Criadora de startup de imunoterapia para câncer vence o Programa Mulheres Inovadoras

A ImunoTera trabalha em parceria com o Instituto de Ciências Biomédicas da USP para testar a eficácia da imunoterapia no tratamento de tumores induzidos por HPV, usando técnicas avançadas de edição genética e biologia molecular. O produto teve 100% de eficácia em testes em animais.


11/09/2020

 

No dia 26 de agosto, em Brasília, ocorreu a cerimônia de premiação do Programa Mulheres Inovadoras, organizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Prefeitura de São Paulo. A iniciativa visa aumentar a presença feminina no campo do empreendedorismo e da ciência, disponibilizando para cada uma das cinco empresas vencedoras R$100 mil a serem utilizados em investimentos.

 

Uma das vencedoras foi a Dra. Luana Moraes Aps, diretora e uma das três fundadoras da startup ImunoTera, fundada em 2016. Através da imunoterapia, a empresa desenvolve novos tratamentos para pacientes de câncer induzido pelo vírus do papiloma humano, o HPV, como o câncer de colo de útero e o de orofaringe. A tecnologia é capaz de direcionar e ativar o próprio sistema imunológico, induzindo uma resposta específica para combater o tumor, sem prejudicar células saudáveis. O tratamento inovador pode ser administrado em forma de uma vacina de DNA ou de proteína recombinante, aliado à quimioterapia.

 

A ideia surgiu durante os projetos de doutorado das sócias-fundadoras, então pesquisadoras do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP). Durante o doutorado de Luana em Microbiologia, ela otimizou e avaliou o potencial terapêutico de uma imunoterapia experimental contra tumores induzidos por HPV, criada no Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas, coordenado pelo professor Luís Carlos de Souza Ferreira, diretor do Instituto. Associado à quimioterapia baseada em cisplatina, o tratamento resultou em regressão total e cura permanente do câncer em camundongos, possibilitando a redução da dose do quimioterápico e minimizando seus efeitos colaterais.

 

Os resultados da pesquisa estão sendo publicados em uma revista científica de impacto internacional. Já com a empresa, a pesquisadora foi contemplada no ano passado com o seu segundo projeto PIPE-FAPESP para realizar as etapas finais de desenvolvimento antes dos estudos em seres humanos. “Atualmente, estamos concluindo a fase pré-clínica de toxicidade, testando em animais de pequeno porte. Prevemos o início da fase clínica, em pacientes, em até 2 anos”, afirma Luana.

 

O ICB-USP tem sido um grande parceiro da ImunoTera. Em troca de royalties, disponibilizou para a empresa o Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas, além de facilitar parcerias chave com pesquisadores da Universidade. “A participação do professor Luís Carlos de Souza Ferreira foi imprescindível para viabilizar a empresa e projetos inovadores relacionados à tecnologia. O professor abriu as portas do seu laboratório e hoje vislumbramos a possibilidade de um laboratório próprio da ImunoTera para empregar os pesquisadores que são formados lá”.

 

 

Por: Bruna Anielle | ICB-USP