uma especialização, desvinculando o mestrado do doutorado. Nesse sentido, a proposta da Pró-Reitoria de Pós-Graduação visa a otimização do doutorado e do pós-doutorado, que atualmente já recebem um apoio financeiro mais expressivo do que os programas de mestrado. As mudanças afetariam o mestrado acadêmico – o mestrado profissional seguiria o padrão de dois anos.

 

Outra justificativa para a mudança é que o número de doutores formados no país ainda não atingiu a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Pós-Graduação da CAPES. Segundo este documento, ao priorizar a titulação de doutores, estimula-se a produção científica de maior impacto. “A visibilidade da nossa ciência está crescendo; nós temos um impacto de 0,88, mas ainda podemos melhorar. Essas mudanças implicariam na forma de financiamento da CAPES, que teria um ano a menos para financiar o pesquisador, e em um maior apoio ao pós-doutorado”, afirma o Pró-Reitor Adjunto de Pós-Graduação.

 

Aline Tavares | Acadêmica Agência de Comunicação