Projeto da USP sobre autismo busca doações para continuar suas pesquisas

A ONG “A Fada do Dente” investiga as causas do autismo e novas estratégias de tratamento, utilizando células de dentes de leite que são transformadas em neurônios.


20/05/2021

O Projeto A Fada do Dente, que realiza pesquisas sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) a partir de dentes de leite doados de crianças autistas, lançou uma campanha para arrecadar doações. Desenvolvido na Universidade de São Paulo, por meio de uma organização não governamental, o projeto realiza pesquisas com células extraídas da polpa desses dentes para compreender os mecanismos biológicos do autismo e ajudar na busca por novos tratamentos. No entanto, hoje esse trabalho está praticamente estagnado por falta de recursos para realizar as culturas de células. Os interessados podem doar qualquer quantia fazendo depósito bancário (Bradesco, agência 2692, conta 20568-0, CNPJ 21.487.751/0001-54). Para mais informações sobre o projeto, clique aqui.

 

O TEA é um distúrbio do neurodesenvolvimento que acomete, em média, uma a cada 54 crianças, segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. Apesar dos avanços da ciência em pesquisas sobre as causas e possíveis tratamentos, muitos estudos ainda são necessários para conhecer a fundo os aspectos biológicos do autismo, acelerar o diagnóstico e desenvolver estratégias de tratamento individualizadas, uma vez que existem diferentes graus do transtorno.

 

Criado em 2008 pela pesquisadora Patrícia Beltrão Braga, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), o projeto A Fada do Dente já analisou mais de 400 dentes de leite. Nesse trabalho, é utilizada uma técnica de reprogramação celular, que transforma as células da polpa do dente em neurônios. Assim, é possível identificar diferenças biológicas entre os neurônios de indivíduos autistas e de indivíduos neurotípicos (que não têm autismo). Esse conhecimento pode ser aplicado para encontrar novos alvos terapêuticos e testar novas drogas. “O desenvolvimento de um banco de material biológico unicamente brasileiro é essencial, uma vez que grande parte das pesquisas genéticas do autismo são baseadas apenas nos Estados Unidos e na Europa”, explica a pesquisadora.

 

Um transtorno complexo – Classificado em três graus – leve, moderado ou grave –, o autismo é caracterizado por déficits na comunicação e interação social e comportamentos repetitivos e estereotipados. Por envolver manifestações comportamentais, o diagnóstico não é simples – exige uma observação clínica e, muitas vezes, o envolvimento de diferentes especialistas, como psicólogos, psiquiatras e neurologistas. Devido à sua complexidade, o diagnóstico costuma ser feito apenas aos dois ou três anos de idade, e há muitos casos de indivíduos que foram diagnosticados apenas na fase adulta.

 

Existem fatores de risco genéticos e ambientais para o TEA, por isso é dito como um transtorno do neurodesenvolvimento de risco multifatorial. Hoje, mais de mil genes são reconhecidos como de predisposição ao autismo. Por meio de exames de sequenciamento genético, é possível identificar algumas dessas mutações. Os riscos ambientais que podem contribuir ainda não estão claros, mas aparentemente algumas infecções e uso de drogas durante a gestação podem estar relacionadas ao TEA, em combinação com a suscetibilidade genética.

 

Por Aline Tavares
Acadêmica Agência de Comunicação